Infraestrutura de recarga para VEs supera 25 mil pontos e cresce 21% em três meses

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A infraestrutura pública e semipública de recarga para veículos elétricos no Brasil alcançou 25.429 pontos em maio de 2026, um crescimento de 20,7% em relação a fevereiro deste ano, quando o país registrava 21.060 eletropostos. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) em parceria com a plataforma de mobilidade elétrica Tupi.

O avanço da rede ocorre em paralelo à expansão da frota nacional de veículos elétricos plug-in, que já soma 505.806 unidades entre modelos totalmente elétricos (BEV) e híbridos plug-in (PHEV). A relação atual é de aproximadamente 19,9 veículos por ponto de recarga.

Do total da frota eletrificada, 266.752 veículos (52,7%) são híbridos plug-in, enquanto 239.054 unidades (47,3%) correspondem a veículos 100% elétricos, que dependem integralmente da infraestrutura de carregamento.

Carregadores rápidos ampliam participação na rede

A expansão continua sendo liderada pela recarga rápida em corrente contínua (DC). O número desses equipamentos passou de 6.479 para 8.601 unidades em apenas três meses, crescimento de 32,8%.

Com isso, os carregadores rápidos passaram a representar 33,8% da infraestrutura nacional, ante 30,8% registrados no levantamento anterior.

Já os carregadores em corrente alternada (AC), utilizados principalmente em recargas de longa permanência, também apresentaram aceleração relevante. O número de pontos aumentou de 14.582 para 16.828, avanço de 15,4% no período.

Segundo a ABVE e a Tupi, o desempenho dos equipamentos AC marca uma mudança de tendência. No levantamento anterior, esse segmento havia crescido apenas 17,6% ao longo de doze meses.

A retomada coincide com a entrada em vigor da Lei 18.403/2026, em São Paulo, que assegura o direito à instalação de carregadores em vagas privativas de condomínios, reduzindo uma das principais barreiras à recarga residencial.

Para Davi Bertoncello, diretor executivo da Tupi e diretor de Comunicação da ABVE, dois movimentos explicam os resultados do trimestre.

“Os carregadores lentos, que vinham em baixa, reagiram. A regulamentação de São Paulo garantindo o direito à instalação de carregadores em condomínios tem papel direto nesse movimento. Ao mesmo tempo, o crescimento dos carregadores rápidos começa a ser impulsionado por uma nova geração de equipamentos ultrarrápidos, com potências que chegam a 480 kW e múltiplas posições de recarga”, afirmou.

Segundo o executivo, o mercado brasileiro entrou em uma nova etapa de desenvolvimento.

“O Brasil saiu da fase de teste e entrou na fase de escala. Estamos construindo a infraestrutura energética que vai sustentar a eletrificação do país.”

Norte lidera crescimento da infraestrutura rápida

A expansão da infraestrutura ocorreu em todas as regiões brasileiras, mas com ritmos distintos.

A região Norte registrou o maior crescimento proporcional do país, com aumento de 30,7% no número total de pontos de recarga e avanço de 51% nos carregadores rápidos DC. O resultado indica uma expansão fortemente associada a corredores rodoviários e logísticos, onde a recarga de alta potência é considerada estratégica.

O Centro-Oeste apresentou crescimento de 23,7% na rede total e de 36,3% nos carregadores rápidos. Já o Sul avançou 23,4% no total de eletropostos e 35,8% em infraestrutura DC.

No Nordeste, a rede cresceu 20,5%, enquanto os carregadores rápidos aumentaram 33,7%. O Sudeste, que concentra a maior base instalada do país, registrou crescimento de 18,1% no total de pontos e de 25,7% nos equipamentos de recarga rápida.

Os dados mostram que a infraestrutura nacional está migrando gradualmente para um perfil mais voltado à recarga de alta potência, acompanhando a evolução tecnológica dos veículos e a necessidade de viagens de longa distância.

Cobertura chega a 1.788 municípios

Além da expansão em volume de carregadores, a cobertura territorial também avançou.

Em maio, 1.788 municípios brasileiros já contavam com infraestrutura pública ou semipública de recarga, frente aos 1.649 registrados em fevereiro, crescimento de 8,4%.

O Nordeste liderou a expansão territorial, com aumento de 9,7% no número de cidades atendidas, seguido pelo Centro-Oeste, com alta de 9,2%.

Segundo as entidades, o avanço demonstra que a eletromobilidade está deixando de se concentrar nas capitais e grandes centros urbanos para alcançar cidades médias, destinos turísticos e corredores de transporte.

Infraestrutura acompanha amadurecimento do mercado

O crescimento simultâneo da frota e da infraestrutura reforça o amadurecimento do mercado brasileiro de mobilidade elétrica. Além da ampliação dos investimentos privados em redes de carregamento, a combinação entre novas tecnologias de recarga ultrarrápida e avanços regulatórios tende a acelerar a capilarização da infraestrutura nos próximos anos.

Com mais de 25 mil pontos instalados e presença em quase 1.800 municípios, o país amplia as condições para sustentar o avanço das vendas de veículos eletrificados e reduzir uma das principais barreiras à adoção da tecnologia: a disponibilidade de recarga.

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