A Solfácil lançou uma nova frente de negócios voltada ao financiamento de veículos elétricos e híbridos, com foco inicial em motoristas de aplicativo. A plataforma, denominada Solfácil Auto, permite realizar simulações e contratar o financiamento de forma digital, com prazo de até 60 meses.
A estratégia mira um mercado estimado pela empresa em cerca de 2 milhões de motoristas de aplicativo no Brasil e parte de uma redução potencial nos custos de operação. Segundo a Solfácil, um motorista que atualmente desembolsa entre R$ 3 mil e R$ 4 mil por mês com combustível poderia reduzir esse gasto para aproximadamente R$ 1 mil com energia elétrica, dependendo do perfil de uso e do veículo.
A diferença de custo é apontada pela companhia como um dos fatores que podem facilitar a aquisição de um veículo eletrificado, uma vez que a economia operacional poderia contribuir para compensar parte da parcela do financiamento.
O cliente escolhe o modelo do veículo, informa o valor de entrada e o prazo de financiamento e realiza a simulação pela plataforma. Depois da análise de crédito, os documentos são enviados por WhatsApp e o contrato é assinado digitalmente. Com a aprovação, o crédito é repassado diretamente à concessionária.
“Estamos ampliando nossa atuação porque entendemos que o futuro da energia não está restrito à geração. O carro elétrico também faz parte dessa transformação. Para quem trabalha com mobilidade, ele é um ativo que consome energia todos os dias e, ao mesmo tempo, pode reduzir significativamente o custo da operação”, afirma Fabio Carrara, CEO e fundador da Solfácil.
Mobilidade como parte do ecossistema energético
O lançamento representa uma expansão da atuação da Solfácil para além do financiamento de sistemas de geração distribuída. A companhia pretende integrar energia solar, armazenamento e mobilidade elétrica em um mesmo ecossistema e avalia também uma futura atuação na comercialização de energia.
Nesse modelo, o veículo elétrico passa a ser considerado pela empresa como um ativo associado ao consumo de energia. A eletrificação do transporte aumenta significativamente a demanda elétrica de uma residência, o que pode abrir espaço para a combinação com geração fotovoltaica e baterias.
Segundo estimativas da Solfácil, uma residência com uma conta de energia de aproximadamente R$ 200 mensais poderia elevar o consumo para cerca de R$ 1.200 por mês após a adoção de um veículo elétrico. Para a empresa, esse aumento cria uma oportunidade para a instalação de sistemas fotovoltaicos e baterias capazes de atender parte da nova demanda.
A estratégia aproxima a mobilidade elétrica de um modelo de gestão integrada do consumo energético, no qual a geração solar pode ser utilizada para abastecer o veículo e, eventualmente, o armazenamento pode contribuir para administrar os períodos de carregamento.
Crédito para renda variável
Outro foco da nova operação é o desenvolvimento de um modelo de análise de crédito voltado especificamente para motoristas de aplicativo.
A Solfácil avalia que a dificuldade de acesso ao financiamento para esse público está relacionada não apenas às condições financeiras da operação, mas à forma como a renda é considerada pelas instituições. Motoristas que trabalham para plataformas de mobilidade possuem uma dinâmica de ganhos diferente daquela observada em trabalhadores com renda fixa.
A empresa pretende incorporar informações relacionadas aos ganhos obtidos nas plataformas de mobilidade ao processo de análise.
“O grande desafio para esse público não está necessariamente na taxa de juros, mas na aprovação do crédito. O motorista de aplicativo tem uma dinâmica de renda diferente de outros consumidores, e o nosso objetivo é desenvolver uma análise que consiga olhar para essa realidade de forma mais precisa”, afirma a diretora de autofin da Solfácil, Juci Luca.
De acordo com executiva, uma melhora na taxa de aprovação poderia ampliar o acesso ao financiamento para um mercado potencial de aproximadamente 2 milhões de profissionais.
Operação começa em São Paulo e Belo Horizonte
A Solfácil Auto iniciou a operação com foco em São Paulo e Belo Horizonte, mas a plataforma está disponível para motoristas de outras regiões do país. A companhia pretende expandir gradualmente a atuação, priorizando mercados com elevada concentração de profissionais vinculados a plataformas como Uber e 99.
A operação também foi estruturada para funcionar sem depender de acordos específicos com montadoras ou plataformas de mobilidade.
Eletrificação amplia demanda por energia
A entrada no financiamento de veículos ocorre em um momento de expansão da mobilidade elétrica no Brasil e cria uma nova frente de atuação para empresas tradicionalmente ligadas ao setor de energia.
Para a Solfácil, os motoristas profissionais representam um público particularmente relevante porque percorrem grandes distâncias e, consequentemente, possuem maior exposição aos custos de combustível. Nesse cenário, a redução do custo energético por quilômetro pode ter impacto direto sobre a rentabilidade da atividade.
A empresa avalia que o processo pode reproduzir, em parte, a trajetória observada na energia solar, inicialmente adotada por consumidores mais propensos a incorporar novas tecnologias e posteriormente ampliada à medida que os ganhos econômicos se tornam mais evidentes.



