A Statkraft recebeu autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para iniciar a operação comercial de quatro usinas fotovoltaicas que integram o complexo Santa Eugênia, na Bahia. As unidades Sol de Brotas 3, 4, 6 e 7 somam 130 MW de capacidade instalada e estão localizadas no município de Uibaí.
A autorização foi publicada por meio dos Despachos nº 3.601, 3.602, 3.603 e 3.604 da Aneel, publicados no Diário Oficial da União de 16 de setembro e marca uma nova etapa do projeto híbrido desenvolvido pela companhia no estado. O complexo Santa Eugênia combina geração solar e eólica e foi estruturado para compartilhar infraestrutura de conexão à rede. De acordo com a Statkraft, o empreendimento reúne 163 MW de capacidade solar e 519 MW de geração eólica, distribuídos entre Uibaí e Ibipeba.
Bateria integrada à geração solar
Um dos elementos que diferenciam o projeto é a incorporação de um sistema de armazenamento de energia à Sol de Brotas 7. A Statkraft obteve em abril deste ano autorização da Aneel para incorporar o sistema de armazenamento ao empreendimento. A iniciativa foi a primeira autorização concedida pela agência para a instalação de um sistema de baterias colocalizado com uma usina solar no Brasil.
O BESS utiliza tecnologia de íon-lítio e possui 1.250 kW de potência e 5.016 kWh de capacidade nominal de armazenamento. O sistema de conversão de potência associado tem capacidade de 2,3 MW. A configuração permite combinar a geração fotovoltaica com armazenamento utilizando a infraestrutura de conexão existente. Na prática, a bateria pode armazenar energia para posterior entrega ao sistema elétrico, ampliando as possibilidades de gerenciamento da geração.
Projeto de R$ 926 milhões
A transformação do empreendimento em um complexo híbrido envolve investimentos de aproximadamente R$ 926 milhões, conforme anunciado pela Statkraft em 2024.
O projeto foi concebido a partir da integração dos complexos eólicos Ventos de Santa Eugênia e Morro do Cruzeiro com novas usinas solares. A estratégia é aproveitar a infraestrutura já existente para conexão dos diferentes recursos energéticos.Com a incorporação das usinas solares, o complexo passa a combinar energia eólica, solar e armazenamento, configuração que pode contribuir para aumentar a flexibilidade da operação dos ativos renováveis.
Segundo a Statkraft, a produção anual estimada do complexo é de aproximadamente 2.750 GWh.
Armazenamento ganha espaço no planejamento de projetos híbridos
A experiência da Sol de Brotas 7 ocorre em um momento de avanço das discussões regulatórias sobre sistemas de armazenamento no Brasil. A possibilidade de combinar baterias com empreendimentos renováveis permite deslocar parte da energia produzida para outros momentos e utilizar de maneira mais flexível a capacidade de conexão disponível. Para projetos híbridos, o armazenamento também pode ser utilizado em conjunto com diferentes perfis de geração.
No caso da Statkraft, a iniciativa integra uma estratégia mais ampla de utilização compartilhada da infraestrutura de transmissão e conexão por diferentes tecnologias.



