Grupo CISA Compartilha as Lições da Eletrificação de Sua Frota de Transporte Público

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No âmbito da nona edição do “Latam Mobility México 2026”, realizada no World Trade Center da Cidade do México, aconteceu uma entrevista de destaque com Gerardo Rivas, engenheiro e assessor de eletromobilidade do Grupo CISA, que conversou com Andrés García, diretor de mobilidade da Invest in Latam.

Durante o diálogo, Rivas compartilhou a experiência do Grupo CISA como pioneiro na eletrificação do transporte público no México, os desafios financeiros e operacionais que enfrentaram, e os aprendizados que podem servir de guia para outros operadores da região.

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Grupo CISA: Pioneiro do Transporte Elétrico no México

O Grupo CISA é o principal grupo de transporte urbano do México. Segundo detalhou Gerardo Rivas, a empresa opera mais de 2.000 unidades, das quais 200 já são elétricas. Esse esforço, destacou, vem sendo construído ao longo dos últimos três anos e exigiu uma equipe comprometida e uma empresa preparada para os desafios que a eletromobilidade impõe.

Dados verificáveis respaldam essa trajetória: o Grupo CISA celebrou 20 anos como a primeira empresa operadora do Metrobús, e nesse tempo migrou para tecnologias que vão desde Euro 5 e 6, diesel de ultrabaixo teor de enxofre, gás natural e ônibus elétricos.

Até janeiro de 2025, 130 unidades do Grupo CISA representavam 17,5% da frota de ônibus elétricos no México, com um investimento inicial superior a 1,1 bilhão de pesos. A operação elétrica do grupo começou em dezembro de 2023 com 55 ônibus BYD, e foi ampliada gradualmente com unidades de 9,5 metros para reforçar o serviço entre o aeroporto e o centro da cidade.

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Lições Aprendidas: Financiamento, Segurança Jurídica e Modelos de Negócio

Ao ser questionado sobre as lições que a eletrificação de frotas deixou, Gerardo Rivas explicou que adquirir uma frota elétrica não é como comprar um veículo a diesel, pois o custo é elevado e é necessário financiamento especializado. “Não é qualquer um que está pronto para te dar um financiamento dessa envergadura”, afirmou, e acrescentou que é fundamental buscar financiadores que tenham segurança jurídica, já que às vezes os modelos não oferecem essa segurança.

Outro obstáculo apontado por Rivas é a coordenação com a autoridade: “Você pode sentar com a autoridade e pode parecer que ela também não está pronta para fazer isso com você”. Apesar disso, destacou que o financiamento tem sido um desafio muito grande, mas conseguiram obtê-lo após processos longos.

O modelo financeiro, ressaltou Rivas, determina tudo. “Se o modelo financeiro não dá a segurança para que você possa ter um negócio rentável, não vai acontecer”, sentenciou, e disse que o setor financeiro busca que o negócio seja sustentável ao longo do tempo, com a rentabilidade esperada.

Um fator crítico, acrescentou, é que, ao trabalhar com governos, estes devem ter recursos mensais disponíveis para cumprir os pagamentos, e insistiu que a segurança jurídica deve acompanhar o projeto ao longo do tempo, já que as unidades elétricas precisam durar 15 anos, não cinco.

“Nós nos casamos com o fabricante, nos casamos com o governo, nos casamos como empresa, e é um compromisso muito grande”, afirmou.

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A Transformação Interna: Capacitação e Operação de Pátios Elétricos

Um dos aspectos mais relevantes da entrevista foi o relacionado à transformação interna que a eletromobilidade exige.

Gerardo Rivas foi enfático: “Quando você entra na eletromobilidade, não é simplesmente trocar unidades; a organização tem que se transformar”. Isso implica especializar o pessoal de manutenção e de operação, pois os motoristas devem conhecer os ciclos de carga e fazer um uso adequado de uma unidade que é muito cara e que deve ser cuidada.

Rivas compartilhou um dado revelador sobre a operação de pátios: “Um dos nossos pátios tem 22 carregadores para 71 unidades”. O trabalho noturno, descreveu, é titânico, mas o pessoal operacional no pátio o realiza com eficácia: “Às 4h30 da manhã temos 31 unidades carregadas a 100% diariamente; não há um dia em que isso não aconteça”.

Tal feito, ressaltou, “não é qualquer um que faz”, e demonstra que é possível otimizar a infraestrutura de carregamento sem a necessidade de um carregador por veículo.

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O Modelo Bem-Sucedido: Pagamento por Quilômetro e Infraestrutura Governamental

Ao abordar qual é o melhor modelo para a eletrificação do transporte público, Gerardo Rivas foi claro: “A eletromobilidade não é para o homem-caminhão”, ou seja, não é viável para operadores que trabalham por demanda em corredores urbanos convencionais.

“A demanda não vai justificar o projeto para você”, advertiu, referindo-se a empresas na Cidade do México que operam corredores sob demanda.

O melhor modelo, segundo sua experiência, é o do Metrobús e transportes elétricos em que o modelo financeiro garante um pagamento por quilômetro, e em que o governo instala a infraestrutura, seja catenária ou carregadores, dependendo do órgão regulador.

“Esse é o melhor modelo financeiro”, afirmou Rivas, porque então o trabalho do operador é operar, cuidar da frota e fazer com que dure 15 anos.

No entanto, advertiu que isso vem acompanhado de uma negociação com os fabricantes: “Preciso que minhas baterias tenham durabilidade de 15 anos; que essas baterias tenham garantia e eu me caso com esse fabricante. Ele tem que me garantir a pós-venda, tem que me garantir tudo ao longo do tempo”.

Por isso, concluiu, “é tão importante a decisão de com quem você vai se casar e que marca vai adquirir”.

A Percepção do Usuário e o Desafio de Democratizar a Eletromobilidade

Quanto à percepção do usuário final, Gerardo Rivas classificou a experiência como boa ou excelente. “Quando o usuário tem consciência, sabe que as unidades não são ruidosas. Sabe que, ao usar uma unidade elétrica, faz parte dessa mudança, dessa transição de deixar de poluir o meio ambiente”, explicou.

No entanto, reconheceu que nem todos os usuários sabem disso: “Há pessoas que entram em uma unidade elétrica e não sabem”.

Rivas identificou aqui uma tarefa pendente: “Falta o como transmitir o porquê. Como você democratiza a eletromobilidade por meio do transporte público?”. Para ele, democratizar significa “chegar à maior parte da população para que ela possa acessar veículos elétricos”.

Por isso, fez um chamado à ação conjunta: “Temos que falar sobre isso, temos que dizer: Ei, você está em um ônibus elétrico, temos a oportunidade de fazer isso, vamos fazer juntos”. Reconhece que falta um pouco mais de esforço, um trabalho de “evangelização” junto ao usuário final, para que ele se sinta parte da mudança e não apenas as empresas no nível B2B.

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A Eletromobilidade como Negócio que Exige Regras Claras

No encerramento da entrevista, Andrés García pediu a Gerardo Rivas uma mensagem final para quem ainda vê a eletromobilidade com medo ou paradigmas. A resposta foi contundente: “A eletromobilidade é um negócio e os negócios exigem regras”.

Rivas enumerou os passos indispensáveis: “Vem a assessoria jurídica. Vem a análise de que unidade você vai adquirir, as garantias que vai obter por essas unidades e o entorno. Todo esse ecossistema tem que estar perfeitamente bem ligado”.

Advertiu que, se não se tem consciência do que se adquire, com quem se assina e quem é o garantidor, não se alcançará um negócio bem-sucedido. “Asseguro a você que não vão passar nem 3 ou 4 anos e você vai ter problemas e seu negócio não vai ser viável”, sentenciou. “O que você precisa é que seu negócio seja viável ao longo do tempo”, ressaltou, e afirmou que o Grupo CISA conseguiu isso.

Finalmente, estendeu um convite aberto: “Se houver operadores que queiram receber assessoria, fazemos com muito prazer. Nosso diretor-geral sempre disse: o Grupo CISA está aberto para apoiar todos aqueles que querem evoluir e fazer a transição para a eletromobilidade”.

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