O mercado brasileiro de veículos leves eletrificados se aproxima de um marco histórico. Com 57.386 emplacamentos em agosto, a frota eletrificada em circulação chegou a 950.183 unidades, segundo a série histórica da ABVE Data. Restam 49.817 veículos para que o país alcance a marca de 1 milhão de eletrificados, o que poderá ocorrer ainda em setembro, caso o ritmo atual de vendas seja mantido.
A série histórica acompanha a evolução do segmento desde janeiro de 2012, quando foram registrados 117 emplacamentos. Em 2016, o mercado chegou a 1.091 unidades e, em 2024, alcançou 177.358. Apenas entre janeiro e agosto de 2026, foram comercializados 328.477 veículos eletrificados, volume que já corresponde a 34,6% de toda a série histórica.
“Nossa expectativa é chegar ao primeiro milhão nas próximas semanas, ainda este mês”, afirmou o presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Ricardo Bastos.
O resultado representa uma mudança de escala do mercado brasileiro. “A eletromobilidade já chegou ao Brasil, ela já é o principal vetor de crescimento do mercado automotivo. O consumidor já vê o veículo eletrificado como sua principal opção de compra”, afirmou.
Bastos também destacou a necessidade de aproveitar o avanço da eletromobilidade para fortalecer a indústria nacional. “Agora, temos de olhar para a frente e aproveitar essa nova realidade para desenvolver e recuperar a competitividade da indústria nacional, tanto no setor automotivo quanto no setor de autopeças”.
Mercado opera em novo patamar
O resultado de agosto representa um crescimento de 2% em relação a julho, quando foram registrados 56.074 emplacamentos, e de 184% na comparação com agosto de 2025, que teve 20.222 unidades.
Foi o segundo mês consecutivo em que as vendas de eletrificados leves superaram 50 mil unidades no país e, ao mesmo tempo, um novo recorde mensal da série histórica da ABVE Data.
Entre janeiro e agosto, os eletrificados acumularam crescimento de 160,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando haviam sido comercializadas 126.071 unidades.
A média mensal de vendas em 2026 chegou a 41.060 veículos, 160% acima do volume registrado no mesmo período de 2025, de 15.761 unidades. Em apenas oito meses, o segmento também superou em 47% todo o volume comercializado em 2025, quando foram vendidas 223.912 unidades.
Em termos de evolução histórica, o mercado passou de 117 emplacamentos em 2012 para 1.091 em 2016 e 177.358 em 2024. Nos primeiros oito meses de 2026, foram 328.477 unidades.
No acumulado do ano, os eletrificados representaram 20,2% das vendas de veículos leves no mercado interno. Em agosto, a participação chegou a 21,8%, ou aproximadamente 22% do mercado.
A evolução mostra a aceleração da participação dos eletrificados. O segmento representava 9,4% das vendas em agosto de 2025, passou por 14,1% em fevereiro de 2026 e chegou a 17% em maio, antes de atingir 21,8% em agosto.
Elétricos plug-in concentram 83% das vendas
Os veículos elétricos plug-in, formados por BEVs e PHEVs, responderam por 83,1% das vendas de eletrificados em agosto, com 47.701 unidades.
Os modelos 100% elétricos (BEV) lideraram o mercado e alcançaram novo recorde mensal, com 27.166 emplacamentos e participação de 47,3% entre os eletrificados.
O resultado representa crescimento de 5,4% sobre julho, quando foram comercializadas 25.782 unidades, e de 256% em relação a agosto de 2025, quando foram registrados 7.624 emplacamentos.
Os híbridos plug-in (PHEV) totalizaram 20.535 unidades e responderam por 35,8% das vendas de eletrificados. O volume ficou praticamente estável em relação a julho, quando foram registrados 20.500 emplacamentos, com alta de 0,2%. Na comparação com agosto de 2025, quando foram comercializadas 8.057 unidades, houve crescimento de 155%.
Híbridos convencionais somam 9.685 unidades
Os híbridos HEV e HEV Flex, que não possuem recarga externa, totalizaram 9.685 emplacamentos em agosto, o equivalente a 16,9% das vendas de eletrificados.
Os HEV registraram 4.445 emplacamentos, com alta de 6,6% sobre julho, quando foram vendidas 4.168 unidades, e de 94% em 12 meses, frente às 2.296 unidades de agosto de 2025. A tecnologia representou 7,8% do total de eletrificados.
Os HEV Flex totalizaram 5.240 unidades e participação de 9,1%. Houve recuo de 6,8% em relação a julho, quando foram registrados 5.624 emplacamentos, mas crescimento de 133% sobre agosto de 2025, que teve 2.245 unidades.
Pelos critérios da ABVE Data, os veículos eletrificados considerados na estatística são BEV, PHEV, HEV e HEV Flex. Os micro-híbridos, ou MHEV, não fazem parte dessa classificação por não possuírem tração elétrica autônoma.
MHEV levam mercado total de eletrificados a 64 mil unidades
Apesar de não serem contabilizados pela ABVE como eletrificados, os micro-híbridos também apresentaram crescimento em agosto.
Foram 6.669 MHEV vendidos, alta de 7% em relação a julho, quando foram registradas 6.216 unidades, e de 31% na comparação com agosto de 2025, que teve 5.075 emplacamentos.
Os modelos MHEV de 48 V responderam por 60% desse segmento, com 4.017 unidades. O volume recuou 5% no mês, frente às 4.229 unidades de julho, mas avançou 170% nos últimos 12 meses, em relação às 1.488 unidades de agosto de 2025.
Já os MHEV de 12 V somaram 2.652 unidades, com alta mensal de 33% sobre julho, quando foram registrados 1.987 emplacamentos, e queda de 26% sobre agosto de 2025, que teve 3.587 unidades.
Considerando conjuntamente eletrificados e micro-híbridos, o mercado alcançou 64.055 unidades em agosto, equivalentes a 24% das vendas totais de veículos leves.
São Paulo lidera expansão da eletromobilidade
São Paulo foi o estado com maior número de emplacamentos de veículos leves eletrificados em agosto, com 14.982 unidades, ou 26,1% do total.
Na sequência aparecem o Distrito Federal, com 5.048 unidades (8,8%); Minas Gerais, com 4.293 (7,5%); Paraná, com 3.896 (6,8%); e Rio de Janeiro, com 3.307 (5,8%).
Entre as cidades, São Paulo também liderou, com 5.162 veículos, equivalentes a 9% dos emplacamentos. Brasília ficou em segundo lugar, com 5.048 unidades (8,8%), seguida por Belo Horizonte, com 2.432 (4,2%); Rio de Janeiro, com 1.672 (2,9%); e Curitiba, com 1.521 (2,7%).
Por região, o Sudeste concentrou 24.010 emplacamentos, ou 41,8% do mercado. O Nordeste respondeu por 12.453 unidades (21,7%), seguido pelo Sul, com 10.058 (17,5%); Centro-Oeste, com 8.162 (14,2%); e Norte, com 2.703 (4,7%).
Montadoras, recarga e políticas públicas
Na avaliação da ABVE, o avanço do mercado ocorre em meio à combinação de diferentes fatores, entre eles a instalação de montadoras no país, a expansão da infraestrutura de recarga e políticas públicas voltadas à descarbonização e à renovação da frota.
A instalação de fabricantes como BYD, GWM, Omoda, Pace/GM e Geely no Brasil, segundo a entidade, aumenta a segurança do consumidor e contribui para a expansão da demanda por veículos eletrificados.
A infraestrutura pública e semipública de recarga também vem crescendo. O país já soma pelo menos 25.429 pontos de recarga, ampliando as possibilidades de utilização dos veículos elétricos tanto nas cidades quanto nas rodovias.
Entre as políticas públicas, a ABVE destaca o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), do governo federal, voltado à pesquisa, desenvolvimento e descarbonização da indústria automotiva.
Outro programa citado é o Move Brasil, que oferece crédito para taxistas, motoristas de aplicativos e cooperativas adquirirem veículos novos. A iniciativa dispõe de até R$ 30 bilhões e prevê financiamento de automóveis de até R$ 200 mil, com prazo de até 84 meses.



