O curtailment no Brasil alcançou aproximadamente 21% em 2025 e se consolidou como um dos principais desafios do sistema elétrico nacional. Segundo a Aurora Energy Research, ainda há limitações na capacidade do mercado de prever o fenômeno de forma detalhada, especialmente no nível de cada ativo de geração, o que dificulta a avaliação de riscos por investidores e instituições financeiras.
Nos últimos meses, a consultoria desenvolveu uma modelagem nodal voltada à análise do curtailment em nível de ativo. O modelo considera a operação da rede elétrica brasileira com granularidade horária, incorporando informações sobre a infraestrutura de transmissão e restrições elétricas.
De acordo com as projeções da empresa, os níveis de curtailment devem permanecer elevados no curto e médio prazo. Uma redução mais significativa é esperada apenas no fim da década de 2020, impulsionada pela expansão da rede de transmissão, pelo crescimento da demanda por eletricidade e pela ampliação do uso de sistemas de armazenamento por baterias.
A análise indica que o curtailment poderá recuar entre 8 e 12 pontos percentuais até 2030. O resultado dependerá de fatores como o ritmo das obras de transmissão, os fatores de capacidade das usinas renováveis, o crescimento da geração solar distribuída, a adoção de baterias e a expansão de novas cargas, incluindo data centers e projetos de eletrólise para produção de hidrogênio.
“O curtailment rapidamente deixou de ser uma consideração secundária para se tornar um dos riscos definidores no mercado de energia do Brasil. Com esta nova capacidade de modelagem a nível de ativos, estamos oferecendo aos investidores e credores a transparência de que precisam para avaliar corretamente o risco, comparar ativos e tomar decisões de alocação de capital com mais confiança em um sistema cada vez mais complexo”, disse o líder de Mercado no Brasil da Aurora Energy Research, Rodrigo Borges. “Nossa análise mostra que, embora haja um alívio do curtailment, ele só se materializará no final da década, impulsionado pela expansão da rede, crescimento da demanda e a implantação gradual de baterias, que podem reduzir o curtailment em 8 a 12 pontos percentuais. Ao mesmo tempo, a natureza do problema mudará fundamentalmente, passando de restrições localizadas da rede para uma dinâmica mais sistêmica e energética na década de 2030”, completa.
O estudo também aponta uma mudança gradual na natureza do curtailment. Atualmente, a maior parte dos cortes está associada a restrições da rede elétrica. Na década de 2030, porém, a tendência é de aumento do chamado curtailment energético, relacionado a situações de excesso de oferta de energia no sistema, em substituição aos gargalos de transmissão. Nesse cenário, a distribuição dos cortes tende a se tornar mais homogênea entre os ativos de geração.
As baterias também devem contribuir para a redução do curtailment. Segundo a modelagem, seus efeitos podem ser observados tanto localmente, ao aliviar restrições próximas ao ponto de conexão dos empreendimentos, quanto em escala sistêmica, ao influenciar o equilíbrio entre oferta e demanda de energia.
Para a Aurora, análises com maior nível de detalhamento podem contribuir para a avaliação de riscos relacionados ao curtailment, aos preços de energia e ao acesso à rede, auxiliando decisões de investimento e planejamento de projetos no setor elétrico.



