A CATL e a BYD, os dois maiores fabricantes de baterias e veículos elétricos da China, intensificaram nas últimas semanas a disputa pelo domínio das baterias completamente de estado sólido – uma tecnologia que promete revolucionar a mobilidade elétrica com maior densidade energética, menor peso e segurança aprimorada, ao substituir os eletrólitos líquidos por materiais sólidos.
Ambas as empresas fixaram 2027 como o horizonte para iniciar a produção experimental em pequena escala. Esse cronograma praticamente idêntico evidencia a aceleração de uma corrida industrial que mantém todo o setor automotivo em estado de alerta.
Os anúncios saíram com apenas dias de diferença: a CATL comunicou seus planos a investidores no dia 29 de julho, enquanto as novas patentes da BYD foram publicadas pelo Escritório Nacional de Propriedade Intelectual da China (CNIPA) em 31 de julho de 2026.
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CATL: Produção em 2027 e Implantação em Massa em 2030
A CATL – a maior fabricante de baterias para veículos elétricos do mundo – confirmou oficialmente seu objetivo de iniciar a produção em pequena escala de células de estado sólido em 2027.
A empresa planeja colocar em operação linhas piloto em sua unidade de Yibin, com capacidade aproximada de 2 GWh, onde começará a fabricar pequenos lotes de células para validar processos industriais, avaliar o comportamento em condições reais e analisar os custos de produção.
No entanto, a CATL tem sido cuidadosa ao moderar as expectativas quanto a uma comercialização imediata. Robin Zeng Yuqun afirmou que a tecnologia de estado sólido está atualmente no nível 4 de uma escala de maturidade tecnológica de nove níveis (TRL) – ou seja, ainda está em fase de validação em laboratório e desenvolvimento de protótipos.
Wu Kai estabeleceu a meta de alcançar os níveis 7 ou 8 em 2027, o que permitiria realizar testes muito mais próximos das condições reais e justificar a entrada em operação das primeiras linhas piloto. A empresa também indicou que a produção em larga escala – equivalente a aproximadamente um milhão de veículos – não será atingida antes de 2030.
Em relação às especificações técnicas, a CATL já iniciou a produção piloto de células de estado sólido com densidade energética de 500 Wh/kg – cerca de o dobro da capacidade das melhores baterias de lítio-íon disponíveis atualmente.

A empresa está desenvolvendo tecnologia de eletrólito sólido à base de sulfeto, e suas patentes revelam avanços em materiais de ânodo que incluem camadas com material de substrato, material rico em cobalto e um revestimento contendo sal de eletrólito.
BYD: Seis Novas Patentes e o Horizonte de 2027
A BYD, principal rival da CATL e uma das maiores fabricantes de veículos elétricos do mundo, deu um passo à frente ao registrar seis novas patentes relacionadas às baterias de estado sólido.
Quatro dessas patentes focam em química de materiais e composição de células, enquanto as duas restantes abordam processos de fabricação e sistemas de controle de qualidade.
A abordagem mais inovadora da BYD está no uso de um cátodo com duplo eletrólito sólido, que combina materiais à base de haletos e sulfetos como alternativa ao eletrólito líquido convencional. Esse design busca melhorar a estabilidade da interface sólido-sólido – um dos principais gargalos técnicos dessa tecnologia – e prolongar a vida útil da célula.
Outra patente descreve uma estrutura composta de cátodo de dupla camada que combina materiais monocristalinos e policristalinos para equilibrar a estabilidade estrutural e o desempenho de taxa (capacidade de manter a carga sob alta demanda).
A BYD também marcou 2027 como a data para iniciar sua primeira produção experimental. A fabricante vem investindo pesado em P&D para essa tecnologia e montou uma equipe especializada que atuou nos últimos anos para posicionar a empresa de forma competitiva em relação à CATL.

A proximidade entre as duas estratégias deixa claro o quanto a competição dentro da China está se acelerando para dominar a próxima geração de baterias. O fato de CATL e BYD terem se movido quase simultaneamente reflete a forte pressão competitiva no mercado chinês e a urgência em não ficar para trás numa tecnologia considerada estratégica para o futuro do veículo elétrico.
Quem Vencerá a Corrida?
Um dos principais obstáculos para levar as baterias de estado sólido ao grande público será o preço. Tanto a CATL quanto a BYD consideram que as primeiras células de estado sólido terão custos de produção significativamente mais altos do que as de lítio-íon convencionais. Por isso, as primeiras aplicações comerciais ficarão restritas a veículos de alto padrão.
Robin Zeng sinalizou que a integração inicial se limitará a plataformas automotivas com preços acima de 250.000 yuans (aproximadamente US$ 37 mil). A BYD, embora não tenha divulgado números exatos, indicou que suas primeiras baterias de estado sólido também estrearão em modelos premium da sua linha.
Ambas as empresas concordam que a produção em massa – e a consequente redução de custos que permitiria chegar a veículos mais acessíveis – só deve se materializar depois de 2030. Até lá, o mercado precisará atingir um volume de produção que justifique os investimentos necessários para escalar a tecnologia.
A grande pergunta que todo mundo faz na indústria é: quem chegará primeiro? A CATL parte com vantagem por sua escala global e volume de P&D, mas a BYD tem o trunfo de ser fabricante de veículos e baterias ao mesmo tempo, o que lhe permite integrar os avanços em seus próprios modelos de forma muito mais rápida.
O que está claro é que a competição entre CATL e BYD está acelerando o ritmo da inovação num setor que, durante anos, prometeu avanços sem definir datas concretas. Agora, com calendários industriais definidos, patentes publicadas e metas claras de maturidade tecnológica, a corrida pela bateria de estado sólido entrou em sua fase mais decisiva.
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