O interesse dos consumidores brasileiros em escolher o próprio fornecedor de energia elétrica já supera o conhecimento sobre as regras do mercado livre. Pesquisa realizada pela Bow-e, empresa de geração distribuída do Grupo Bolt, mostra que 72,6% dos entrevistados gostariam de decidir de qual empresa comprar energia.
O levantamento, realizado com 201 consumidores de quatro regiões do país, também revela que 60% dos participantes ainda desconhecem que poderão escolher seu fornecedor de eletricidade a partir de 2028. Entre aqueles que não conhecem a mudança regulatória, porém, 70,2% afirmam que gostariam de exercer esse direito.
Os resultados apontam para uma demanda potencial antes mesmo da abertura do mercado residencial, mas também para um desafio de comunicação e educação do consumidor sobre o funcionamento do setor elétrico.
“Os dados mostram que existe uma demanda espontânea por liberdade de escolha antes mesmo de o consumidor conhecer a mudança regulatória”, afirma Ciro Neto, CEO da Bow-e. Segundo o executivo, o desafio do setor será ampliar o acesso à informação para que os consumidores possam tomar decisões conscientes com a abertura do mercado.
A pesquisa indica que o desconhecimento não se restringe à futura abertura do mercado residencial. Para 37,9% dos entrevistados, a possibilidade de escolher a comercializadora de energia é atualmente uma exclusividade de grandes empresas e indústrias.
Apenas 20% sabem que a escolha do fornecedor já é possível para determinados perfis de consumidores no Brasil.
A percepção sobre a possibilidade de trocar de fornecedor também permanece distante da realidade de outros serviços. Para 43,2% dos entrevistados, ainda não é possível mudar de fornecedor de energia da mesma forma que se troca uma operadora de telefonia ou um plano de internet. Outros 36,8% reconhecem que essa transição já está em curso, enquanto 20% não souberam responder.
O cenário deve mudar com a ampliação gradual do mercado livre. A Lei 14.120/2021 estabeleceu a abertura do ambiente de contratação livre para todos os consumidores, em um processo que vem sendo regulamentado e implementado de forma progressiva.
A abertura para consumidores residenciais está prevista para 2028, o que deverá ampliar significativamente o universo de consumidores potencialmente aptos a escolher seu fornecedor de energia.
Preço é principal fator de decisão
O custo da eletricidade aparece como o principal fator de interesse dos consumidores em um eventual processo de migração. Para 67,4% dos entrevistados, o preço da tarifa seria o critério mais importante na escolha do fornecedor.
A qualidade do atendimento aparece em segundo lugar, com 11,6% das respostas. Energia proveniente de fontes renováveis e programas de benefícios foram citados por 7,4% dos participantes cada.
Para a Bow-e, os resultados indicam que o preço tende a ser o principal elemento de atração de consumidores para o mercado livre, mas que outros atributos podem ganhar importância à medida que a competição se desenvolva.
“O preço naturalmente será a porta de entrada para a competição. Mas, conforme o mercado amadurece, fatores como qualidade do atendimento, transparência e serviços agregados passam a ser determinantes para fidelizar esse consumidor no ambiente livre”, afirma Neto.
A primeira edição da pesquisa Data Bolt foi realizada entre 13 e 24 de julho de 2026, por meio de questionário quantitativo, com 201 consumidores.
A amostra reuniu participantes do Nordeste (46,7%), Sudeste (24,1%), Centro-Oeste (16,3%) e Sul (13%). Não houve participação de entrevistados da região Norte, segundo a metodologia divulgada pela empresa.
O levantamento buscou avaliar o conhecimento dos consumidores sobre o mercado livre de energia e a percepção sobre a futura abertura para consumidores residenciais.



