Relatório da Ember e do Africa Tech Futures Lab estima que a produção de módulos solares chegará a cerca de 3,5 GW em 2026, impulsionada por novas fábricas no Egito e na Tanzânia voltadas principalmente à exportação para os EUA.
O relatório destaca que os dados disponíveis para avaliar a capacidade de fabricação de módulos solares na África são extremamente limitados, com pouca documentação disponível publicamente.

Dave Jones, analista-chefe da Ember e coautor do relatório, disse à pv magazine que as grandes fábricas de módulos solares da África no Egito, na Etiópia e na Tanzânia provavelmente estão tentando manter um perfil discreto para evitar a atenção das autoridades dos EUA, que buscam reduzir as importações de equipamentos solares para o país.
“Entretanto, muitas fábricas menores de módulos solares em toda a África estão aumentando sua capacidade. Embora as empresas estejam interessadas em fazer anúncios à imprensa, essas divulgações oferecem poucos detalhes sobre a capacidade das linhas de produção e ainda menos informações sobre o volume efetivamente fabricado”, acrescentou.
Segundo o relatório, a nova capacidade de fabricação de módulos no Egito e na Tanzânia é voltada predominantemente à exportação para os EUA, onde os preços dos módulos chineses são muito mais altos devido às tarifas norte-americanas sobre produtos chineses.
Já os outros seis países citados estão mais direcionados ao atendimento da demanda doméstica. Ainda assim, até 94% dos módulos instalados atualmente na África são importados da China, segundo o estudo.
De acordo com dados do China Solar PV Export Explorer, da Ember, a China exportou para a África 19 GW de células fotovoltaicas e 9 GW de wafers nos dois anos e meio até junho de 2026. No mesmo período, a África fabricou apenas 2,7 GW de módulos fotovoltaicos.

“Consideramos que uma pequena parte disso reflete o aumento da fabricação solar na África, que continuará no final de 2026 e nos anos seguintes. Mas acreditamos que a maior parte não seja efetivamente importada pelos países africanos e provavelmente seja reexportada para os EUA”, afirma o relatório. “As alfândegas da maioria dos países africanos não registram as importações de células e wafers, portanto não há dados que ajudem a esclarecer essa questão.”
Mudanças previstas nas tarifas dos EUA, que devem encarecer as importações de células e módulos fotovoltaicos a partir de dezembro deste ano, podem reduzir a capacidade dos países africanos de vender esses produtos ao mercado norte-americano. As alterações tarifárias ocorrem após a China eliminar, no início deste ano, o reembolso de 9% do imposto sobre valor agregado (IVA) para exportações.
“Isso pode fazer com que os módulos solares acabem sendo utilizados no mercado doméstico”, prossegue o relatório. “Isso substituiria as importações chinesas e, em última análise, faria com que a África se tornasse mais autossuficiente.”
Jones também afirmou à pv magazine que os módulos solares chineses continuam sendo o principal obstáculo à construção de cadeias de suprimentos de energia solar na África.
“[Os módulos chineses] são de qualidade extremamente alta e, a cerca de US$ 80 por módulo, entram na categoria de ‘ridiculamente baratos’”, explicou. “A África importou apenas US$ 2,4 bilhões em módulos solares nos últimos 12 meses, portanto a conta de importações não é grande e o valor agregado que os países podem obter será pequeno. Por isso, quando os países consideram a energia solar, precisam fazê-lo de uma maneira barata e de longo prazo.”
Jones acrescentou que outras tecnologias limpas tornam ainda mais urgente o desenvolvimento de cadeias de suprimentos. O relatório destaca que a África já importa da China um valor maior em baterias do que em módulos solares, enquanto Jones observa também o crescimento das importações de veículos elétricos, tecnologias para redes elétricas e turbinas eólicas.
“Os países africanos deveriam desenvolver uma cadeia industrial abrangente de tecnologias limpas que permita saltar a velha lógica energética de ‘importar petróleo e gás, importar carros, importar usinas’”, afirmou Jones.
Outros dados apresentados no relatório indicam que um recorde de 17 GW de energia solar será instalado na África neste ano, o equivalente a cerca de 100 mil módulos por dia. Ao todo, 36 dos 54 países africanos estão a caminho de instalar uma quantidade recorde de energia solar em 2026.
O relatório acrescenta que três quartos do crescimento da energia solar na África correspondem à geração distribuída, formada por sistemas fotovoltaicos de pequena escala instalados do lado do consumidor, principalmente em telhados. Dos 26 GW estimados de capacidade solar adicionados na África entre 2023 e 2025, a geração distribuída respondeu por 20 GW.



