A Intelbras está ampliando sua atuação em mobilidade elétrica com uma proposta que integra carregadores de veículos elétricos a soluções de conectividade, segurança, monitoramento e gestão. O objetivo é atender não apenas à demanda pela recarga, mas também a desafios operacionais dos eletropostos, como falhas de comunicação, interrupções no fornecimento de energia, segurança e análise do fluxo de usuários.
Segundo o gerente de Mobilidade Elétrica da Intelbras, Antonio Neto, a solução reúne produtos que já fazem parte do portfólio da empresa, aplicando-os de forma integrada ao segmento de recarga. A proposta inclui câmeras de segurança e térmicas, sensores de temperatura, roteadores corporativos, nobreaks, sistemas de controle de acesso e ferramentas de inteligência artificial. A ideia é concentrar essas soluções em uma estrutura que permita ao operador acompanhar tanto o funcionamento dos carregadores quanto as condições e a movimentação no local.
Neto destaca que a aplicação de câmeras e sensores vai além da proteção dos equipamentos. A coleta de dados sobre a circulação de pessoas pode ajudar o operador a avaliar o desempenho do ponto de recarga e identificar oportunidades de expansão ou de criação de serviços complementares.
A plataforma pode, por exemplo, contabilizar entradas e saídas e cruzar os dados com o número de recargas realizadas. Dessa forma, o operador pode identificar situações em que o fluxo de pessoas não corresponde ao volume de recargas ou em que potenciais usuários deixam o local sem conseguir utilizar o equipamento.

“Você sabe quantas recargas aconteceram, mas quantas pessoas passaram ali? Será que todo mundo que tentou fazer a recarga conseguiu? Será que teve gente que chegou lá e não conseguiu carregar porque estava ocupado, ficou 5 minutos esperando e foi embora?”
O monitoramento também pode ser usado para prevenção de furtos de cabos. Segundo o executivo, não é possível eliminar completamente esse tipo de ocorrência, mas sistemas de câmeras, iluminação e alarmes podem ajudar a identificar comportamentos suspeitos e permitir uma reação antes que o furto aconteça.
A conectividade é outro ponto considerado crítico para a operação. Falhas de internet podem impedir o funcionamento dos aplicativos utilizados para iniciar a recarga. Para reduzir esse risco, a Intelbras oferece roteadores corporativos e nobreaks para manter os equipamentos em funcionamento diante de problemas de conexão ou de fornecimento de energia.
Portfólio e perspectivas para o mercado
A oferta da companhia contempla carregadores em corrente alternada (AC) e corrente contínua (DC). No segmento AC, o portfólio inclui um modelo portátil de 3 kW e equipamentos de 7 kW e 22 kW. Em DC, estão disponíveis equipamentos de 30 kW, 60 kW, 80 kW, 120 kW e 180 kW. A empresa também oferece um software gratuito para gerenciamento e o Intelbras CV Pro, voltado à monetização.
A nova oferta de um ecossistema para eletropostos é direcionada principalmente a investidores e operadores de pontos de recarga que já enfrentam problemas na operação. De acordo com Neto, a experiência desses operadores permite identificar demandas relacionadas à disponibilidade da infraestrutura, conectividade, energia e análise do negócio.
Além dos dados sobre recarga e potência, a empresa pretende utilizar informações sobre o fluxo de pessoas para apoiar decisões de investimento. O objetivo é avaliar se existe demanda suficiente para ampliar a quantidade de carregadores ou agregar atividades comerciais ao local.
A proposta também pode ser aplicada a empresas e estabelecimentos comerciais que já instalaram eletropostos. Para Neto, o diferencial da Intelbras está em fornecer diferentes componentes de um mesmo ecossistema e concentrar o suporte em uma única empresa.
A companhia também mantém uma parceria com a Renault e a Geely do Brasil. Segundo Neto, determinados modelos comercializados pelas empresas já saem das concessionárias equipados com carregadores da Intelbras.
Para o executivo, o período entre 2026 e 2028 deve concentrar uma expansão mais acelerada da infraestrutura de recarga, após o crescimento observado nas vendas de veículos elétricos entre 2025 e 2026.
Segundo Neto, a Intelbras entrou de forma mais abrangente no mercado de mobilidade elétrica em 2026, após quatro anos de atuação no segmento e a realização de novas parcerias. A empresa não divulga números específicos de eletropostos fornecidos, mas estima acompanhar o crescimento do mercado, em torno de 65% em 2026.



