RIC Charge prevê R$ 8 milhões em hubs de recarga no RS em 2027

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A RIC Charge prevê investir R$ 8 milhões em 2027 para expandir sua rede de recarga rápida de veículos elétricos e chegar a 13 hubs na Grande Porto Alegre (RS). A empresa aposta em carregadores de até 300 kW, gestão inteligente de energia e monitoramento remoto para atender à demanda crescente por infraestrutura de recarga, especialmente entre motoristas de aplicativo.

Entre janeiro e setembro de 2026, foram vendidos 24.010 automóveis e comerciais leves eletrificados no Rio Grande do Sul, alta de 135,14% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pela empresa com base no mercado estadual. Desse total, 13.705 eram veículos 100% elétricos, crescimento de 241,86%, enquanto os híbridos somaram 10.305 unidades, avanço de 66,16%.

A projeção do Sincodiv-RS é de aproximadamente 30 mil eletrificados vendidos no estado até o final do ano. Segundo a RIC Charge, cerca de 98% de seus clientes são motoristas de aplicativo. A empresa afirma ter alcançado aproximadamente mil usuários cadastrados em oito meses de operação.

Para esse público, o tempo de recarga tem impacto direto na produtividade. A companhia busca reduzir o período de parada com carregadores de alta potência e sistemas que distribuem a energia conforme a demanda de cada veículo.

Gestão de potência e eficiência energética

Os hubs da RIC Charge operam com potência total de até 300 kW. A empresa utiliza tecnologias de divisão e balanceamento dinâmico de carga, que permitem distribuir a potência disponível entre os veículos conectados e administrar o consumo de outros equipamentos da unidade, como ar-condicionado e aspiradores.

Na prática, a potência recebida depende da capacidade de recarga do veículo e das condições de operação. Segundo a companhia, os motoristas recebem tipicamente entre 60 kW e 70 kW, e veículos menores podem passar de 15% a 80% de carga em aproximadamente 30 minutos.

Em modelos compatíveis com potências elevadas de recarga em corrente contínua (CC), o tempo pode ser menor. A empresa cita veículos como Porsche Taycan, Audi e-tron GT e BMW iX3 50 xDrive, que, segundo o fundador da RIC Charge, Ionathan Cunha, podem recuperar de 10% a 80% da bateria em cerca de 18 minutos, em condições ideais.

O tempo efetivo depende da potência máxima aceita pelo veículo, da temperatura da bateria e de outros fatores operacionais. Embora os carregadores da rede tenham potência de até 300 kW, isso não significa que todos os veículos consigam receber essa potência durante a recarga.

A empresa também informa que seus carregadores com tecnologia Split Charge podem alcançar eficiência energética de até 98%, reduzindo as perdas entre a energia recebida e a disponibilizada ao veículo.

Operação remota e expansão da rede

Os hubs funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana, sem equipe permanente no local. A operação é acompanhada remotamente, com monitoramento de tensão, corrente, temperatura, consumo e falhas, além da possibilidade de reiniciar equipamentos à distância.

A arquitetura inclui redundância de conectividade, câmeras com inteligência artificial e manutenção preventiva. Segundo a companhia, o tempo de indisponibilidade por problemas técnicos representa menos de 1% da operação, chegando a aproximadamente 0,5% em determinados períodos.

A RIC Charge também está desenvolvendo carregadores próprios em parceria com um fabricante na China. Os equipamentos terão suporte ao protocolo OCPP 2.0.1, utilizado na comunicação e integração entre carregadores e plataformas de gerenciamento.

Outra tecnologia em avaliação é o armazenamento de energia em baterias (BESS). Segundo a empresa, esses sistemas poderão ampliar a potência disponível nos horários de maior demanda sem exigir necessariamente novas obras de infraestrutura elétrica ou a substituição imediata de transformadores.

A expansão será concentrada inicialmente em Porto Alegre. A companhia prevê chegar a seis unidades na cidade até o final de 2026 e ampliar a rede para outras cidades a partir de 2027, com a meta de alcançar 13 hubs na Grande Porto Alegre.

A estratégia inclui integrar as unidades em uma única rede, com cadastro e preços padronizados, além da possibilidade de lançar um programa de assinatura para usuários recorrentes.

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