Bangladesh tornou obrigatória a utilização de energia solar para a recarga de milhões de veículos de três rodas movidos a bateria que operam ilegalmente no país e atualmente são carregados a partir da rede elétrica.
“Para serem registrados, esses autorriquixás terão que carregar suas baterias com energia solar”, afirmou nesta semana o ministro de Estado do Governo Local, Mir Shahe Alam.
Segundo ele, os riquixás deverão ser registrados nas corporações municipais e prefeituras de todo o país e recarregados exclusivamente com energia solar. O descumprimento das regras estará sujeito a multas.
De acordo com Alam, os veículos serão regulamentados com base em uma legislação existente, enquanto as normas necessárias para sua implementação estão sendo elaboradas.
Estima-se que 6 milhões de autorriquixás estejam atualmente em operação em Bangladesh. Suas baterias são frequentemente carregadas de forma ilegal por meio de conexões à rede elétrica durante a noite.
Segundo estimativas, os veículos de três rodas consomem entre 800 MW e 1 GW de eletricidade, o equivalente a cerca de 5% da geração total de energia do país. O governo afirma que esse consumo contribui para pressionar a rede e para a ocorrência frequente de cortes de energia.
Os veículos se tornaram um importante meio de transporte para grupos de baixa e média-baixa renda que não podem arcar com a compra de carros particulares para deslocamentos de curta distância, tanto nas cidades quanto nas áreas rurais.
Milhões de jovens obtêm sua renda operando os veículos de três rodas. Segundo estimativas locais, eles proporcionam uma fonte de renda para pelo menos 20 milhões de pessoas.
Ezaz Al Qudrat A Mazid, diretor-geral da Solar EPC Development Ltd., recebeu positivamente o plano do governo de transferir os veículos de três rodas da eletricidade da rede para a energia solar.
“Hoje recebi uma ligação de um investidor que quer instalar 30 estações de recarga alimentadas por energia solar. A conversão vai ampliar a geração de energia verde, estimular investimentos e criar empregos”, disse à pv magazine.
Mostafa Al Mahmud, presidente da Bangladesh Sustainable and Renewable Energy Association (BSREA), afirmou que a política pode criar um ecossistema de investimentos em todo o país, gerar empregos e reduzir a pressão sobre os recursos energéticos.
“O impacto seria enorme”, disse à pv magazine. “Se você tiver, por exemplo, 5 mil estações de recarga solar, isso significa que 5 mil investidores estarão envolvidos imediatamente — e, gradualmente, esse número vai crescer”, afirmou Mahmud.
Ele também defendeu a inclusão do net metering na política.
“Energia solar sem net metering não vai funcionar. O governo não deveria cometer esse erro”, afirmou.



