A necessidade de contratação de sistemas de armazenamento em baterias no Brasil pode alcançar entre 5 GW e 6 GW de potência nos próximos leilões de reserva de capacidade, segundo a Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae). A estimativa representa uma revisão significativa em relação às projeções divulgadas no ano passado, quando a expectativa era de cerca de 2 GW.
Em entrevista à pv magazine Brasil, o diretor técnico da associação, Fábio Lima, afirmou que a revisão decorre principalmente dos resultados do leilão de reserva de capacidade realizado em março deste ano e das avaliações mais recentes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) sobre a necessidade de potência para os próximos anos.
Segundo ele, a própria análise dos resultados do leilão de março indica que parte da necessidade de potência do sistema permaneceu sem atendimento, já que parte dos resultados não foi homologada. Ele citou ainda avaliações do ONS que apontam riscos de perda de carga superiores aos níveis considerados adequados para o sistema elétrico.
Mercado aquecido e novos participantes
A Absae ainda está atualizando sua estimativa sobre o volume de projetos em desenvolvimento para disputar o leilão. Em 2025, a associação estimava cerca de 18 GW de projetos em preparação para uma contratação prevista de aproximadamente 2 GW.
Embora os números revisados ainda não tenham sido divulgados, Lima afirmou que o mercado está mais aquecido do que há um ano e que a publicação das regras do leilão trouxe maior previsibilidade para investidores.
“Tem muita gente séria acompanhando o mercado. A consolidação da portaria traz toda uma nova leva de atores para participarem desse processo”, afirmou.
Entre os interessados estão geradores renováveis centralizados e distribuídos, empresas tradicionalmente ligadas à geração térmica, transmissoras e desenvolvedores especializados em armazenamento.
A associação também observa um movimento crescente de fabricantes interessados em participar diretamente dos projetos, seja por meio de consórcios ou sociedades de propósito específico (SPEs), especialmente devido à importância das garantias de desempenho dos sistemas ao longo dos contratos de longo prazo.
Leilões recorrentes no horizonte
Para a ABSAE, o leilão previsto para este ano representa apenas o primeiro passo para a consolidação do mercado brasileiro de armazenamento.
A combinação entre crescimento da carga, expansão das fontes renováveis variáveis e necessidade de reforço da confiabilidade do sistema deverá sustentar novas rodadas de contratação nos próximos anos.
“A tendência é que a gente precise de leilões periódicos, inclusive para armazenamento”, afirmou Lima.
Segundo a entidade, a continuidade das contratações será fundamental para dar escala ao mercado nacional e criar as condições necessárias para o desenvolvimento gradual da cadeia produtiva de baterias no país.



