Distrocuyo, SWAPY e a Sociedad de Transporte de Mendoza analisam as oportunidades de expansão da mobilidade sustentável na Argentina e no Uruguai

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O último painel do Latam Mobility Cone Sul 2026, intitulado “Oportunidades de expansão da Mobilidade Sustentável na Argentina e no Uruguai“, reuniu referências do setor para debater o futuro da mobilidade na região.

O espaço, desenvolvido em parceria com o Mobility Portal, contou com a participação de Maximiliano Mesa (Vice-presidente da Sociedad de Transporte de Mendoza), Martín Piñeyro (Fundador e CEO da SWAPY), Juan Manuel Carrillo (Gerente de Novas Energias da Distrocuyo) e a moderação de Florencia Guglielmetti (Editora do Mobility Portal).

O encerramento da sétima edição do encontro da Latam Mobility em Santiago do Chile foi marcado por um diálogo profundo e dinâmico, onde os painelistas analisaram os avanços, desafios e oportunidades concretas para acelerar a transição energética no transporte da Argentina e do Uruguai, oferecendo uma visão comparada que valorizou as diferentes realidades e estratégias de ambos os países.

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Um percurso pelas experiências dos painelistas

Para contextualizar o debate, Guglielmetti convidou cada participante a apresentar sua organização e seu papel no ecossistema da mobilidade sustentável.

Juan Manuel Carrillo começou apresentando a Distrocuyo, a empresa de transmissão de energia elétrica em alta tensão que opera nas províncias argentinas de Mendoza e San Juan. Com 30 anos de trajetória, gerencia 2.500 quilômetros de linhas e 15 subestações transformadoras.

Além de seu negócio principal, a Distrocuyo evoluiu para a construção de parques renováveis (superando 2 GW) e possui uma divisão digital, a 6 Energy, que implementou três dos cinco automatismos mais importantes do sistema elétrico chileno. Carrillo detalhou que, a partir de sua área de Novas Energias, exploram verticais como hidrogênio, eletromobilidade e data centers.

Por sua vez, Martín Piñeyro apresentou a SWAPY, uma startup uruguaia que busca viabilizar a transição energética no setor de delivery, com um modelo focado em resolver três problemas-chave: o acesso ao veículo, a autonomia (necessária para percorrer mais de 200 km por dia) e os tempos de recarga.

Para isso, a SWAPY desenvolveu uma rede de troca de baterias para motos elétricas, permitindo que os entregadores economizem significativamente nos custos operacionais em comparação com uma moto a combustão. Atualmente, operam em Montevidéu e Punta del Este e buscam se expandir para novas cidades da região.

Por fim, Maximiliano Mesa descreveu a Sociedad de Transporte de Mendoza como uma empresa operadora de transporte público de passageiros com participação estatal, pioneira em mobilidade sustentável na Argentina, que opera ônibus elétricos desde 2019 e, desde 2023, incorporou unidades a GNC (Gás Natural Comprimido).

Além disso, está em plena execução da extensão do Metrô-Tram de Mendoza, que duplicará seu trajeto atual e chegará ao aeroporto. Mesa destacou a abordagem integral do governo regional, que prioriza o usuário mediante a integração de meios de pagamento e a diversificação da matriz energética.

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Lições do Uruguai: Políticas de Estado e coordenação público-privada como eixos do sucesso

Piñeyro, como único representante uruguaio, compartilhou a experiência de seu país, onde a venda de veículos elétricos ultrapassou 40% de participação de mercado nos últimos meses. Atribuiu esse sucesso a uma política de Estado iniciada há uma década, com uma coordenação efetiva entre ministérios, empresas públicas e prefeituras.

A abordagem consistiu em identificar os casos de uso com melhor viabilidade econômica, apoiá-los com subsídios e estímulos fiscais para que os privados se animassem a dar o primeiro passo. Hoje, o Uruguai já está numa fase de retirada desses incentivos, o que demonstra a maturidade do mercado.

Piñeyro destacou a importância de a política pública ser uma facilitadora e não um obstáculo, permitindo que a normativa se adapte à inovação. Nesse sentido, mencionou a figura do sandbox regulatório como uma ferramenta-chave para que novos modelos de negócio possam ser testados sem ficar atrelados a marcos normativos rígidos.

Da mesma forma, destacou a necessidade de pensar a infraestrutura de recarga em camadas, com redes de alta potência para viagens esporádicas e redes de baixa potência para a recarga noturna em ambientes urbanos – um desafio que ainda requer uma melhor articulação entre o público e o privado.

A convivência de tecnologias: O papel do GNC e da eletromobilidade na transição energética argentina

Um tema central do debate foi a coexistência de diferentes tecnologias. Carrillo afirmou que, na Argentina, com uma história consolidada de GNC e custos competitivos do gás, essa tecnologia não desaparecerá.

Em sua opinião, o futuro será um mix de tecnologias onde o GNC se manterá para logística de longa distância e veículos pesados, enquanto a eletromobilidade ganhará espaço no segmento urbano de curtas distâncias. Destacou que a infraestrutura de recarga do gás comprimido já está implantada em todo o país, o que lhe confere uma vantagem competitiva em certos nichos.

Mesa concordou que são compatíveis e assinalou que, no caso de Mendoza, a transição natural aponta para o GNC devido à localização estratégica da província, cercada por bacias gasíferas. No entanto, considerou que o futuro é a eletromobilidade e que o GNC é um passo intermediário nessa transição.

Para que essa evolução seja mais rápida, defendeu maiores incentivos operacionais que gerem uma receita real para os prestadores de serviços com energias limpas. Também destacou a importância de campanhas de conscientização para dissipar os medos infundados sobre a autonomia das baterias, um fenômeno que atribuiu à comparação errônea com a vida útil das baterias dos telefones celulares.

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Juan Manuel Carrillo, gerente de Novas Energias da Distrocuyo

Desafios e barreiras para a expansão na Argentina

Ao serem consultados sobre o que falta para acelerar a mobilidade sustentável, os painelistas foram categóricos. Carrillo enfatizou a ausência de um marco normativo nacional na Argentina, que, diferentemente do Chile ou Uruguai, não possui uma lei de eletromobilidade que alinhe as províncias.

A falta de critérios técnicos e de segurança para a infraestrutura de recarga é um gargalo que impede a implantação massiva de pontos de recarga, o que, por sua vez, limita a autonomia dos usuários. Para ele, é urgente gerar uma normativa que viabilize essa infraestrutura e mecanismos de financiamento que igualem os preços dos veículos elétricos com os de combustão.

Mesa aprofundou as barreiras econômicas. De sua perspectiva operacional e contábil, a carga tributária, as barreiras tarifárias e o controle cambial encarecem os veículos elétricos, tornando-os pouco competitivos. Embora o Regime de Incentivo a Grandes Investimentos (RIGI) esteja começando a movimentar a economia, considerou fundamental modificar o marco regulatório para gerar um esquema competitivo que permita a adoção em escala.

Também destacou a experiência de Mendoza como um caso bem-sucedido de abordagem integral, que transformou a mobilidade sustentável numa política de Estado com projeção de futuro.

O valor do aprendizado compartilhado

O debate concluiu com uma mensagem de otimismo e colaboração. Carrillo destacou que a Argentina “despertou” e que o momento é de inflexão, com muito a fazer e uma oportunidade única para coordenar o setor público, privado e a academia.

Piñeyro reiterou a necessidade de abraçar todas as tecnologias e de que as políticas públicas sejam uma facilitadora para que as empresas – que são as que assumem os riscos – possam inovar. Também chamou a atenção para a importância de planejar o ciclo de vida das baterias, incluindo seu segundo uso e reciclagem – um desafio que o Uruguai já está começando a abordar com planos diretores e marcos regulatórios específicos.

Mesa encerrou com uma avaliação positiva de sua primeira experiência neste tipo de painel, valorizando o aprendizado que representa conhecer as realidades de países mais avançados como Chile e Uruguai. Convidou a todos a conhecer o modelo de Mendoza, que implementou um sistema de bicicletas públicas compartilhadas e está desenvolvendo um trem de subúrbio, demonstrando que a mobilidade sustentável transcende a motorização e abrange o ordenamento territorial e a qualidade de vida dos cidadãos.

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Próxima parada: Latam Mobility México 2026

O encontro, que contou com mais de 500 participantes e seguidores online de todo o mundo, demonstrou que a região está cada vez mais próxima de uma mobilidade descarbonizada. Após o espaço, os participantes foram convidados para a zona de exposição para uma atividade de networking, encerrando assim mais uma edição do Latam Mobility em Santiago do Chile.

Mas a gira não termina aqui. A Gira 2026 continuará seu percurso pela região e tem sua próxima parada no México, onde será celebrado o Latam Mobility & Net Zero México 2026 – a edição de maior alcance do ano.

O evento acontecerá nos dias 12 e 13 de outubro de 2026 no World Trade Center da Cidade do México. Espera-se uma grande participação, consolidando-se como o maior encontro do ecossistema de mobilidade sustentável na região.

Os organizadores convidam todos os atores do setor – governos, empresas, startups, academia e organizações – a se juntarem a este compromisso imperdível para continuar construindo juntos o futuro da mobilidade na América Latina. A venda de ingressos já está aberta.

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