O “Latam Mobility México 2026” serviu como palco para o painel “Infraestrutura Integrada: CPO, Carregamento Inteligente e Data para Frotas”, um espaço de conversa que reuniu Andrei López, cofundador da CeNeutral; Javier Cuartas Villalobos, cofundador e CEO da FAZT; Patricia Baires, gerente de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina da synergEV; e Rubén Villar, diretor operacional e comercial da GoEnergy. A moderação ficou a cargo de Andrés García, diretor de Mobilidade da Invest In Latam.
O painel abordou os principais desafios e oportunidades da infraestrutura de carregamento no México, com especial ênfase na rentabilidade, na escalabilidade, na interoperabilidade e na experiência do usuário.
Andrés García, diretor de Mobilidade da Invest In Latam, deu as boas-vindas aos painelistas e lembrou que, há alguns anos, a conversa girava em torno de quando chegaria o primeiro carregador rápido, qual era a potência e qual era a autonomia dos veículos, mas que hoje o debate se concentra na adoção em massa e nos gargalos para acelerar a implantação.
O moderador sublinhou que a eletromobilidade já não é apenas uma ferramenta de descarbonização, mas também uma oportunidade de negócio e de economia operacional para quem tem veículos na rua, frotas de logística ou operações de transporte. Nesse contexto, apresentou os quatro painelistas e deu passagem às suas intervenções iniciais.
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Os Protagonistas e Seus Números
Andrei López, cofundador da CeNeutral, apresentou-se sinalizando que sua empresa se dedica a frotas e que hoje conta com quase 3.000 pontos de recarga para as principais empresas do México. Sua intervenção centrou-se na evolução do mercado: há seis anos, o foco era instalar pontos de carga e os objetivos ESG dominavam a conversa; hoje, a exigência é que as estações sejam rentáveis e que os casos de negócio possam ser monetizados e medidos.
Patricia Baires, gerente de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina da synergEV, explicou que a companhia nasceu nos Estados Unidos e que, há um ano, se tornou uma empresa mexicana. Sinalizou que a empresa é especialista em oferecer soluções 360: produz carregadores, desenvolve o software para monetizar e controlar a gestão e acompanha seus clientes em projetos na América Latina. Anunciou que a empresa instalará em Puebla sua primeira fábrica de estações de recarga tanto AC como DC, com uma produção estimada de 30.000 estações por ano.
Por sua vez, Javier Cuartas Villalobos, cofundador e CEO da FAZT, informou que sua empresa se dedica ao desenvolvimento, à construção e à operação de estações de carga de acesso público e carga rápida. Atualmente, contam com 35 estações em operação, o que representa 250 pontos de carga em nível nacional, e neste mês abrirão outras 10 estações que estão finalizando sua construção. Destacou que a FAZT está focada exclusivamente na carga rápida e mencionou o acordo com a Organización Soriana para implantar estações de carga em suas 820 lojas.
Rubén Villar, diretor operacional e comercial da GoEnergy, explicou que sua empresa se dedica a projetar, instalar e operar estações de carga rápida em todo o país. Atualmente conta com 15 estações de carga ultrarrápida operando em nível nacional e tem planos de crescimento importantes. Sinalizou que a empresa está focada principalmente em frotas e que se encarrega de todo o investimento em infraestrutura para que seus clientes se concentrem em migrar seus veículos de combustão para elétricos.


Os Gargalos: Conectores, Mercado Imobiliário e Energia
Rubén Villar, da GoEnergy, identificou três pontos principais que freiam a adoção de infraestrutura de carregamento no México. O primeiro é a existência de quatro conectores diferentes no país, o que obriga a diversificar o investimento e complica a previsão de uso de cada carregador. O segundo é a escassez de terrenos disponíveis para estações de carga, já que a maioria está ocupada por outros negócios, e o terceiro é a falta de infraestrutura em rodovias, o que limita que os usuários se animem a comprar um carro elétrico para viagens longas.
Patricia Baires, da synergEV, sinalizou que o número de veículos elétricos no México está crescendo mais rápido que a infraestrutura de carregamento e que nem todas as estações instaladas são inteligentes, com software que permita controlar e monetizar a operação. Sublinhou que as estações inteligentes são fundamentais para dar credibilidade, tranquilidade e confiança aos usuários que já fizeram a transição para a mobilidade elétrica.
Javier Cuartas Villalobos, da FAZT, concordou que o mercado imobiliário é um dos maiores gargalos para a expansão acelerada das estações de carga rápida, porque nem todos os imóveis contam com capacidade elétrica disponível ou rentabilidade assegurada.
Andrei López, da CeNeutral, acrescentou que o acesso à energia se tornou crítico, pois hoje há centros de recarga com até 150 carregadores e a Comissão Federal de Eletricidade já não responde com a mesma facilidade que há seis anos; e advertiu que o crescimento dos veículos elétricos, da indústria e dos data centers competirá pela mesma energia.
Escalabilidade: Energia, Confiabilidade e Caso de Negócio
Andrei López, da CeNeutral, explicou que a escalabilidade depende de três fatores: que haja energia, que as rotas cumpram sua função e que o negócio faça sentido para as finanças. Sinalizou que seus clientes começam com um veículo, depois passam para o segundo e hoje várias empresas com as quais trabalham já têm milhares de veículos elétricos. “Não se pode entender a escalabilidade sem energia, sem confiabilidade e também sem um caso de negócio”, afirmou.
A executiva da synergEV, Patricia Baires, sublinhou que os projetos de frotas se acelerarão quando se entender como funciona a frota atual a combustível e como essas rotas serão transferidas para o elétrico. Propôs o conceito de recargas colaborativas, que consiste em várias empresas compartilharem estações de carga e monetizarem os quilowatts adicionais nos tempos mortos de suas frotas. “Nem sempre vamos precisar de carregadores rápidos; depende da tecnologia do veículo”, explicou.
Javier Cuartas Villalobos, da FAZT, sinalizou que, para escalar a eletromobilidade, são necessários acesso à energia e uso eficiente da energia. Destacou os esforços do governo e da Comissão Federal de Eletricidade em geração, transmissão e distribuição, e mencionou que as baterias serão fundamentais para permitir cargas ultrarrápidas e estabilizar a rede.
Por sua vez, Rubén Villar, da GoEnergy, acrescentou que os sistemas de gestão ajudam a tornar as cargas mais eficientes e a baixar o consumo em horários de pico, mas que, quando uma estação passa de 10 ou 20 veículos para 100 ou 200, é necessária capacidade elétrica real.


Interoperabilidade: Protocolos Abertos, Maturidade e Experiência do Usuário
Andrés García, representante da Invest In Latam, perguntou aos painelistas sobre a interoperabilidade e a experiência do usuário, sinalizando que não é prático ter vários aplicativos no celular para carregar um veículo.
Rubén Villar, da GoEnergy, respondeu que, embora as empresas tenham nascido com sistemas fechados, o mercado tenderá à interoperabilidade, e que, se abrir as redes ajuda a que haja mais veículos elétricos, estão dispostos a fazê-lo. “Que ganhemos todos”, expressou.
Patricia Baires, da synergEV, afirmou que sempre apostaram no protocolo aberto e que este deixará de ser uma vantagem competitiva para se tornar uma exigência do mercado. “O México está avançando com uma rapidez em que não podemos ser os mesmos membros do ecossistema a frear esse avanço”, advertiu.
Javier Cuartas Villalobos, da FAZT, concordou que a interoperabilidade é boa para o usuário, mas considerou que o México ainda não tem a maturidade suficiente para implementá-la plenamente. “Primeiro é preciso construir redes de carga seguras, confiáveis e rápidas; depois virá a interoperabilidade”, sinalizou.
Por sua vez, Andrei López, da CeNeutral, acrescentou que a interoperabilidade traz consigo perguntas-chave: quem fatura, quem conserta uma falha e quem dá a cara ao usuário. Lembrou que no México há 52 milhões de veículos e que, ao término do ano, haverá cerca de 400.000 veículos elétricos, o que representa menos de 1% do parque veicular. “Se acham que tudo o que está acontecendo aqui fora é grande, convido vocês a se somarem, porque a onda vem ainda maior”, concluiu.

A Eletromobilidade Não Tem Volta Atrás
Na reta final, Andrés García pediu aos painelistas uma mensagem para quem ainda duvida da eletromobilidade. Rubén Villar, da GoEnergy, convidou os inovadores e os inteligentes a se somarem a um caminho já comprovado, com experiência de outros atores, para diversificar receitas e complementar negócios. “Somem-se, de verdade vocês vão gostar”, afirmou.
Patricia Baires, da synergEV, recomendou avaliar bem os projetos antes de investir e se deixar acompanhar pelos atores do ecossistema. “A mobilidade elétrica não é um gasto; pelo contrário, pode-se fazer negócio; monetizem suas estações e não tenham medo de fazer essas cobranças por quilowatts”, expressou.
Javier Cuartas Villalobos, da FAZT, comparou a eletromobilidade com o que aconteceu com os smartphones: “O veículo elétrico é o telefone inteligente, o veículo de combustão é o Nokia analógico”.
Andrei López, da CeNeutral, encerrou sinalizando que a eletromobilidade é uma megatendência assim como a internet e a IA, e que todas as cadeias de suprimentos foram reconfiguradas. “É algo que veio para ficar e estamos em uma época muito inicial, no lugar certo onde surgem as conversas, as ideias e, sobretudo, as conexões”, afirmou.
O painel concluiu com um agradecimento aos participantes e com o convite a seguir construindo redes de carga que permitam consolidar a mobilidade sustentável no México e na América Latina.
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