Trinasolar projeta alta de 10% nas vendas no Brasil em 2026 e aposta em BESS

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Com foco em soluções integradas, a Trinasolar projeta crescimento de aproximadamente 10% nas vendas no Brasil em 2026, na comparação com o ano anterior. Segundo o diretor de Vendas Brasil da companhia, Patrício Pavez, a expansão deve ser sustentada principalmente pelo avanço do armazenamento de energia, que ganhou relevância com a preparação do mercado para os leilões de reserva de capacidade.

A empresa também pretende reforçar sua atuação no país como fornecedora de soluções que combinam módulos fotovoltaicos, sistemas de rastreamento e baterias. A estratégia será apresentada na Intersolar South America 2026, que acontece em São Paulo (SP) entre os dias 25 e 27 de agosto, com destaque para os módulos Vertex N com tecnologia i-TOPCon tipo N, os trackers TrinaTracker e as soluções de BESS da Trina Storage.

“A expectativa é reforçar nossa transição de uma fabricante de módulos para uma provedora completa de ‘Soluções Integradas e Inteligentes’. O foco do nosso estande será demonstrar o alto valor agregado da nossa tríade: módulos fotovoltaicos de altíssima eficiência, sistemas de rastreamento avançados e soluções robustas de armazenamento de energia (BESS), tudo suportado por uma equipe de engenharia e pós-vendas local fortemente estabelecida”, afirma Pavez.

Entre os módulos que serão apresentados está a série NEG21C.20, da família Vertex N, com potência entre 695 W e 720 W. Os equipamentos são direcionados principalmente a projetos de geração centralizada e ao segmento comercial e industrial (C&I). A fabricante também exibirá as soluções Vanguard 1P e Vanguard 2P, da TrinaTracker, desenvolvidas para operar em conjunto com os módulos Vertex N e aumentar o rendimento energético dos projetos.

No armazenamento, a Trinasolar apresentará as plataformas Elementa 2 Pro e Elementa 3, além da solução integrada Elementa + Electra, que combina sistemas DC e AC. As soluções são voltadas a projetos de grande escala e podem ser empregadas em aplicações como estabilização da rede e peak shaving.

“A preparação para os leilões de reserva de capacidade transformou o BESS de uma ‘tendência futura’ para uma necessidade sistêmica e imediata de hedge de confiabilidade para o ONS”, diz o executivo.

A avaliação da Trinasolar é que o mercado brasileiro amadureceu entre 2025 e 2026. Embora a geração distribuída continue representando uma parcela importante da demanda por equipamentos, o armazenamento passou a ocupar posição central na estratégia da empresa. Ao mesmo tempo, Pavez aponta as exigências regulatórias e de financiamento, especialmente relacionadas às regras de conteúdo local do FINAME/BNDES, como um dos principais desafios para o setor.

“A indústria precisa equilibrar a adoção de tecnologias de ponta globais com a necessidade de estruturação de cadeias de suprimento e rotas de nacionalização em solo brasileiro, algo que a Trinasolar tem acompanhado e avaliado de perto.”

Patrício Pavez, diretor de Vendas no Brasil da Trinasolar.

Oferta global de módulos e mercado brasileiro

Após a forte queda registrada nos últimos anos, provocada pela sobrecapacidade industrial e pela redução dos custos do polissilício, a cadeia global de módulos fotovoltaicos começa a buscar um equilíbrio mais sustentável entre oferta, demanda e rentabilidade, avalia Pavez.

A perspectiva é de que a competição entre fabricantes deixe de se concentrar exclusivamente no preço dos módulos. Na avaliação da empresa, eficiência, confiabilidade e custo nivelado de energia (LCOE) devem ganhar peso nas decisões dos compradores.

Com as grandes empresas de nível Tier 1, como a Trinasolar, focando na racionalização da oferta e em produtos de alta eficiência (como a tecnologia i-TOPCon e células tandem), a concorrência deixa de ser puramente por preço e passa a ser pelo Custo Nivelado de Energia (LCOE) e pela confiabilidade a longo prazo.

A companhia também relaciona esse movimento à evolução tecnológica da indústria. A estratégia inclui o desenvolvimento de produtos de maior eficiência e potência, ao mesmo tempo em que busca adequar a oferta às condições de mercado.

Em relação aos estoques de módulos no mercado brasileiro, a Trinasolar observa uma redução gradual dos volumes acumulados no início de 2026. Segundo Pavez, as distribuidoras começaram o ano com níveis elevados de produtos, mas o movimento de normalização avançou ao longo dos meses.

A companhia mantém parcerias com distribuidoras em diferentes regiões do país e afirma que sua estratégia permanece concentrada no fortalecimento desses canais. O modelo prevê o fornecimento de equipamentos e soluções por meio da rede de distribuição, em vez de priorizar vendas diretas a integradores.

BESS abre caminho de crescimento no Brasil

A Trinasolar considera o armazenamento um dos principais vetores de crescimento de sua operação brasileira. A empresa já oferece soluções por meio da Trina Storage e afirma ter estruturado equipes locais de engenharia, vendas e pós-vendas para atender projetos de maior escala.

A principal plataforma voltada ao segmento utility-scale é a Elementa, atualmente em sua terceira geração. Segundo a companhia, o sistema combina alta densidade energética e recursos de segurança e foi desenvolvido para aplicações de grande porte.

A empresa afirma que as soluções de armazenamento já estão disponíveis para o mercado brasileiro e que a estratégia é atender especialmente à demanda associada aos futuros leilões de reserva de capacidade.

O armazenamento é o grande protagonista da nossa estratégia de longo prazo no país. Vemos o BESS não apenas como um complemento, mas como uma ferramenta fundamental de confiabilidade e flexibilidade para o sistema elétrico nacional.

A aposta ocorre em um momento de maior atenção do setor às limitações de transmissão, à necessidade de flexibilidade operacional e ao aumento da participação de fontes renováveis variáveis na matriz elétrica. Para a Trinasolar, esse cenário abre espaço para que o armazenamento deixe de ser uma tecnologia complementar aos projetos solares e passe a integrar a infraestrutura necessária ao funcionamento do sistema.

Com a ampliação do portfólio para incluir módulos, trackers e BESS, a companhia pretende consolidar no Brasil um modelo de fornecimento de soluções integradas, apoiado também em capacidade local de engenharia e suporte técnico.

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