Escala, verticalização e velocidade: as chaves da ascensão automotiva chinesa, segundo a Bright Consulting

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Durante o “Latam Mobility & Net Zero Brasil 2026”, realizado em São Paulo, Murilo Briganti, COO da Bright Consulting, fez a palestra magna intitulada “A nova rota da mobilidade: a ascensão dos fabricantes chineses de automóveis e o futuro do setor no Brasil” .

Em sua intervenção, Murilo Briganti propôs um olhar estrutural sobre a transformação que a indústria automotiva global está vivendo, caracterizada por uma confluência de fatores que vão muito além da chegada da China ou da eletrificação.

Para ilustrar o momento atual, ele dividiu a evolução do setor em quatro fases, com ênfase especial na quarta: “a nova era”. Esta fase, explicou, não se limita à chegada dos fabricantes chineses nem à tecnologia elétrica, mas abrange segurança embarcada, conectividade, rearranjos das cadeias de valor globais e conflitos geopolíticos. “Estamos vivendo, de fato, uma nova era na indústria”, afirmou.

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O salto exponencial dos veículos elétricos

Murilo Briganti apresentou dados contundentes sobre o crescimento dos veículos eletrificados (considerando híbridos plug-in e puramente elétricos). Entre 2020 e 2025, o mercado global saltou de 3 milhões para 21 milhões de unidades — ou seja, multiplicou-se por sete. A projeção para 2030 oscila entre 38 e 40 milhões de veículos, o que representaria um aumento de 12 a 13 vezes em uma década.

Um fator habilitante central é a redução do custo das baterias. O preço por quilowatt-hora caiu de 165 dólares para 95 dólares em 2026, aproximando-se da paridade teórica de 100 dólares por quilowatt-hora — limite a partir do qual o veículo a bateria se torna mais vantajoso que o de combustão interna.

Por outro lado, o executivo destacou que a China não se limita a competir no mercado global; ela redefiniu completamente as regras da indústria automotiva. Atualmente, o país asiático produz 72% dos veículos elétricos do mundo (ante 38% em 2020) e representa 40% da produção total de automóveis em nível global.

Murilo Briganti identificou quatro fatores-chave que explicam esse domínio. O primeiro é a escala industrial, que permite volumes de produção inalcançáveis para a maioria dos países. O segundo é a verticalização total: as montadoras chinesas desenvolvem desde o software até a eletrônica embarcada, passando por baterias e sistemas de propulsão. Essa integração gera uma otimização de custos muito significativa.

O terceiro fator é a velocidade de lançamento. O ciclo de desenvolvimento e lançamento de novos modelos na China é de duas a três vezes mais rápido que o das montadoras tradicionais. O quarto fator é a hipercompetição interna, que, combinada com os anteriores, impulsiona uma melhoria contínua em tecnologia e uma redução constante de preços.

Duas ondas de penetração no Brasil

O executivo distinguiu dois momentos na chegada dos fabricantes chineses ao Brasil. A primeira onda (2010-2020) foi um fracasso relativo: os veículos chineses não ultrapassaram 1% do mercado devido à baixa qualidade e por não satisfazerem as expectativas do consumidor local.

A segunda onda (a partir de 2020) encontrou uma janela de oportunidade única. O Brasil tinha baixa penetração de veículos eletrificados — um mercado que as montadoras tradicionais não haviam explorado.

Ao mesmo tempo, a China havia investido pesadamente em tecnologia elétrica, enquanto os mercados da Europa e dos Estados Unidos erguiam barreiras fiscais e regulatórias. Além disso, o Brasil havia eliminado o imposto de importação para veículos elétricos desde 2015, abrindo de fato a porta para os asiáticos.

Desta vez, os fabricantes chineses chegaram com um salto de qualidade substancial: tecnologia embarcada de ponta e preços altamente competitivos. “Os SUVs médios ou grandes que as chinesas lançam são vendidos a preço de veículo compacto” , exemplificou Murilo Briganti, o que explica seu rápido crescimento no mercado brasileiro.

Brasil
Mauricio Briganti

Participação de 22% ou o triplo do volume?

O COO da Bright Consulting apresentou dois futuros possíveis para a participação de mercado das montadoras chinesas no Brasil. Ambos dependem, majoritariamente, das decisões do regulador e da reação das montadoras tradicionais.

No primeiro cenário, se o governo exigir índices de nacionalização mesmo para veículos montados em regime CKD e SKD, e se as montadoras tradicionais conseguirem lançar produtos competitivos graças a suas matrizes investirem no Brasil como polo de desenvolvimento, então a participação chinesa poderia dobrar em relação a 2025, alcançando aproximadamente 22% do mercado.

No segundo cenário, se as montadoras tradicionais não conseguirem posicionar o Brasil como destino prioritário de investimento e se as chinesas atingirem sua máxima capacidade produtiva local, então sua participação poderia triplicar. Isso, alertou Murilo Briganti, afetaria toda a cadeia de valor e a produção local.

“Alguém vai perder” , sentenciou o executivo. “Nesse cenário, alguma montadora — ou todas — tenderá a perder participação de mercado. Por isso é importante se mexer, entender o que está acontecendo e se reposicionar.”

Diante da volatilidade e do dinamismo extremo do setor, Murilo Briganti apresentou as ferramentas que a Bright Consulting desenvolveu para ajudar a indústria a navegar nesta transição:

  • A plataforma Autodash, lançada em 2020 e ancorada em modelagem e agora em inteligência artificial, que permite antecipar movimentos do mercado.
  • O workshop imersivo chamado “A Nova Rota da Mobilidade” , que aproxima a realidade chinesa dos atores brasileiros sem necessidade de viajar ao país asiático, com o objetivo de entender o impacto real das montadoras chinesas e definir estratégias de reação.

Murilo Briganti concluiu com uma mensagem otimista, porém realista: o Brasil tem uma resiliência enorme no mercado automotivo e um potencial de crescimento muito grande. “É importante que estejamos atentos para não perdermos todo esse potencial” , afirmou, e convidou os presentes a contatarem a Bright Consulting para acessar os materiais e a análise detalhada.

Um chamado para toda a cadeia de valor

A palestra de Murilo Briganti no “Latam Mobility & Net Zero Brasil 2026” deixou evidente que a chegada das montadoras chinesas não é um fenômeno passageiro, mas sim uma mudança estrutural que redefine a concorrência, os investimentos e o emprego no setor automotivo brasileiro.

A resposta não pode ser a inação. Tanto o poder público quanto as montadoras tradicionais, os fornecedores e a academia devem se coordenar para definir regras claras, fomentar a nacionalização inteligente e aproveitar a resiliência do mercado local.

O Brasil está em uma encruzilhada: pode dobrar ou triplicar a presença chinesa, mas o resultado dependerá de decisões tomadas hoje. A “nova era” da mobilidade já chegou, e a velocidade com que os atores locais se adaptarem fará a diferença entre liderar a mudança ou ficar para trás.

Brasil

A agenda para descarbonizar o transporte

A Latam Mobility promove o diálogo dos principais líderes do setor ao longo de sua turnê 2026, que percorrerá os principais mercados da região para aprofundar esses e outros temas cruciais para a transformação da mobilidade.

Através de suas paradas em Monterrey e Cidade do México, Brasil, Colômbia e Chile, a plataforma continuará promovendo uma abordagem colaborativa para acelerar a transição para sistemas de transporte mais limpos, eficientes e inclusivos, posicionando a América Latina como um líder relevante na mobilidade sustentável em nível global.

Faça parte do movimento que acelera a transformação energética e urbana da América Latina. Se você quiser saber mais detalhes sobre como participar e opções de posicionamento, clique aqui.

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