Interesse de 37% das indústrias em migrar ao mercado livre amplia espaço para PPAs de energia solar

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Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 37% das indústrias que permanecem no mercado regulado de energia têm interesse em migrar para o Ambiente de Contratação Livre (ACL). O dado evidencia um mercado ainda significativo a ser explorado por comercializadores e geradores de energia renovável, especialmente diante da crescente competitividade da fonte solar na celebração de contratos bilaterais de compra e venda de energia (PPAs, na sigla em inglês para Power Purchase Agreements).

O levantamento, realizado em abril deste ano com 1.498 empresas industriais de pequeno, médio e grande porte, mostra ainda que 41% das indústrias já migraram para o mercado livre desde a abertura do segmento para consumidores conectados em média e alta tensão, em janeiro de 2024. Entre as empresas que aderiram ao ACL, 73% afirmaram ter obtido redução nos custos com eletricidade.

Segundo a CNI, a diminuição das despesas com energia tornou-se um dos principais fatores de competitividade para a indústria. A pesquisa revela que 30% dos entrevistados apontam a migração para o mercado livre como a principal estratégia adotada para reduzir a conta de energia, superando outras iniciativas voltadas à eficiência energética.

Para o setor fotovoltaico, o contingente de empresas que ainda pretende migrar representa uma oportunidade para ampliar a contratação de energia por meio de PPAs de longo prazo. Esse tipo de contrato vem sendo utilizado por consumidores industriais para garantir previsibilidade de custos, reduzir a exposição à volatilidade dos preços da eletricidade e atender metas de descarbonização, ao mesmo tempo em que oferece maior segurança de receita para empreendimentos de geração renovável.

Nos últimos anos, a expansão da geração solar centralizada aumentou a oferta de energia competitiva no mercado livre. O crescimento da fonte fotovoltaica, aliado à maior liquidez do ACL e à evolução das soluções de comercialização varejista, ampliou o acesso de consumidores industriais a contratos personalizados, adequados ao perfil de consumo de cada empresa.

A perspectiva de novas migrações também reforça as expectativas do mercado em relação à continuidade da abertura do setor elétrico brasileiro. Embora consumidores de média e alta tensão já possam escolher livremente seus fornecedores de energia, agentes do mercado defendem o avanço da liberalização para consumidores de menor porte, o que poderá ampliar ainda mais a demanda por energia proveniente de fontes renováveis.

De acordo com a CNI, o levantamento demonstra que a busca por redução de custos permanece como a principal motivação para a migração ao ACL, mas fatores como previsibilidade financeira, competitividade e sustentabilidade também vêm ganhando importância nas decisões das empresas. Para o mercado solar, esse cenário indica um potencial relevante de expansão dos PPAs corporativos, segmento que deve continuar sendo um dos principais vetores de crescimento da geração fotovoltaica no país.

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