Brasil se Prepara para Alcançar o Milhão de Veículos Eletrificados e a Mobilidade Elétrica Já Transforma o Mercado de Combustíveis, Segundo Citi

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O mercado automotivo brasileiro passa por uma transformação sem precedentes. De acordo com os dados mais recentes da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), o país registrou 57.386 matrículas de veículos eletrificados leves – que incluem elétricos puros (BEV), híbridos plug-in (PHEV), híbridos convencionais (HEV) e híbridos flex (HEV Flex) – durante o mês de agosto de 2026.

Com esse volume, a frota acumulada desde 2012 alcançou 950.183 unidadescolocando o Brasil a menos de 50 mil veículos do tão aguardado milhão de eletrificados em circulação.

A ABVE projeta que essa marca histórica será superada ainda neste mês de setembro, consolidando o Brasil como um dos mercados de eletromobilidade que mais crescem no mundo.

O desempenho de agosto não só representa um crescimento de 184% em comparação com o mesmo mês de 2025, mas também confirma que o mercado opera em um novo patamar mensal: pelo segundo mês consecutivo, as vendas ultrapassaram as 50 mil unidades.

O acumulado de janeiro a agosto de 2026 já soma 328.477 unidades comercializadas, o que equivale a um crescimento de 160,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram vendidas 126.071 unidades. Em apenas oito meses, o setor já superou em 47% todo o volume registrado durante o ano inteiro de 2025, que fechou com 223.912 unidades.

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Os Elétricos Puros Lideram o Crescimento e Representam 22% do Mercado

Um dos dados mais reveladores da ABVE é a participação crescente dos veículos eletrificados no mercado total. Em agosto de 2026, os eletrificados representaram 22% das vendas de veículos leves no Brasil, ou seja, 22 de cada 100 veículos novos vendidos no país já são eletrificados.

Dentro desse segmento, os veículos com recarga externa (plug-in), que incluem BEV e PHEV, concentraram 83,1% das vendas de eletrificados em agosto, com 47.701 unidades.

Os veículos 100% elétricos (BEV) lideraram o segmento e alcançaram um novo recorde mensal com 27.166 matrículas, o que representa 47,3% do total de eletrificados. Os híbridos plug-in (PHEV) somaram 20.535 unidades.

A região Sudeste concentrou a maior parte das vendas em agosto, com 24.010 veículos, e o estado de São Paulo liderou entre as unidades federativas com 14.982 matrículas.

A expansão da infraestrutura de recarga acompanha esse crescimento: o Brasil já conta com 25.429 carregadores públicos e semipúblicos para veículos eletrificados.

Brasil

Estudo do Citi: o Impacto da Eletrificação Já é Real e Crescente

A adoção acelerada de veículos eletrificados não está apenas transformando a frota automotiva brasileira, mas já começa a reconfigurar o mapa do consumo de combustíveis no país.

Um estudo do banco americano Citi, citado pela CGTN, conclui que o impacto da eletrificação sobre a demanda de gasolina e etanol “já é real e crescente” , embora ainda seja modesto.

Segundo as estimativas da instituição, em 2025 os veículos eletrificados deslocaram 700 milhões de litros de gasolina e etanol, uma cifra equivalente a cerca de 1% da demanda doméstica de ambos os combustíveis.

“Estamos sentindo o impacto do consumo de combustível proveniente desses veículos eletrificados. Os cenários futuros indicam uma alta no Brasil de veículos eletrificados”, afirmou Gabriel Barra, analista do Citi e autor do estudo junto com Pedro Gama e Pedro Ferreira de Mello.

O cenário considerado mais provável pelo Citi projeta que os veículos elétricos e híbridos deslocarão cerca de 5 bilhões de litros de gasolina e etanol em 2030, equivalentes a 8% da demanda efetiva, e 9 bilhões de litros em 2040, quando representariam 14% do total.

Em um cenário mais agressivo de penetração dos veículos elétricos, o uso de gasolina e etanol poderia cair em 2040 até 27% abaixo do pico.

Mudança Estrutural na Matriz Energética do Transporte

O relatório do Citi considera que a eletrificação crescente representa uma mudança estrutural e de longo prazo na matriz energética ligada ao transporte. Segundo suas projeções, o consumo de combustíveis do chamado ciclo Otto (gasolina e etanol) ainda crescerá em 2025 e 2026 em linha com a economia, para começar a diminuir a partir de 2027, mesmo que o Produto Interno Bruto (PIB) continue se expandindo.

Os analistas do Citi alertam que o tema deveria acender “uma luz amarela” para empresas do setor de combustíveis como Vibra e Ultrapar, além de grupos de etanol como São MartinhoJalles e Adecoagro.

“A dinâmica sugere que isso deve acelerar, e o mercado pode estar subestimando o quão rápido um ponto de inflexão está se aproximando” , afirma a equipe liderada por Gabriel Barra.

As projeções do Citi consideram uma penetração dos veículos elétricos no Brasil que alcançaria 47% das novas vendas em 2035, em linha com a média global.

Um cenário de adoção mais rápida, utilizando a China como referência, poderia elevar essa participação para 68% no mesmo período. No entanto, o efeito sobre o uso de combustíveis é gradual porque as vendas de novos veículos elétricos demoram para se refletir na frota total, um fenômeno observado em todos os países.

Um Mercado Particular: Biocombustíveis e Eletrificação

O Brasil possui uma característica particular que torna essa mudança especialmente relevante: a maioria dos veículos fabricados no país são biocombustíveis (flex), capazes de utilizar gasolina e etanol – este último produzido principalmente a partir de cana-de-açúcar e, em menor medida, de milho.

Essa particularidade significa que a eletrificação no Brasil não compete apenas com os combustíveis fósseis, mas também com os biocombustíveis, um setor estratégico para a economia nacional.

A transformação do mercado ocorre enquanto o Brasil vive uma rápida expansão do setor automotivo eletrificado, impulsionada em boa medida pela chegada de fabricantes chineses. Entre janeiro e agosto de 2026, as vendas de veículos chineses cresceram 146,6% ano a ano, e a montadora BYD se tornou a quarta maior fabricante de automóveis do país, além de avançar com a abertura de uma planta de produção em território brasileiro.

O crescimento dos veículos eletrificados contrasta com o ainda reduzido peso que têm na frota automotiva total. Segundo a consultoria americana Integrate Data Facts (IDF), esses veículos representaram 21,1% das vendas totais em julho de 2026, embora ao final de 2025 constituíssem apenas 1,3% da frota de veículos leves em circulação.

Essa lacuna entre vendas e frota acumulada explica por que o impacto sobre o consumo de combustíveis, embora crescente, ainda é moderado.

Brasil
Foto: BYD

Um Futuro de Transformação Acelerada

A combinação de vendas recordes, expansão da infraestrutura de recarga e crescente competitividade de preços está impulsionando uma transformação acelerada do mercado automotivo brasileiro.

A redução da diferença de preços em relação aos veículos tradicionais é uma das razões do avanço dos modelos eletrificados. Em 2012, quando foi lançado no Brasil o primeiro veículo eletrificado importado, o mercado era praticamente inexistente.

A ABVE destaca que o ritmo atual de crescimento, com uma média mensal de vendas em 2026 de 41.060 unidades – 260% superior à média de 2025 –, indica que o mercado está operando em um novo patamar estrutural.

A sequência de crescimento mensal consecutivo reflete uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro, que cada vez mais valoriza a eficiência energética, o menor custo de operação e a sustentabilidade.

Com o milhão de veículos eletrificados à vista e um impacto crescente sobre o mercado de combustíveis, o Brasil se posiciona como um dos mercados de eletromobilidade mais dinâmicos do mundo, em um processo que redefine não apenas a indústria automotiva, mas também a matriz energética do transporte no país.

Próxima parada: Latam Mobility México 2026

A Latam Mobility Tour 2026 continuará sua jornada pela região, com a próxima parada na Cidade do México, nos dias 12 e 13 de outubro de 2026.

O evento, que já se desenha como o grande encerramento do ano para o setor, reunirá líderes dos setores público, privado, acadêmico e da sociedade civil de toda a América Latina para seguir acelerando a transição para uma mobilidade mais limpa, eficiente e sustentável.

O Latam Mobility México 2026 oferecerá uma plataforma única para aprofundar parcerias, conhecer as mais recentes inovações tecnológicas e traçar roteiros conjuntos que agilizem a descarbonização do transporte na região.

A Latam Mobility reafirma assim seu compromisso de ser o principal hub de transição energética e networking da América Latina – conectando ideias, projetos e pessoas que estão transformando a forma como nos deslocamos.

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