Patente da UFPA viabiliza retrofit de microrredes solares com baterias de lítio na Amazônia

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Uma tecnologia patenteada pela Universidade Federal do Pará (UFPA) pode reduzir o custo de modernização de microrredes solares instaladas em comunidades isoladas da Amazônia. Desenvolvida pelo Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Alternativas Energéticas (GEDAE), a solução permite integrar baterias comerciais de íons de lítio a sistemas fotovoltaicos já em operação sem a necessidade de substituir inversores, controladores de carga ou outros equipamentos da infraestrutura existente.

A inovação foi concebida para aumentar a autonomia energética de sistemas off-grid implantados em localidades remotas, onde a substituição completa do banco de baterias normalmente representa uma das etapas mais caras da modernização. Com a nova tecnologia, o retrofit pode ser realizado aproveitando a infraestrutura já instalada, reduzindo investimentos e prolongando a vida útil dos sistemas.

Além do fornecimento de eletricidade para residências e edificações comunitárias, a arquitetura desenvolvida pelo GEDAE também prevê a recarga de pequenas embarcações elétricas utilizadas nos deslocamentos locais. A funcionalidade amplia o potencial de aplicação das microrredes solares em comunidades ribeirinhas, onde os barcos são o principal meio de transporte e o acesso a combustíveis fósseis costuma ser limitado e oneroso.

A proposta responde a um desafio recorrente da eletrificação da Amazônia. Grande parte das microrredes solares implantadas na região utiliza bancos de baterias convencionais, principalmente chumbo-ácido, cuja substituição por baterias de lítio costuma exigir adaptações significativas no sistema elétrico. A solução desenvolvida pela UFPA elimina essa necessidade ao criar uma interface compatível com equipamentos existentes, permitindo a adoção de tecnologias mais modernas de armazenamento sem a reconstrução da microrrede.

O desenvolvimento faz parte de uma linha de pesquisa do GEDAE voltada ao atendimento de comunidades isoladas da Amazônia por meio de microrredes em corrente contínua. Nos últimos anos, o grupo implementou projetos-piloto em comunidades ribeirinhas, substituindo geradores movidos a combustíveis fósseis por sistemas fotovoltaicos com armazenamento de energia. Um dos projetos atende atualmente oito residências e uma igreja na Ilha das Onças, em Barcarena (PA), demonstrando a viabilidade da tecnologia em condições reais de operação.

Além da nova patente, o grupo também desenvolve pesquisas envolvendo baterias de segunda vida para armazenamento distribuído em microrredes, buscando reduzir custos e ampliar a sustentabilidade dos sistemas isolados. Outra frente de atuação envolve parcerias com a indústria, como a colaboração firmada com o Grupo Moura para fornecimento de baterias estacionárias destinadas a aplicações solares em comunidades remotas.

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