Atlas Renewable estuda até 500 MW em projetos de armazenamento para leilão de reserva de capacidade

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A Atlas Renewable Energy pretende disputar o primeiro leilão de reserva de capacidade voltado a sistemas de armazenamento em baterias (BESS), previsto para o fim deste ano, com um portfólio de projetos que pode chegar a 500 MW de potência. A participação efetiva, no entanto, dependerá das regras finais do certame, incluindo definições sobre remuneração e conteúdo local.

Em entrevista à pv magazine Brasil durante o Greener Summit 2026, o presidente da Atlas Renewable Energy no Brasil, Fabio Bortoluzo, afirmou que a empresa já identificou projetos aptos a participar da disputa, todos eles associados a ativos renováveis existentes.

“A gente tem projetos de até 500 MW mapeados que poderiam participar do leilão. Não sabemos se iremos com toda essa potência, porque o arranjo final vai determinar o quanto a gente entra e quanto o mercado entra”, disse.

Segundo o executivo, a remuneração pela disponibilidade de capacidade é um componente essencial para viabilizar projetos de armazenamento, seguindo a experiência de mercados onde a tecnologia se consolidou. No entanto, ele defende que o modelo brasileiro incorpore mecanismos adicionais de remuneração para tornar os investimentos mais competitivos.

A principal proposta da companhia é permitir que baterias instaladas junto a parques renováveis possam armazenar energia que hoje deixa de ser produzida devido aos cortes de geração (curtailment). Nessa configuração, a energia excedente seria carregada na bateria e despachada posteriormente, reduzindo as perdas financeiras enfrentadas pelos geradores.

“Além da receita pela capacidade, o projeto passaria a contar com uma receita pela perda evitada. A energia que seria cortada é armazenada e injetada em outro momento, melhorando a viabilidade econômica da bateria”, disse.

A Atlas afirma que vem discutindo essa proposta com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), e pretende formalizar a sugestão durante a consulta pública do edital.

Segundo Bortoluzo, a EPE demonstrou compreensão da proposta, mas ainda há necessidade de adaptação técnica para que a possibilidade seja incorporada já neste primeiro leilão.

Conteúdo local

Outro ponto defendido pela empresa diz respeito às exigências de conteúdo local para os sistemas de armazenamento.

Embora reconheça a importância da política industrial e do financiamento oferecido pelo BNDES para equipamentos nacionalizados, a Atlas avalia que a indústria brasileira ainda não atingiu competitividade suficiente para disputar em igualdade de condições com fornecedores internacionais.

Para o executivo, seria mais adequado adotar uma transição gradual, permitindo inicialmente maior utilização de equipamentos importados nesse primeiro momento — a alíquota do imposto de importação para baterias está chegando a 25% —, enquanto a indústria nacional amplia sua capacidade produtiva e desenvolve etapas de maior valor agregado, como a fabricação de células.

“A gente precisa combinar essas duas políticas de maneira razoável. Ao mesmo tempo em que desenvolvemos uma indústria nacional, precisamos garantir que o custo da bateria seja o menor possível para reduzir o custo da energia no país”, afirmou.

Segundo ele, o setor também precisa de um cronograma mais transparente sobre a evolução das exigências de conteúdo local, de forma a oferecer previsibilidade aos investidores e à indústria.

A Atlas também apoia a proposta da EPE de elevar os valores das garantias financeiras exigidas para participação no leilão.

Na avaliação de Bortoluzo, exigências mais robustas ajudariam a restringir a participação a investidores efetivamente capazes de implantar os projetos, reduzindo movimentos especulativos que possam distorcer os preços do certame.

“Uma garantia mais robusta é importantíssima para garantir um número mais fiel da demanda. Isso evita que projetos inviáveis façam ofertas agressivas, reduzam artificialmente os preços e depois não saiam do papel, o que acaba prejudicando toda a tecnologia”, disse.

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