O Brasil precisa de mais pesquisa em energia solar — e com urgência. O país avança em sua transição energética, mas enfrenta um grande paradoxo: a demanda por eletricidade é crescente, enquanto fontes renováveis intermitentes esbarram em gargalos técnicos e regulatório, como restrições de transmissão e desafios de integração à rede. Nesse cenário, as aplicações da energia solar seguem como protagonistas, mas seu potencial pleno depende de inovação contínua: novos materiais, armazenamento eficiente, sistemas híbridos e políticas públicas bem fundamentadas.
É justamente nesse contexto que ocorre o XI Congresso Brasileiro de Energia Solar (XI CBENS), reunindo pesquisadores, empresas, órgãos governamentais e sociedade civil para debater o presente e o futuro setor. Promovido pela Associação Brasileira de Energia Solar (ABENS) e organizado pela Universidade Federal Fluminense UFF, o congresso acontece em Niterói (RJ), de 26 a 30 de outubro de 2026. Durante o Congresso, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento de Aplicações da Energia Solar Fotovoltaica (INCT-DAESF) vai também realizar uma reunião de trabalho entre as 14 instituições parceiras.
Mais do que um espaço científico ou acadêmico, o CBENS é ponto de encontro entre ciência e mercado, tornando-se um ambiente essencial para transformar conhecimento técnico em soluções que o país precisa.
Energia solar e o desafio da transição energética brasileira: por que o setor precisa de mais pesquisa e inovação?
O Brasil passa por um momento decisivo em sua longa trajetória de transição energética. De um lado, a matriz elétrica nacional segue como uma das mais limpas do mundo, historicamente sustentada pela geração hidrelétrica e, nos últimos anos, impulsionada pelo crescimento acelerado da energia solar e eólica. De outro, o país enfrenta um paradoxo preocupante: a demanda por eletricidade cresce de forma consistente, sendo impulsionada pela eletrificação de processos industriais, pela expansão da mobilidade elétrica, pela digitalização da economia e pelo aumento do consumo residencial. Enquanto isso, as fontes renováveis intermitentes esbarram em desafios técnicos e regulatórios que podem limitar seu pleno aproveitamento, seja na geração centralizada ou na geração distribuída.
Atualmente, usinas solares e eólicas são demandadas a reduzir ou interromper sua geração por restrições de transmissão, incapacidade da rede de escoar toda a energia produzida ou
Coluna mensal para a PV Magazine Brasil do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento de Aplicações da Energia Solar Fotovoltaica (INCT-DAESF)
descasamento entre oferta e demanda em determinados horários. O fenômeno, conhecido como curtailment, tem se tornado cada vez mais frequente em regiões de forte concentração de projetos renováveis, como o Nordeste brasileiro, e representa um desperdício de investimento e de potencial energético limpo. Ao mesmo tempo, a integração de grandes volumes de geração distribuída e centralizada impõe desafios de estabilidade, qualidade de energia e operação segura do sistema elétrico, exigindo soluções tecnológicas e regulatórias que ainda estão em processo de aprimoramento.
A grande área energia solar, em suas diferentes aplicações, da conversão fotovoltaica à térmica, passando por sistemas eólicos, hídricos, biomassa etc., segue como uma das principais protagonistas da transição energética brasileira. Mas seu potencial pleno não se realiza automaticamente: depende de inovação contínua e de investimento sustentado em pesquisa, desenvolvimento e capacitação. Isso significa avançar em frentes como novos materiais, sistemas de armazenamento mais eficientes e acessíveis, soluções híbridas que combinem diferentes fontes renováveis, estratégias de controle e modulação para melhor sincronização com a rede elétrica, além de políticas públicas bem fundamentadas em evidências técnicas e econômicas.
É nesse contexto de urgência tecnológica, pressão regulatória e necessidade de diálogo entre diferentes atores do setor, que ocorre o XI Congresso Brasileiro de Energia Solar (CBENS 2026), o maior evento científico e tecnológico do país dedicado às tecnologias de conversão de energia solar e a outras fontes renováveis. Realizado bienalmente pela Associação Brasileira de Energia Solar (ABENS), o congresso chega à sua 11ª edição consolidado como um dos principais pontos de encontro entre a comunidade científica, tomadores de decisão, financiadores e profissionais que atuam nas áreas de aplicação da energia solar no Brasil.
Organizado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), o CBENS 2026 acontecerá em Niterói/RJ, entre os dias 26 e 30 de outubro de 2026, reunindo pesquisadores, empresas, órgãos governamentais e representantes da sociedade civil para debater o presente e o futuro do setor. A programação do congresso abrange um espectro amplo de temas: da radiação solar e conversão térmica à conversão fotovoltaica, passando por arquitetura e energia solar, outras fontes renováveis, mercado, economia, política e aspectos sociais, além de conversão, armazenamento e controle de energia em sistemas renováveis. Essa amplitude reflete a própria complexidade do setor: não se trata apenas de gerar energia solar, mas de integrá-la de forma eficiente, segura e economicamente viável ao sistema elétrico interligado.
Mais do que um espaço estritamente acadêmico, o CBENS se consolida como um ponto de encontro estratégico entre ciência e mercado. É no diálogo entre pesquisadores que desenvolvem novas tecnologias e profissionais que enfrentam, no dia a dia, os desafios operacionais e regulatórios do setor que surgem as soluções mais aplicáveis à realidade brasileira. Empresas do setor energético, distribuidoras, geradoras, fabricantes de equipamentos, consultorias e investidores encontram no congresso uma oportunidade única de acompanhar o estado da arte do desenvolvimento científico e tecnológico das aplicações da energia solar no país, além de estabelecer conexões com pesquisadores, instituições de ensino e formuladores de políticas públicas.
Para o mercado, participar desse tipo de evento significa também antecipar tendências e compreender, em primeira mão, quais soluções tecnológicas estão sendo desenvolvidas para enfrentar os gargalos atuais de integração à rede e armazenamento — questões que impactam diretamente a viabilidade econômica de projetos e a operação de ativos renováveis. Da mesma forma, a presença de agentes de mercado enriquece o debate acadêmico, trazendo para a discussão científica os desafios reais enfrentados na implementação e operação de sistemas solares em escala.
Em um momento em que o Brasil discute os próximos passos de sua transição energética, seja na modernização do marco regulatório do setor elétrico, na expansão da infraestrutura de transmissão ou no desenvolvimento de mecanismos de armazenamento e flexibilização da demanda, fortalecer o diálogo entre ciência, indústria e formuladores de políticas públicas se torna necessário. O CBENS 2026 funciona como um catalisador de conhecimento, articulação e inovação, contribuindo para que o Brasil não apenas amplie sua capacidade instalada de energia solar, mas o faça de forma técnica e economicamente sustentável, alinhada às necessidades reais do sistema elétrico nacional.
Acompanhar e participar desse tipo de iniciativa, é uma forma concreta de contribuir para que a transição energética brasileira avance não apenas em volume, mas também em qualidade técnica, resiliência e capacidade de inovação.
Autores: Prof. Gilberto Figueiredo Pinto Filho & Prof. Ricardo Rüther
Links relacionados:
https://www.abens.org.br/eventos/7/xi-congresso-brasileiro-de-energia-solar



