Chile projeta até 58 GW de nova capacidade solar até 2057

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O Chile poderá instalar entre 27 GW e 58 GW de nova capacidade fotovoltaica nos próximos 30 anos, de acordo com o  Preliminary Report of the Long-Term Energy Planning (PELP) 2028-2032, elaborado pelo Ministério da Energia.

A projeção contempla cinco cenários distintos, influenciados por diferentes trajetórias de crescimento econômico, custos dos combustíveis, evolução tecnológica e políticas energéticas. O modelo considera uma capacidade solar instalada de 12.015 MW, incluindo usinas de grande porte e sistemas de geração distribuída de pequeno porte. Também incorpora 490 MW adicionais de instalações enquadradas no sistema de net billing, descontados diretamente da demanda na modelagem.

As projeções do relatório servirão de base para os planos anuais de expansão da transmissão elaborados pela Comissão Nacional de Energia do Chile. O documento também estima uma expansão entre 16 GW e 27 GW de capacidade eólica onshore.

Expansão da energia solar no norte avança com baterias

Em todos os cinco cenários, a expansão ótima do Sistema Elétrico Nacional depende principalmente da instalação de novos empreendimentos fotovoltaicos no norte do país e de parques eólicos terrestres nas regiões de Maule e Biobío, no centro-sul do Chile.

O desenvolvimento da energia solar fotovoltaica aparece associado à incorporação de sistemas de armazenamento por baterias (BESS), especialmente nos cenários que consideram preços mais elevados para combustíveis fósseis, aposentadoria de usinas a carvão e inclusão de um imposto sobre emissões de dióxido de carbono nos custos variáveis de geração.

O modelo parte de uma base de 4.078 MW de sistemas BESS instalados ou em construção até o fim de 2026, com duração média de armazenamento de 4,3 horas. A maior parte dessa capacidade está concentrada no norte do país: 56% em Antofagasta, 15% em Atacama e outros 15% em Tarapacá.

O relatório identifica a necessidade de sistemas de armazenamento com maior duração para os novos investimentos. Em vários cenários, soluções com seis e oito horas de armazenamento representam uma parcela significativa da expansão, devido à necessidade de deslocar a geração solar para o período noturno e aumentar a flexibilidade durante intervalos de menor irradiância solar.

As baterias são a única tecnologia de armazenamento considerada para nova capacidade ao longo do horizonte de planejamento. O modelo não prevê expansão de usinas hidrelétricas reversíveis, armazenamento térmico ou outras tecnologias emergentes.

O documento também analisa pela primeira vez a energia eólica offshore. Essa tecnologia aparece em três dos cinco cenários, desde que seus custos apresentem redução moderada ou significativa. A implantação mais precoce ocorre em 2041, enquanto nos demais cenários ela surge a partir de 2048.

Ao final do período analisado, pelo menos 83% da geração anual de eletricidade deverá ser proveniente de fontes solar fotovoltaica e eólica. O corte de geração (curtailment) das fontes renováveis deverá representar entre 9% e 12% da produção de energia, acima dos 7% considerados como referência para a situação atual.

Reforços na transmissão em 500 kV e 220 kV

A expansão das energias renováveis exigirá novos investimentos em transmissão. O relatório aponta a necessidade de ampliar em pelo menos 1.750 MVA a capacidade do corredor Charrúa–Ancoa–Alto Jahuel–Lo Aguirre, em 500 kV. Esse reforço permitirá transportar a geração eólica da região centro-sul para os principais centros de consumo e para o norte do país, por meio da futura linha Kimal–Lo Aguirre.

O plano também prevê ampliações na rede de transmissão em 220 kV. Algumas linhas precisarão aumentar sua capacidade atual em até seis vezes em todos os cenários analisados. As maiores necessidades concentram-se nas regiões de Antofagasta e Maule.

Demanda por energia pode crescer até 47,8%

Os cenários projetam um crescimento da demanda nacional de energia entre 4,1% e 47,8% no período analisado. O resultado depende principalmente da evolução do Produto Interno Bruto (PIB) e do grau de eletrificação da economia.

O setor de transportes permanece como o maior consumidor de energia, enquanto os cenários regulatórios preveem maior adoção de carros, táxis e ônibus elétricos, além do uso de hidrogênio no transporte pesado.

Os setores de mineração e indústria também ampliam seu consumo de eletricidade, enquanto os data centers surgem como uma nova fonte estrutural de demanda. O relatório estima que a capacidade instalada de data centers era de 198 MW em 2024, podendo alcançar aproximadamente 594 MW em 2030 e 900 MW em 2057.

Pessoas físicas e instituições registradas no processo do PELP poderão enviar comentários ao relatório até 24 de agosto. Em seguida, o Ministério da Energia elaborará a versão final do documento e, após uma nova etapa de revisão, publicará o decreto correspondente de planejamento energético.

Da pv magazine Global

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