Focada no segmento solar residencial, a EletroBidu vem passando ao largo da desaceleração do setor fotovoltaico no Brasil, com previsão de faturar R$ 250 milhões em 2026, um crescimento de quase 50% frente os R$ 170 milhões faturados em 2025.
Para manter trajetória de crescimento mesmo diante dos desafios enfrentados pela geração distribuída (GD) — como restrições de conexão, mudanças na compensação de energia e maior dificuldade para viabilizar projetos —, a empresa aposta na expansão da oferta de armazenamento de energia com uma estrutura própria de crédito.
“Hoje o nosso grande esforço é garantir que a bateria seja um produto que chegue nas pessoas por meio de crédito”, disse o CEO da empresa, Filipe Cardoso, à pv magazine Brasil.
A EletroBidu entrou no mercado solar em 2018 e conta atualmente com mais de 500 colaboradores, acumulando 32 mil clientes conectados.
Segundo Cardoso, a EletroBidu soma aproximadamente 150 MW de potência instalada distribuída entre os clientes. Após uma expansão acelerada até 2022, a companhia registrou um período mais difícil no primeiro trimestre de 2023, mas voltou a crescer entre 35% e 40% ao ano desde então.
A concentração no mercado residencial ajudou a empresa a atravessar as mudanças recentes do setor. Enquanto projetos maiores, voltados a consumidores com contas superiores a R$ 10 mil mensais, sofreram maior impacto das restrições de conexão e da alteração do cenário regulatório, a maior parte da carteira da EletroBidu está em consumidores com contas de aproximadamente R$ 500 a R$ 600 por mês.
“Como a gente sempre trabalhou com clientes residenciais, o Fast Track resolve 90% dos nossos casos“, comentou Cardoso.
De acordo com Cardoso, o posicionamento blindou a empresa das restrições de conexão. Cerca de 60% das vendas da companhia estão concentradas no estado de São Paulo, onde a EletroBidu mantém seis unidades próprias, com sede em Mogi das Cruzes. A empresa também possui operações em Curitiba, Belo Horizonte e Goiânia. Na capital paulista, a companhia afirma responder por aproximadamente 15% dos novos projetos conectados, segundo dados de conexões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Soluções para o armazenamento residencial
A redução dos preços das baterias nos últimos anos já começa a transformar a oferta da EletroBidu. A empresa instala atualmente entre 1.000 e 1.100 sistemas fotovoltaicos por mês, dos quais aproximadamente 40 a 50 incluem armazenamento.
O crescimento acelerou a partir do final de 2025. De acordo com Cardoso, a companhia passou de três ou quatro sistemas com baterias por mês para chegar ao patamar atual.
Para o consumidor residencial, a principal motivação ainda é a segurança energética. Como as tarifas residenciais não possuem diferenciação horária, a arbitragem de energia não é, por enquanto, o principal argumento econômico para a aquisição das baterias.

“Hoje o objetivo principal é backup, é o cara que tá colocando, porque ele quer ter segurança que no momento de queda de energia em São Paulo vem sofrer no caso absurdamente por isso”, afirmou.
O cenário, no entanto, pode mudar com a adoção de tarifas horárias no segmento residencial. Nesse caso, a bateria poderia ganhar uma função adicional, armazenando energia em períodos de menor preço para utilização nos horários mais caros.
A empresa também identifica uma relação entre o avanço do armazenamento e as limitações da infraestrutura elétrica. Para Cardoso, as baterias devem ganhar espaço tanto como alternativa às restrições de conexão provocadas pela inversão de fluxo quanto como ferramenta para deslocar o consumo em um cenário de tarifas horárias.
“Armazenamento é muito mais complexo do que instalar simplesmente um sistema on grid. Nesse tempo a gente aprendeu muito, a identificação e seleção de cargas críticas, uso da chave de transferência”.
A maior complexidade da instalação de sistemas de armazenamento levou a EletroBidu a desenvolver uma solução própria para padronizar a integração das baterias às instalações existentes.
Batizado de Bidu Infinity, o equipamento permite realizar de forma automática o chaveamento entre a rede elétrica e o sistema de armazenamento, sem exigir alterações significativas na instalação elétrica interna da residência.
A solução surgiu a partir da experiência da empresa nos primeiros projetos, quando o tempo de instalação se mostrou superior ao previsto. A companhia estima que a tecnologia trouxe ganhos operacionais ao simplificar a separação das cargas críticas e a operação do sistema.
Crédito próprio
A expansão do armazenamento ocorre em paralelo à ampliação da estrutura própria de financiamento da EletroBidu. A empresa criou um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) para financiar sistemas fotovoltaicos e soluções associadas, buscando adaptar as condições de crédito às características dos projetos solares.
A operação começou em meados de 2025 e atualmente possui patrimônio líquido próximo de R$ 40 milhões. O fundo financia sistemas on-grid, híbridos e carregadores para veículos elétricos.
A estrutura permite à companhia definir políticas de crédito e condições de financiamento mais específicas para o setor, em vez de depender exclusivamente de produtos genéricos oferecidos por instituições financeiras.
“Então, com o nosso tamanho atual, a gente teve a oportunidade de montar um fundo proprietário, um FIDIC nosso. Com isso, a regra do jogo, de política de crédito, taxa e por aí vai, passa para nossa mão, e fica muito mais bem desenhada para o cliente solar”, explicou Cardoso.
Embora o fundo represente atualmente cerca de 10% de todos os sistemas vendidos pela empresa ao longo de sua história, a participação é maior quando considerado apenas o período recente. Segundo o executivo, aproximadamente 30% das novas originações da EletroBidu já passam pela estrutura própria.
A empresa também considera ampliar o fundo no futuro para outros parceiros do setor. Atualmente, porém, a estrutura é exclusiva da EletroBidu, com participação de outro investidor e administração da ConnectPag.
A experiência com o fundo também mudou a percepção da empresa sobre o papel das instituições financeiras na evolução do mercado fotovoltaico. Segundo Cardoso, os financiadores estão passando a avaliar não apenas a capacidade de pagamento do consumidor, mas também a qualidade dos equipamentos e a atuação do integrador responsável pelo projeto.
Isso ocorre porque o desempenho do sistema influencia diretamente a capacidade do consumidor de honrar o financiamento. Na avaliação do executivo, uma instalação que não gera a energia esperada pode elevar o risco de inadimplência.
“Então, garantir que o projeto de fato vai ser entregue com bons equipamentos para gerar, tá sendo uma preocupação do banco. E isso acaba meio que regulando o sistema para cima”, disse.
Nesse contexto, a seleção de fabricantes com maior bancabilidade e suporte técnico passa a ser também uma questão financeira. A EletroBidu trabalha atualmente com inversores e baterias da WEG, além de manter um mix de fornecedores para outros componentes.



