Alba Energia supera restrições de injeção de energia na rede com controladores inteligentes e simultaneidade

alba-energia-supera-restricoes-de-injecao-de-energia-na-rede-com-controladores-inteligentes-e-simultaneidade

As restrições impostas pelas distribuidoras devido à inversão de fluxo de potência têm levado integradores e consumidores a buscar novas estratégias para viabilizar projetos de geração solar distribuída. Quando a geração de energia supera o
consumo local e muitas muitas usinas estão conectadas ao mesmo alimentador, a distribuidora pode não conseguir escoar toda a energia excedente para outras regiões da rede, o que pode provocar elevação de tensão, sobrecargas e instabilidade no sistema elétrico.

Essa situação acontece de forma irregular no país, com algumas regiões e estados mais “saturados” que outros. O diretor da Alba Energia, Adalberto Vargas Ribeiro, conta que a empresa, com sede em Colatina, Espírito Santo, passou a perceber essas limitações em 2024, quando a concessionária local, a Santa Maria, realizava essa análise por meio de simulações. O problema voltou de forma muito forte em 2025, momento em que a distribuidora de energia passou a limitar os projetos com base em estudos reais enviados aos clientes, comprovando que os alimentadores já estavam com sobra de energia.

Nesse contexto, a integradora concluiu recentemente dois projeto que combinam a regra da simultaneidade da Aneel, dispensando a avaliação sobre a inversão de fluxo de potência, com o uso de controladores inteligentes. A estratégia foi adotada pela Alba para atender dois consumidores rurais e permitiu instalar sistemas fotovoltaicos significativamente maiores do que a potência autorizada para injeção na rede, com a condição de que o excedente seja consumido instantaneamente pela própria unidade consumidora.

Enquadramento no fast track além dos 7,5 kW

Em 2024, a Aneel regulamentou situações em que a análise de inversão de fluxo pode ser dispensada, desde que determinados critérios técnicos sejam atendidos. Um deles é a chamada simultaneidade, que considera o consumo instantâneo da unidade para definir a potência máxima que pode ser exportada à rede. O cálculo utiliza o histórico médio de consumo dos últimos 12 meses.

Segundo Ribeiro, a regra, porém, apresenta limitações.

“Consumidores que pretendem aumentar o consumo precisam esperar até 12 meses para que esse novo perfil apareça no histórico utilizado pela distribuidora. No caso de irrigantes, ainda existe outra restrição: como a tarifa incentivada concentra o consumo à noite, a simultaneidade considera apenas o consumo diurno”, explicou.

“O controlador junta dois mundos. Se o cliente tem carga, a energia alimenta a própria instalação. Se não tem carga suficiente, ele limita a exportação ao valor autorizado pela concessionária. É uma evolução do Grid Zero combinada com a simultaneidade”, afirmou Ribeiro.

Independência da rede não é para todos

O diretor da Alba admitiu que a procura por independência total da rede aumentou nos últimos anos, mas que não indica essa solução para os seus clientes. ‘Eu sempre apresento os custos e explico a realidade da nossa região. Aqui no Espírito Santo, por exemplo, não enfrentamos problemas frequentes de falta de energia. Evidentemente eles acontecem, mas são relativamente raros. Por isso, considero que sistemas totalmente off-grid fazem mais sentido em regiões onde as interrupções são mais frequentes”.

A concessionária também oferece uma garantia de atendimento, ele observa. “Na nossa região existem principalmente a EDP e a Santa Maria, que atende cerca de 11 municípios e presta um atendimento muito rápido. Mesmo em áreas rurais mais isoladas, normalmente o restabelecimento da energia ocorre em pouco tempo.”

Em contraste, se ocorrer algum problema em um sistema off-grid, o consumidor dependerá da empresa integradora ter um plantão 24 horas para resolver imediatamente. “Em muitos casos, o consumidor pode acabar ficando mais tempo sem energia do que ficaria dependendo da concessionária.”

Sistema de 37,2 kWp autorizado a exportar apenas 7,5 kW

Um dos projetos recentemente entregues pela Alba usando a estratégia de simultaneidade combinada com controladores inteligentes foi implantado na propriedade da família Guisolphi, produtora de cafés especiais em São Roque do Canaã (ES).

Pelas regras da simultaneidade, a distribuidora autorizava a exportação de apenas 7,5 kW para a rede. Em um projeto convencional, isso limitaria também a potência do inversor. Como a família pretendia ampliar a produção e o beneficiamento dos grãos, a Alba Energia propôs uma usina de 37,2 kWp equipada com um inversor de 23 kW e um controlador inteligente configurado para restringir a injeção à rede aos mesmos 7,5 kW autorizados.

Na prática, quando o consumo da propriedade é elevado, o inversor pode operar em potência muito superior ao limite de exportação.

“Se a propriedade estiver consumindo 15,5 kW, por exemplo, o inversor pode gerar 23 kW. Os 15,5 kW abastecem as cargas locais e apenas 7,5 kW são exportados para a rede”, explicou Ribeiro. “A energia excedente transforma-se em créditos que podem ser utilizados pela própria unidade consumidora em até 60 meses, preservando a economia mesmo durante o consumo noturno ou em períodos de maior demanda.”

Irrigação durante o dia e desenvolvimento conjunto com PHB e GoodWe

O segundo projeto foi desenvolvido para a propriedade do produtor rural Célio Marins Tatagiba. Nesse caso, o desafio era diferente.

“Para ele fazia sentido. A potência gerada não injeta na rede, mas alimenta as motobombas. Por isso parece um sistema subdimensionado quando se olha apenas para a potência autorizada de exportação, mas, na prática, ele atende toda a carga da propriedade.”

Além da limitação da potência, esse projeto teve um desafio adicional. Embora já existissem controladores para aplicações Grid Zero, a solução disponível para redes bifásicas era capaz de controlar apenas um inversor. Como o projeto utilizava três equipamentos trabalhando em paralelo, foi necessário desenvolver uma nova configuração.

A solução envolveu uma parceria entre a Alba Energia, a fabricante chinesa GoodWe e a PHB, distribuidora da marca no Brasil. Segundo Ribeiro, a GoodWe desenvolveu uma atualização de software específica para permitir que um único controlador monitorasse simultaneamente os três inversores. A PHB realizou os testes em laboratório antes da implantação definitiva em campo.

“Quando instalamos o sistema, percebemos que o controlador ainda não conseguia gerenciar os três inversores ao mesmo tempo. A GoodWe desenvolveu uma atualização de software, a PHB validou tudo em laboratório e, depois, fizemos a configuração em campo. Foi aí que passou a funcionar.”

Embora Ribeiro não afirme que tenha sido a primeira aplicação desse tipo no país, ele considera que a solução ainda é pouco comum para redes bifásicas.

“Para sistemas trifásicos isso já existia. Mas controlar três inversores monofásicos em paralelo não era uma solução pronta. Acabou sendo um case de sucesso porque exigiu o desenvolvimento de uma funcionalidade específica.”

Tendência diante das restrições da rede

Para Ribeiro, a utilização de controladores inteligentes tende a se tornar cada vez mais frequente à medida que aumentam as restrições de acesso às redes de distribuição.

“Hoje, para muitos clientes que já possuem uma usina e precisam ampliar o consumo, dificilmente você consegue fazer isso sem esse tipo de solução. O controlador permite manter exatamente a potência autorizada de exportação e utilizar toda a geração adicional para atender às cargas locais.”

Segundo a Alba Energia, a experiência mostra que restrições de exportação não significam necessariamente o fim da expansão da geração distribuída. Com monitoramento em tempo real, controle inteligente da potência e projetos dimensionados de acordo com o perfil de consumo de cada cliente, é possível compatibilizar as limitações da rede com a expansão dos sistemas fotovoltaicos.

Compartilhe: