A Statkraft iniciou os testes do sistema de armazenamento de energia instalado junto à Usina Fotovoltaica (UFV) Sol de Brotas 7, em Uibaí, na Bahia. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou o início da operação em teste da unidade armazenadora por meio do Despacho nº 3.843, de 1º de outubro, com início autorizado a partir de 2 de outubro.
O sistema de baterias possui 1,25 MW de potência instalada e 5,016 MWh de capacidade nominal de armazenamento. A unidade está integrada à usina solar e compartilha a infraestrutura de conexão do empreendimento.
A autorização marca uma nova etapa do projeto que, em abril deste ano, recebeu da Aneel a primeira autorização para a incorporação de um Sistema de Armazenamento de Energia (SAE) colocalizado a uma usina solar no Brasil.
A configuração aprovada pela Aneel permite que o sistema de armazenamento consuma energia tanto da própria UFV Sol de Brotas 7 quanto da rede à qual está conectado. O consumo por ligação direta com outras centrais geradoras do complexo não é permitido.
A bateria também compartilha os sistemas de medição e faturamento da usina, conforme as regras aplicáveis aos sistemas de armazenamento colocalizados.
O modelo permite armazenar energia e posteriormente entregá-la à rede, ampliando a flexibilidade operacional da geração fotovoltaica. No caso da Sol de Brotas 7, o armazenamento está associado a uma usina que também faz parte de um complexo com geração eólica.
Sol de Brotas 7 já opera comercialmente
A entrada da bateria em testes ocorre poucas semanas depois de a Aneel autorizar a operação comercial da própria UFV Sol de Brotas 7.
Em setembro, a agência liberou a operação comercial das unidades geradoras das UFVs Sol de Brotas 3, 4, 6 e 7, que somam 130 MW de capacidade instalada. Os empreendimentos estão localizados em Uibaí e integram o complexo híbrido desenvolvido pela Statkraft na Bahia.
A Sol de Brotas 7 possui 32,5 MW de capacidade instalada. Com a autorização da Aneel para a bateria, o empreendimento passa a combinar geração fotovoltaica em operação comercial com armazenamento em fase de testes.
Projeto aproveita infraestrutura de complexo eólico
A Sol de Brotas integra a estratégia da Statkraft de combinar diferentes fontes de geração utilizando infraestrutura compartilhada. O projeto está associado ao complexo eólico Ventos de Santa Eugênia, permitindo o compartilhamento de instalações de transmissão.
O complexo Santa Eugênia reúne atualmente 519 MW de capacidade eólica e 163 MW de capacidade solar, segundo informações da Statkraft. As usinas solares Sol de Brotas foram desenvolvidas junto aos parques eólicos existentes, aproveitando a infraestrutura de conexão disponível.
A estratégia reduz a necessidade de implantação de estruturas de conexão independentes para cada empreendimento e permite combinar diferentes perfis de geração no mesmo ponto de conexão.
Investimento de R$ 926 milhões
A implantação do complexo Sol de Brotas faz parte de um investimento anunciado pela Statkraft de aproximadamente R$ 926 milhões. O projeto contempla a expansão da geração solar associada aos complexos eólicos existentes no interior da Bahia.
A companhia anunciou a implantação de projetos solares híbridos associados aos complexos Ventos de Santa Eugênia e Morro do Cruzeiro, com o objetivo de combinar geração solar e eólica e aproveitar a infraestrutura elétrica existente.
Com a incorporação do sistema de armazenamento à Sol de Brotas 7, o projeto passa a reunir três tecnologias: solar fotovoltaica, geração eólica e baterias.
Armazenamento avança para a etapa operacional
Quando autorizou a incorporação do SAE à Sol de Brotas 7, em abril, a Aneel estabeleceu as condições para a operação do sistema colocalizado, incluindo o compartilhamento das instalações de conexão, medição e faturamento.
Agora, com o início da operação em teste, o projeto passa a oferecer uma referência prática para a utilização de baterias associadas à geração centralizada no país.
O avanço ocorre enquanto o setor elétrico discute a ampliação do papel dos sistemas de armazenamento na integração de fontes renováveis variáveis, especialmente diante do crescimento da geração solar e eólica e da necessidade de maior flexibilidade do sistema elétrico.
A experiência da Statkraft permitirá acompanhar, em condições reais de operação, o uso de um sistema de baterias conectado a uma usina solar e integrado a um complexo que combina diferentes fontes renováveis.



