99 app, ABRAVEi, IturanMob, Riba e Urucuia analisam como as plataformas de ride-hailing e delivery estão redesenhando a logística urbana no Brasil

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No âmbito do “Latam Mobility & Met Zero Brasil 2026”, foi realizado o painel “Micromobilidade, transporte baseado em aplicativos e soluções de entrega: como está mudando a logística no Brasil?”, moderado por Daniela García, Country Lead da Invest In Latam.

A análise reuniu referências do setor para examinar como as plataformas digitais estão redesenhando os fluxos logísticos, os padrões de serviço e os modelos de trabalho, bem como seu papel na adoção de soluções mais limpas e eficientes nas cidades brasileiras.

Os painelistas foram: Carlos Roma (CEO da Riba Brasil), Paula Maia (Head of Electric Vehicle do aplicativo 99), Paulo Henrique (CEO da IturanMob), Sérgio Avelleda (sócio fundador da Urucuia) e Thiago García (vice-presidente da ABRAVEi).

Ao longo da conversa, surgiram conceitos-chave como descarbonização com impacto social, medição de emissões em tempo real, segurança viária para motociclistas e a necessidade de integrar a micromobilidade ao transporte público.

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Ecossistema colaborativo para acelerar a mobilidade

Paula Maia destacou a criação da Aliança pela Mobilidade Sustentável, um consórcio que hoje reúne 31 empresas e que nasceu da convicção de que nenhum ator sozinho pode impulsionar a transição energética no setor.

“O 99 poderia fornecer o veículo ao motorista, mas precisamos desenvolver mecanismos de recarga, sistemas de financiamento para esses carros, motos e bicicletas. Foi por isso que criamos essa aliança”, explicou. Graças a esse trabalho colaborativo, a plataforma alcançou 40 mil veículos eletrificados em 2025 e estabeleceu a meta de chegar a 300 mil em 2030.

Maia também mencionou iniciativas concretas como o 99 Recarga Elétrica, que oferece descontos de até 30% em carregadores públicos, e o programa de aluguel de veículos elétricos, que permite aos motoristas testar a tecnologia sem necessidade de compra inicial.

Por sua vez, Carlos Roma (Riba Brasil) definiu sua empresa como “uma solução de descarbonização com impacto social”. “A população cresce em três dimensões (X, Y, Z), mas as vias apenas em duas. Essa conta não fecha. Precisamos de motocicletas, mas devemos entender profundamente o motociclista que está em cima da moto”, afirmou.

A Riba foca na última milha com motos elétricas, priorizando a segurança e a geração de prosperidade para os entregadores.

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Carlos Roma e Paula Maia

Segurança viária: o grande desafio das duas rodas

Um dos momentos mais importantes do painel foi a intervenção de Sérgio Avelleda (Urucuia), ex-secretário de Mobilidade e Transporte de São Paulo e ex-presidente do Metrô e da CPTM.

Avelleda lembrou que o Brasil perde 120 pessoas por dia no trânsito, e que a maioria das vítimas nas cidades são motociclistas. “Imagine que caísse um avião com 120 passageiros hoje, outro amanhã, outro depois de amanhã. O que aconteceria com a indústria da aviação? Ela paralisaria até resolver o problema. É exatamente isso que deveríamos fazer com a segurança viária“, sentenciou.

Em resposta, Carlos Roma anunciou que a Riba desenvolveu um algoritmo de segurança com o objetivo de zero acidentes fatais. “Com base na telemetria da Ituran, monitoramos acelerador, freios, aceleração lateral, velocidade e 30 pontos de ouro que predizem um acidente. Quando uma situação de risco é detectada, interrompemos a condução e oferecemos um treinamento personalizado à distância”, explicou.

Roma acrescentou que a empresa busca o selo “Zero emissões, zero ruído, zero acidentes e zero congestionamento”.

Além disso, mencionou um programa pioneiro chamado Eye Care, desenvolvido em parceria com o 99, para detectar problemas de visão (miopia, hipermetropia, daltonismo) nos motociclistas. “Muitos pilotam sem saber que precisam de óculos. Com um custo muito baixo, incorporamos exames oftalmológicos e descontos em óculos. Isso faz parte da redução de acidentes”, detalhou.

Medição de emissões e créditos de carbono: a contribuição da telemetria

Paulo Henrique, CEO da IturanMob, revelou que sua empresa, que conta com 2,6 milhões de dispositivos IoT implantados em 27 países, desenvolveu um algoritmo capaz de calcular em tempo real as emissões evitadas ao comparar uma moto elétrica com uma de combustão.

“Esse cálculo é tokenizado, validado no Instituto de Tecnologia de Portugal e se transforma em um ativo ambiental que empresas como Microsoft e Shell já estão comprando”, explicou.

Henrique ressaltou que a medição é a base da descarbonização. “Não se trata apenas de colocar um novo IoT: usamos o mesmo dispositivo que já serve para abrir, fechar e recuperar veículos. Com ele, podemos gerar um cashback de carbono para o condutor, melhorar sua pontuação de crédito e oferecer melhores taxas de financiamento”, detalhou. Essa abordagem, segundo ele, democratiza o acesso a veículos elétricos mesmo para quem não tem histórico bancário.

Thiago García (ABRAVEi) concordou que o perfil do usuário de veículos elétricos mudou radicalmente. “O que antes era um artigo de luxo para entusiastas de tecnologia, hoje é uma ferramenta de trabalho para milhares de motociclistas de aplicativo. A maior parte dos carros elétricos que você vê rodando nas grandes cidades está em plataformas como o 99. O beneficiado não é apenas quem dirige, mas quem respira o ar da cidade“, afirmou.

Brasil
Paula Maia e Paulo Henrique

A integração com o transporte público

Sérgio Avelleda foi enfático ao dizer que nenhuma solução de micromobilidade terá sucesso se não for integrada ao transporte público. “Uma pessoa que viaja de carro emite 45 vezes mais CO2 do que quem viaja de ônibus. Um ônibus transporta 80 pessoas; a média de ocupação do veículo no Brasil é de 1,1 passageiro. A espinha dorsal da mobilidade urbana é o transporte público, e todo o resto deve trabalhar para fortalecê-lo e se integrar a ele”, argumentou.

Avelleda alertou sobre o risco de esvaziar o transporte público em favor de modos individuais: “Quando tiramos passageiros do ônibus, a prefeitura perde arrecadação e reduz frotas. Isso pode levar ao colapso, como já ocorreu em Teresina, Salvador e Rio de Janeiro. Se o transporte público quebrar, não serão patinetes nem motos que transportarão a legião de excluídos“.

Em matéria de logística urbana, propôs consolidar cargas em veículos maiores, instalar centros de distribuição próximos ao consumo, utilizar armários (lockers) em estações de metrô ou postos de gasolina e fomentar o uso de bicicletas de carga (capazes de transportar até 350 kg) como alternativa mais segura e flexível do que as motos. Também citou o exemplo de Barcelona, que permite o uso de corredores de ônibus por veículos de carga autorizados em horários de baixa demanda.

Paulo Henrique apoiou essa visão, embora com uma ressalva: “Concordo plenamente com o transporte público. Uso metrô e ônibus quando viajo fora do Brasil. Mas aqui no Brasil, tenho medo de ser assaltado a 20 metros da estação. A ineficiência pública nos obriga a ter quatro veículos blindados em casa. A Aliança pela Mobilidade Sustentável existe, em parte, para suprir essas ineficiências”.

Avelleda respondeu que o metrô e os ônibus de São Paulo são locais extremamente seguros porque já não se usa mais dinheiro vivo, e que a solução para a segurança pública é ocupar as ruas, não evitá-las.

Democratizar o acesso

A moderadora Daniela García encerrou o painel pedindo a cada participante uma frase que resumisse o papel de sua organização na agenda de mobilidade sustentável.

  • Thiago García (ABRAVEi): “Conversar, escutar e falar. O diálogo entre quem envia e quem recebe é fundamental. Às vezes não precisa ir de carro; pode-se ir de bicicleta ou a pé”.
  • Paula Maia (99): “Democratizar. O 99 é um canal que acelera projetos e une pessoas com ideais comuns. Queremos que mais motoristas acessem os benefícios econômicos e ambientais do veículo elétrico”.
  • Carlos Roma (Riba): “Cabeça vazia é oficina do diabo. Precisamos dar propósito, prosperidade e perspectiva àqueles que hoje veem a violência ou as drogas como única saída. Transformar a logística de última milha em uma profissão digna é gerar riqueza para o país”.
  • Paulo Henrique (IturanMob): “Este projeto é grande demais para estar nas mãos de uma única pessoa. A aliança é o caminho“.
  • Sérgio Avelleda (Urucuia): “A única solução para cidades sustentáveis está na consolidação do transporte de cargas e na coletivização das viagens. Não há solução para a segurança pública se não ocuparmos as ruas caminhando, de bicicleta ou de transporte público”.

Daniela García concluiu o painel lembrando que a mobilidade sustentável deve ser abordada pelas perspectivas ambiental, financeira e social. “Não podemos tomar decisões que resolvam um problema criando outros. Às vezes os fundos de investimento nos dizem: não darei capital para criar um engarrafamento verde. Precisamos reprogramar a logística urbana de forma eficiente”, afirmou.

Com iniciativas como as apresentadas neste painel, o Brasil avança rumo a uma mobilidade mais limpa, segura e inclusiva, onde a tecnologia, a parceria público-privada e o foco nas pessoas são os verdadeiros motores da mudança.

Brasil
Da esquerda para a direita Carlos Roma, Paula Maia, Paulo Henrique, Daniel García, Sergio Avelleda e Thiago García

Um 2026 de Consolidação para a Mobilidade

O Latam Mobility 2026 Tour continua sua jornada pela região, com o próximo encontro acontecendo em São Paulo, Brasil, nos dias 15 e 16 de abril. Lá, líderes dos setores público e privado se reunirão para analisar os avanços e desafios da mobilidade sustentável, a eletrificação dos transportes e as novas oportunidades para a transição energética na América Latina.

Este evento se consolidou como uma plataforma fundamental para conectar empresas, autoridades, startups e instituições que impulsionam soluções inovadoras em transporte limpo, infraestrutura de recarga, energias renováveis ​​e novas tecnologias para a mobilidade do futuro.

Após o Brasil, o tour seguirá para Medellín, Colômbia, nos dias 10 e 11 de junho, e chegará a Santiago, Chile, no dia 25 de agosto, reunindo especialistas e atores estratégicos para fortalecer ainda mais o ecossistema de mobilidade sustentável na região.

A turnê será concluída na Cidade do México, nos dias 12 e 13 de outubro, em paralelo ao Climate Economy Forum, em um evento que reunirá líderes do setor para impulsionar ainda mais a transição para sistemas de transporte mais eficientes, sustentáveis ​​e de baixa emissão na América Latina.

A transição já está em andamento. A Latam Mobility Tour 2026 será o ponto de encontro para acelerar decisões, conectar as principais partes interessadas e construir, de forma colaborativa, uma mobilidade sustentável na América Latina.

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