«Latam Mobility México 2026»: BYD Trucks, DIAGEO e Haleon Analisam as Chaves para Frotas Corporativas Mais Sustentáveis e Rentáveis

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Durante o «Latam Mobility México 2026», realizado nos dias 12 e 13 de outubro no World Trade Center da Cidade do México, aconteceu o painel “Frotas Corporativas e Renting: Estratégias de Adoção e TCO Favorável”, um espaço que reuniu três especialistas para analisar os principais desafios que as empresas enfrentam na hora de migrar suas frotas para tecnologias mais limpas e eficientes.

A sessão, moderada por Isabel Liliana Anaya, diretora-geral da Associação Mexicana de Locadoras de Veículos (AMAVE), contou com a participação de Aneira López, diretora de Supply Chain México da DIAGEO; Anel Hernández Serrano, diretora de Marca da BYD Trucks; e Brandon Maya, gerente de Frotas da Haleon.

Isabel Anaya abriu o painel destacando que as empresas enfrentam hoje um duplo desafio: não se trata apenas de decidir qual veículo utilizar, mas de como operá-lo e gerenciá-lo de maneira eficiente, considerando custos, alternativas tecnológicas e a incorporação de novas energias.

A moderadora destacou que a conversa se desenvolveria a partir de três perspectivas complementares: a cadeia de suprimentos, a indústria automotiva e a administração de frotas corporativas, com o objetivo de compartilhar ideias e soluções que respondam ao que o México demanda em matéria de mobilidade eficiente e segura.

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O Principal Desafio: Transformar a Sustentabilidade em Valor de Negócio

A primeira pergunta que Isabel Anaya lançou aos painelistas foi direta: na visão de vocês, qual é hoje o principal desafio para avançar rumo a frotas corporativas mais sustentáveis e eficientes?

Aneira López, da DIAGEO, apontou que, embora a maioria das empresas globais tenha uma estratégia de sustentabilidade para 2030, a realidade na América Latina avança em um ritmo mais lento do que o desejado. Para a executiva, o desafio central não é tecnológico, mas estrutural e financeiro: “A sustentabilidade é um tema de negócio, não é um tema de uma estratégia local”, afirmou.

Acrescentou que, embora tenha havido avanços significativos na sustentabilidade de manufatura e embalagem, a parte de transporte continua atrasada porque ainda não se consegue integrá-la plenamente ao modelo de negócio corporativo. “Custa-nos mais e ainda não entra no modelo de negócio corporativo que deveríamos estar vendo, pelo menos para certas empresas”, pontuou López.

Anel Hernández Serrano, da BYD Trucks, concordou com o diagnóstico e acrescentou uma camada de complexidade operacional. Explicou que o desafio não é apenas ter uma meta de sustentabilidade ambiciosa, mas como fazer com que essa meta dialogue com a operação real de cada corporativo: as rotas, as capacidades de carga, os orçamentos e as estratégias financeiras e fiscais. “O envolvimento de todas e cada uma das áreas neste projeto não são decisões que se tomem em um ou dois meses”, destacou.

A executiva da BYD Trucks destacou que, como muitas empresas já estão trabalhando em seus orçamentos para 2027, é fundamental alinhar a estratégia de sustentabilidade com a operação e a estratégia financeira para que o caso de negócio seja bem-sucedido. Nesse sentido, a BYD Trucks consolidou sua presença no México com projetos como a incorporação de unidades elétricas na operação logística da OXXO, confirmando que os veículos elétricos já são uma alternativa viável para frotas de distribuição urbana.

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Anel Hernández Serrano

Brandon Maya, da Haleon, trouxe uma perspectiva da administração diária de frotas, um papel que, segundo ele, implica envolver-se em todas as áreas da companhia, de recursos humanos a finanças. Para Maya, o desafio vai além da tecnologia: está na cultura interna e nas políticas corporativas.

“Muitas vezes as políticas nos detêm. A cada ano elas deveriam ser revisadas e ajustadas a esses mercados novos e a essas inovações”, apontou. O executivo da Haleon enfatizou que não basta tomar decisões da direção: é imprescindível aproximar-se dos operadores, entender suas necessidades e construir uma cultura de mobilidade sustentável desde a base. “Nem tudo é apenas decisão monetária ou de conformidade; também é preciso entender a cultura”, concluiu.

Tecnologia, Pessoas e o Ecossistema da Eletrificação

Em um segundo bloco de perguntas, a moderadora aprofundou os desafios específicos de cada papel. Perguntou a Aneira López sobre o mais complicado de incorporar novas tecnologias na cadeia de suprimentos sem afetar a logística diária. A executiva da DIAGEO foi contundente: o primeiro desafio é escolher a tecnologia correta. “Não é tecnologia por tecnologia, mas o que convém ao seu negócio, o que convém ao seu produto e como você vai gerar valor para seus clientes”, explicou.

López advertiu que uma tecnologia mal implementada pode se tornar um “predador” para o modelo de serviço se não houver processos habilitados e uma visão centrada no cliente. Além disso, destacou que o fator humano é determinante: “Hoje não estamos falando somente de tecnologia, estamos falando de tecnologia mais inteligência artificial, mais a preparação que sua equipe de trabalho precisa ter”. Para Aneira López, o sucesso de qualquer estratégia tecnológica depende de um ecossistema completo que inclui infraestrutura, processos e, sobretudo, pessoas capacitadas para implementá-la.

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Aneira López

Anel Hernández Serrano foi questionada sobre quão preparada está a tecnologia da BYD para responder às necessidades das empresas mexicanas e o que o país pode aprender com a experiência chinesa. A executiva explicou que a BYD homologou suas unidades não apenas para a topografia mexicana, mas foi além: engenheiros da marca trabalharam lado a lado com equipes na China para adaptar os veículos à logística mexicana, considerando as particularidades de cada segmento, desde o caminhão de entrega até a cadeia de frio.

“Hoje em dia nossa tecnologia ajuda em duas coisas: estamos preparados para as rotas do México e estamos trabalhando muito forte na logística mexicana”, afirmou. No entanto, reconheceu que escalar de projetos-piloto para uma eletrificação massiva implica uma mudança de paradigma. “Enfrentamos uma mudança de paradigma, a aceitação de que se trata de uma nova tecnologia, e temos que nos aproximar e acompanhar cada uma das áreas desde a raiz”, disse. Hernández insistiu que nem todas as rotas podem ser eletrificadas de imediato e que o sucesso depende de identificar quais são viáveis, rentáveis e convenientes para começar.

Brandon Maya, por sua vez, abordou os fatores-chave na hora de renovar uma frota e incorporar veículos sustentáveis. A partir de sua experiência na Haleon, apontou que a tecnologia já não é o principal obstáculo, pois o mercado oferece múltiplas opções de telemetria e sistemas avançados de gestão. O verdadeiro desafio está nas pessoas. “Eu não administro carros, eu também administro pessoas e vidas”, afirmou Maya.

Explicou que muitos motoristas estão acostumados a veículos a gasolina ou diesel e que a mudança gera resistências e dúvidas, especialmente em torno da autonomia das unidades elétricas. O treinamento e a gestão da mudança tornam-se, portanto, tão importantes quanto a própria tecnologia.

Além disso, destacou que o planejamento de rotas é fundamental: nem todas as rotas podem ser eletrificadas de imediato, por isso recomenda começar com trajetos urbanos ou de última milha e escalar gradualmente. “Não é preciso ser tão ambicioso às vezes e fazer 100%, mas ir fazendo testes-piloto com rotas centrais e posteriormente escalar”, aconselhou.

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Brandon Maya

O Renting como Alavanca Financeira para a Transição

A moderadora, Isabel Anaya, colocou na mesa o papel da locação de veículos e do renting como estratégias financeiras para facilitar a adoção de veículos elétricos e híbridos plug-in. Ela, na qualidade de diretora-geral da AMAVE, lembrou que a locação permite a empresas de todos os tamanhos (de grandes corporativos a PMEs e o setor público) incorporar novas tecnologias sem descapitalizar-se. A associação reúne as principais locadoras do país e sua frota associada supera 368.000 unidades, com crescimento anual sustentado.

Anel Hernández respondeu que a decisão depende em grande medida da estratégia fiscal de cada empresa. Apontou que, em sua experiência, cerca de 60% das empresas que planejam renovar suas frotas para veículos elétricos o fazem por meio de locação. “É um respaldo indiscutível”, afirmou.

A executiva da BYD Trucks destacou que a marca garante cinco anos ou 500.000 quilômetros em bateria e motor elétrico, o que, somado a uma vida útil das baterias de até 15 anos, contribui para proteger o valor residual das unidades, um fator crítico para as locadoras. “Nossas baterias têm hoje uma vida útil com nossa nova tecnologia de 15 anos para cuidar do valor residual que oferecem as locadoras”, explicou.

Brandon Maya complementou essa visão ao apontar que o custo total de propriedade (TCO) é o “rei das decisões” nas companhias e que a locação ajuda a mitigar um dos maiores temores das empresas: a depreciação das unidades. “Se você compra o carro, tem medo de que em cinco anos pergunte: o que vou fazer com esse carro?”, propôs.

O gerente de Frotas da Haleon destacou que a locação oferece mais opções para jogar com os números e gerenciar o risco de depreciação, embora tenha reconhecido que cada companhia tem visões distintas sobre o uso de CapEx ou OpEx.

Aneira López, a partir de sua experiência na DIAGEO, trouxe uma perspectiva crítica: embora reconheça o valor da locação como ferramenta, apontou que o maior desafio é que existam modelos econômicos bem delimitados que permitam às empresas tomar decisões em escala massiva. “Quanto melhores forem os modelos econômicos que se puderem encontrar na indústria, muito mais fácil será para nós, empresas, termos essa oferta bem delimitada e podermos tomar decisões”, afirmou.

A executiva da DIAGEO insistiu que, embora hoje existam testes-piloto e casos de sucesso, ainda não há uma oferta de valor financeira que permita uma adoção massiva sem comprometer a viabilidade econômica.

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Regulação, Colaboração e o Futuro da Mobilidade Corporativa

O painel encerrou com uma pergunta sobre o papel da regulação e da colaboração entre setor público e privado para acelerar a adoção de frotas sustentáveis.

Aneira López foi enfática: “Não esperemos que o governo resolva”. Apontou que, embora as políticas públicas sejam importantes, o setor privado deve gerar pressão e evidência para que os reguladores habilitem as condições necessárias. Ela deu um exemplo concreto das limitações atuais: hoje não é possível planejar uma rota elétrica da Cidade do México a Culiacán, e o perímetro operável se limita ao Vale do México e Querétaro. “Estamos falando de um perímetro limitado. Ainda não falamos da República Mexicana”, lamentou.

Anel Hernández Serrano concordou que o México avançou mais rápido que outros países em eletromobilidade justamente porque o setor privado não esperou a política pública. Mencionou que recentemente Nafin e Bancomext começaram a impulsionar esquemas de financiamento com taxas preferenciais para PMEs que buscam eletrificar suas frotas, embora ainda com restrições. “Nos ajudaria poder contar com algum tipo de taxa preferencial em unidades elétricas para incentivar a compra”, apontou.

Brandon Maya trouxe uma visão integradora: “Devemos deixar de nos ver como cliente, fornecedor e associação, e devemos ser sócios estratégicos”. Para o executivo da Haleon, a chave está em compartilhar informações e dados reais sobre o desempenho dos veículos elétricos em condições operacionais reais, não apenas em fichas técnicas de laboratório. “Precisamos de dados mais reais, dados do dia a dia”, afirmou, lembrando que fatores como o uso do ar-condicionado, a carga transportada ou a topografia afetam significativamente o desempenho e, portanto, o TCO.

Isabel Anaya encerrou a sessão destacando que a locação de veículos é uma aliada estratégica na transição para frotas mais sustentáveis, mas que o sucesso depende de um esforço conjunto que envolva empresas, locadoras, montadoras e setor público.

A AMAVE, disse, está comprometida com esse propósito e trabalha para aproximar as evidências e as necessidades do setor dos tomadores de decisão.

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