O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) aprovou a criação de um grupo de trabalho para aprofundar a análise de possíveis instalações de micro e minigeração distribuída (MMGD) que estejam fora do controle das distribuidoras. A medida foi deliberada na reunião do colegiado, realizada em 2 de setembro, após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apresentar os resultados iniciais de ações de detecção, triagem e fiscalização sobre o tema.
Segundo a Aneel, os primeiros resultados indicam assertividade nas inspeções realizadas e reforçam a necessidade de aprimorar o acompanhamento dessas instalações. A preocupação está relacionada aos impactos que unidades de geração não identificadas ou não acompanhadas adequadamente podem causar sobre as informações utilizadas no planejamento e na operação do sistema elétrico.
O grupo será coordenado pela Aneel e terá a participação das instituições que integram o CMSE. A agência também informou que ampliará a atuação das distribuidoras na identificação e triagem dos casos.
Além disso, a Aneel pretende realizar fiscalizações junto aos agentes para avaliar os procedimentos adotados e seus eventuais efeitos sobre as redes de distribuição. O monitoramento do tema será mantido de forma contínua.
Corte emergencial de 2 GW
A reunião do CMSE também registrou um segundo acionamento, realizado com sucesso, do plano emergencial de corte de geração na distribuição. A medida foi aplicada em 23 de agosto, quando o sistema registrou uma condição de carga mínima.
De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), foram reduzidos 2 GW de geração na distribuição para equilibrar a elevada produção de MMGD com a menor demanda característica do final de semana. A ação permitiu manter o atendimento à carga dentro dos padrões de qualidade e confiabilidade estabelecidos para o Sistema Interligado Nacional (SIN).
O episódio reforça o desafio operacional associado ao crescimento da geração distribuída em períodos de baixa demanda, especialmente quando a produção solar é elevada. Nesses momentos, a geração descentralizada reduz a demanda líquida observada pelo sistema, limitando a flexibilidade para acomodar toda a produção disponível.
O primeiro acionamento emergencial do plano havia ocorrido anteriormente, também em uma situação de excesso de geração em relação à carga.
A utilização do mecanismo ocorre em um contexto de expansão da MMGD e de maior necessidade de instrumentos para administrar a variabilidade da geração e as condições de carga do SIN. A questão também se relaciona aos trabalhos do Grupo de Trabalho sobre Cortes de Geração do CMSE, cujo relatório final foi concluído e deverá ser publicado em breve.
Segundo o CMSE, das 27 ações previstas no plano de trabalho do grupo, 19 foram concluídas. As demais permanecem em andamento, com prazos ajustados em função de sua complexidade técnica e regulatória.
O comitê destacou que os aprendizados do grupo deverão ser incorporados pelas instituições participantes e poderão subsidiar propostas de aprimoramento da operação e da expansão do sistema elétrico.



