Em entrevista à pv magazine Brasil, a BYD anunciou que reafirmou o investimento de R$ 500 milhões na implantação de uma estrutura industrial para produção de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) no Brasil. O aporte será realizado de forma faseada e crescente, acompanhando a evolução da demanda e do mercado, com o objetivo de criar capacidade industrial local para a tecnologia.
“O investimento de até R$ 500 milhões será direcionado à infraestrutura necessária para produzir sistemas BESS no Brasil. O aporte será feito de forma faseada e crescente, acompanhando a evolução da demanda e do mercado”, afirma o Diretor de Armazenamento de Energia da BYD Brasil, Nelson Stanisci.
A estratégia inclui a nacionalização progressiva da cadeia de fornecimento. De acordo com Stanisci, a empresa pretende buscar o maior número possível de componentes produzidos no país, além de estimular o desenvolvimento de fornecedores e a formação de mão de obra especializada. A nova linha de montagem ou unidade fabril tem previsão inicial de gerar entre 300 e 400 empregos diretos.
“O objetivo é desenvolver uma cadeia de suprimentos local e buscar o maior número possível de componentes produzidos no Brasil. Isso significa estimular fornecedores, fortalecer a indústria e preparar profissionais para acompanhar o crescimento dessa tecnologia”, diz o executivo.
Ecossistema de parceiros
O investimento anunciado está associado à implantação da operação da própria BYD no país e, neste momento, não contempla a aquisição de sistemas BESS de terceiros, segundo a companhia.
A empresa, porém, pretende atuar em conjunto com diferentes agentes do mercado para viabilizar projetos. O modelo prevê um ecossistema formado por investidores, utilities e integradores, que poderão assumir diferentes funções na estruturação comercial e na implantação dos sistemas.
A BYD afirma que sua atuação está concentrada no fornecimento da tecnologia, dos equipamentos e do conhecimento acumulado no desenvolvimento de baterias. A partir da rede de parceiros, poderão ser estruturados diferentes modelos comerciais, inclusive o conceito de BESS as a Service.
“O mercado de armazenamento reúne projetos com características, necessidades financeiras e modelos de contratação muito diferentes. A BYD entra com tecnologia, equipamentos e conhecimento acumulado em baterias, enquanto os parceiros podem desenvolver a solução comercial e de implantação mais adequada para cada cliente”, explica o diretor da BYD.
De acordo com a fabricante chinesa, a estratégia não é concentrar todas as etapas dos projetos internamente, mas construir uma estrutura capaz de levar as soluções de armazenamento a diferentes aplicações e modelos de negócio.
Capacidade para diferentes projetos
A empresa ainda não detalhou a capacidade de produção do novo empreendimento, mas afirmou que a estrutura planejada terá capacidade para atender uma parcela relevante da demanda esperada para o mercado brasileiro, incluindo o volume associado ao Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP).
A futura operação deverá contar com suporte de engenharia para a fabricação de módulos e sistemas de armazenamento destinados a projetos de diferentes dimensões, com possibilidade de atendimento também ao mercado latino-americano.
A estratégia industrial ocorre em um momento de expansão das aplicações de BESS no país. Além da expectativa de novas demandas associadas ao sistema elétrico, a companhia identifica oportunidades entre grandes consumidores de energia.
Geração renovável e grandes consumidores
Para a BYD, o crescimento do armazenamento no Brasil deverá ocorrer principalmente em duas frentes. A primeira está relacionada à necessidade de maior flexibilidade do sistema elétrico, diante da expansão de fontes renováveis variáveis, como solar e eólica.
A segunda envolve grandes consumidores, especialmente segmentos como mineração e agronegócio, nos quais a escala das operações, a necessidade de segurança energética e o impacto dos custos de eletricidade podem favorecer a adoção de baterias.
“Como essas fontes têm geração variável, o armazenamento passa a ter um papel cada vez mais estratégico para equilibrar oferta e demanda e aproveitar melhor a energia disponível no sistema”, afirma Nelson Stanisci, Diretor de Armazenamento de Energia da BYD Brasil.
A companhia também vê espaço para aplicações comerciais e industriais e para projetos associados à geração renovável. Nesse cenário, o mercado deverá combinar grandes sistemas conectados ao sistema elétrico com instalações nas quais empresas utilizem baterias como parte de sua própria estratégia energética.
Experiência no mercado brasileiro
Embora o investimento anunciado marque um movimento de expansão da capacidade industrial, a BYD já possui projetos de armazenamento em operação no Brasil. A companhia atua junto a integradores solares e clientes industriais, com soluções destinadas a diferentes escalas e aplicações.
Entre os projetos citados pela empresa está um sistema de armazenamento associado a uma usina fotovoltaica em Uberlândia (MG), desenvolvido em parceria com a Cemig e a Alsol Energia Renováveis. O projeto utiliza baterias BYD e possui potência máxima de 1,26 MVA e capacidade de armazenamento de 1,36 MWh.
Para a companhia, a experiência acumulada nesse tipo de aplicação constitui uma base para a expansão do negócio no país.
Conteúdo local
A produção nacional também está relacionada à estratégia da BYD para atender ao desenvolvimento do mercado regulado de armazenamento. A empresa afirma acompanhar a evolução das regras para o segmento e cita a Portaria Normativa nº 136, do Ministério de Minas e Energia (MME), como um dos elementos que contribuíram para dar maior segurança ao desenvolvimento da indústria.
A companhia não confirma, neste momento, participação específica como fornecedora nos leilões previstos para o setor. Em relação ao conteúdo local, entretanto, afirma que a produção brasileira é parte central de sua estratégia.
“O processo envolve desenvolvimento de fornecedores, formação de mão de obra e criação de escala para que a indústria local consiga acompanhar a evolução do mercado. É justamente por isso que o investimento industrial anunciado pela BYD é uma decisão de longo prazo”, diz Nelson Stanisci, Diretor de Armazenamento de Energia da BYD Brasil.
Na avaliação da empresa, a combinação de uma matriz elétrica com participação relevante de fontes renováveis, um sistema de grandes dimensões e uma demanda crescente por flexibilidade cria condições para o avanço do armazenamento no país.
“Queremos construir essa indústria aqui e participar desse desenvolvimento desde o início”, conclui Stanisci.



