O projeto de serviços públicos do Mar Vermelho, na Arábia Saudita, entrou em operação comercial plena, concluindo a implantação de um sistema de grande escala alimentado por fontes renováveis para abastecer um destino turístico e toda a infraestrutura associada.
A SEPCOIII, subsidiária da PowerChina e responsável pela engenharia, aquisição e construção do projeto, informou em 21 de agosto que todo o complexo havia entrado em operação comercial. A empresa assinou o contrato com a ACWA Power em fevereiro de 2021.
Desenvolvido para o destino turístico da Red Sea Global na costa oeste da Arábia Saudita, o projeto funciona de forma independente da rede nacional de transmissão. A ACWA Power informa uma capacidade instalada de 358 MWac em energia solar fotovoltaica e 1.225,4 MWh em armazenamento de energia em baterias, além de 112,5 MW de geração de reserva por motores de combustão interna. Documentos anteriores do projeto mencionavam cerca de 340 MW de geração solar e 1,2 GWh de armazenamento.
A Huawei, que forneceu os inversores fotovoltaicos e o sistema de baterias, havia informado anteriormente que seu fornecimento incluía 400 MW de geração solar e 1,3 GWh de armazenamento.
O sistema de baterias desempenha funções que vão além das normalmente exigidas de equipamentos conectados a uma rede convencional. Como a rede do Mar Vermelho é isolada, a microrrede precisa manter sua própria tensão e frequência, equilibrando a geração solar variável com o consumo de eletricidade. As baterias com tecnologia de formação de rede (grid-forming) ajudam a controlar tensão e frequência e fornecem eletricidade quando não há geração solar.
Informações divulgadas sobre o projeto indicam que o sistema também demonstrou capacidade de partida autônoma (black start) e de permanecer operando durante falhas na rede. O projeto, portanto, representa um exemplo de uso de baterias de grande escala com tecnologia de formação de rede em um sistema elétrico isolado.
Em maio de 2025, o Guinness World Records certificou 1.125,18 MWh da instalação como o maior sistema de armazenamento de energia em baterias fora da rede do mundo. A construção começou em outubro de 2021, e o sistema de baterias entrou em operação em setembro de 2023.
Infraestrutura atende resorts, aeroporto e sistemas de água
O projeto do Mar Vermelho se diferencia de uma instalação convencional de geração solar com baterias pela variedade de serviços conectados à microrrede. O sistema inclui dessalinização de água do mar, distribuição de água potável, tratamento de águas residuais, refrigeração centralizada, gestão de resíduos sólidos e infraestrutura de comunicações.
A ACWA Power informa que o projeto conta com três plantas de dessalinização por osmose reversa, com capacidade combinada de 32.500 metros cúbicos de água por dia. O sistema também possui capacidade para tratar 16.000 metros cúbicos de águas residuais por dia e para fornecer 32.500 toneladas de refrigeração.
Segundo a Red Sea Global, a infraestrutura abastecida por fontes renováveis atende resorts em operação, as instalações do Aeroporto Internacional do Mar Vermelho, alojamentos para funcionários, estações de recarga de veículos elétricos, infraestrutura 5G, sistemas de refrigeração centralizada e as redes de abastecimento de água do destino turístico.
O projeto opera sob uma concessão de 25 anos. Em vez de financiar e ser proprietária dos diferentes ativos de infraestrutura, a Red Sea Global compra eletricidade, água e outros serviços do consórcio responsável pelo empreendimento. O projeto foi desenvolvido como uma parceria público-privada, com o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF) apoiando o contrato de fornecimento de longo prazo.
A SEPCOIII foi responsável pela construção do projeto, enquanto os fornecedores chineses envolvidos no pacote de energia incluem a Huawei e a fabricante de módulos fotovoltaicos Longi.
A entrada em operação comercial plena representa a conclusão do complexo de serviços públicos, e não o início das operações dos sistemas solar e de armazenamento. Esses ativos vêm sendo colocados em operação gradualmente desde 2023.
O projeto é um exemplo de grande escala de como a geração solar e baterias com tecnologia de formação de rede podem ser usadas para atender uma rede elétrica isolada, em vez de simplesmente fornecer energia a um sistema de transmissão interligado.
A experiência pode oferecer aprendizados técnicos e operacionais para projetos semelhantes em ilhas, instalações industriais remotas e novos empreendimentos onde a expansão da rede convencional de transmissão seja difícil ou economicamente inviável.



