Após anunciar um primeiro pacote de medidas em abril, a porta-voz do governo francês, Maud Bregeon, apresentou novas iniciativas para acelerar a eletrificação da economia e ampliar a flexibilidade da demanda de eletricidade.
O governo identificou um potencial significativo ainda não explorado no setor residencial, especialmente por meio do gerenciamento inteligente do aquecimento e da recarga de veículos elétricos (VEs). A estimativa é que essas medidas possam reduzir em até 35% os custos de energia associados a esses usos.
Para aproveitar esse potencial, o governo pretende condicionar, a partir de 2027, a concessão de subsídios para bombas de calor à disponibilidade de recursos de controle inteligente. As famílias que instalarem esses sistemas poderão economizar entre € 150 (US$ 168,80) e € 200 por ano.
No caso da infraestrutura de recarga de veículos elétricos, o governo pretende trabalhar com representantes do setor para garantir que as funções de controle inteligente sejam ativadas por padrão em novas instalações. Entre as opções em análise estão a conexão dos pontos de recarga ao Linky, sistema nacional francês de medidores inteligentes de eletricidade, e a adoção de soluções de conectividade que programem automaticamente a recarga para horários fora de ponta. As medidas podem gerar uma economia anual de € 70 a € 100 por residência.
O governo também planeja estabelecer requisitos de flexibilidade para sistemas de medição de energia utilizados pela indústria.
Medidores inteligentes e armazenamento em baterias
O plano prevê ampliar o uso dos medidores inteligentes Linky para gerenciar o consumo de eletricidade das residências. Embora os equipamentos já permitam aplicações como o aquecimento automatizado de água, muitos de seus recursos continuam subutilizados. O governo pretende incentivar sua integração a sistemas residenciais de gerenciamento de energia para aumentar a flexibilidade da demanda.
Outra medida diz respeito à conexão à rede de instalações solares fotovoltaicas combinadas com sistemas de armazenamento de energia em baterias. Até o fim de 2026, o governo pretende permitir que projetos com potência instalada de até 25 MW sejam dispensados do limite atual de 17 MW para conexão, desde que a potência máxima de injeção na rede não ultrapasse 17 MW.
A medida busca facilitar a conexão de projetos híbridos de energia renovável, especialmente instalações que combinam geração solar e armazenamento, sem elevar o limite máximo permitido para a injeção de eletricidade na rede.
A Comissão de Regulação de Energia da França (CRE, na sigla em francês) também apresentou planos para incentivar o consumo de eletricidade nos períodos de maior geração solar.
Novos produtos de fornecimento de eletricidade estão sendo testados para possível comercialização por meio da EDF Obligation d’Achat (EDF OA), divisão da estatal EDF responsável pela compra de energia no âmbito dos mecanismos franceses de apoio às fontes renováveis.
Os produtos deverão refletir o perfil diário típico da geração solar, com pico de produção por volta do meio-dia e redução no fim da tarde. O objetivo é incentivar os fornecedores de eletricidade a oferecer tarifas que estimulem os consumidores a deslocar parte da demanda para períodos de maior disponibilidade de energia solar, quando os custos tendem a ser menores.
Metas do setor para 2030
Diversas empresas francesas de energia e associações setoriais também anunciaram compromissos para ampliar a flexibilidade da demanda de eletricidade até 2030.
A Gimelec, associação francesa que representa empresas de equipamentos elétricos, automação e tecnologias digitais para energia, pretende mobilizar 6 GW de capacidade de flexibilidade em edifícios comerciais e de serviços. A entidade planeja apoiar a instalação de sistemas de controle e gerenciamento de energia em 50% das instalações existentes.
A EDF pretende implementar sistemas de controle remoto de equipamentos de alto consumo de energia em cinco milhões de residências de clientes até 2030. A iniciativa abrangerá aquecimento, água quente sanitária, bombas de calor e recarga de veículos elétricos. A companhia planeja utilizar seu aplicativo EDF & Moi para conectar e gerenciar esses dispositivos, transformando a plataforma em uma ferramenta de gerenciamento de energia residencial.
A produtora independente francesa de energia Neoen se comprometeu a implantar 1 GW de capacidade de flexibilidade até 2030.
Já o NW Group, empresa francesa especializada em armazenamento de energia e flexibilidade elétrica, planeja investir € 1 bilhão até 2030 para acrescentar 1,5 GW de capacidade à sua plataforma de flexibilidade elétrica na França. A empresa também pretende abrir a plataforma a consumidores industriais e residenciais interessados em obter receitas com a flexibilização do consumo de eletricidade.
A Octopus Energy France se comprometeu a gerenciar 1,5 milhão de dispositivos conectados até 2030, o equivalente a uma capacidade estimada de flexibilidade de 5 GW a 6 GW.
A empresa estima que a iniciativa proporcionará € 100 milhões em benefícios financeiros às famílias e apoiará a instalação de 15 mil bombas de calor controláveis remotamente. O projeto também poderá viabilizar um investimento de € 150 milhões em uma unidade de fabricação de bombas de calor, condicionado ao cumprimento dos volumes de implantação previstos.



