Em entrevista à pv magazine Brasil, o CEO Patrick von Schaaffhausen detalhou virada estratégica da Aldo Solar, com preços competitivos, expansão de portfólio, nova plataforma digital e foco em soluções completas com baterias e eletromobilidade como motores de crescimento.
A Aldo Solar inicia 2026 com sinais claros de retomada e reposicionamento estratégico. Em entrevista à pv magazine Brasil durante a Intersolar Fortaleza, o CEO Patrick von Schaaffhausen afirmou que a empresa vive um “novo momento”, sustentado por diversificação de portfólio, ganho de eficiência operacional e foco em soluções integradas e não apenas na venda de equipamentos.
“A gente saiu de um modelo de compra e venda de equipamento para um modelo de provedor de solução completa”, disse o executivo. “O mercado solar hoje é muito mais do que módulo e inversor. Envolve baterias, eletromobilidade, sistemas híbridos e soluções personalizadas”.
Segundo ele, essa transformação já começa a aparecer nos resultados. “A gente já viu um crescimento de cerca de 50% das nossas vendas no primeiro trimestre de 2026 versus o quarto trimestre de 2025”, afirmou. “E a perspectiva é manter essa trajetória ao longo do ano”.
Portfólio mais amplo e foco em soluções
A estratégia da empresa passa por ampliar sua atuação em nichos considerados de alto crescimento, como armazenamento de energia, mobilidade elétrica e aplicações diferenciadas de geração distribuída.
“A gente busca ter uma gama completa de soluções e trabalhar com fornecedores de alta qualidade”, explicou Schaaffhausen. “Hoje temos desde sistemas tradicionais a baterias, carregadores veiculares e soluções como painéis leves, coloridos e translúcidos”.
Entre os exemplos citados estão aplicações em BIPV (fotovoltaico integrado à edificação), carports solares e sistemas voltados à autonomia energética. “Você pode usar o painel como elemento de design e geração ao mesmo tempo. Isso abre um leque enorme de possibilidades”, destacou.
Engenharia e suporte ganham protagonismo
Com o aumento da complexidade dos sistemas, a empresa também reforçou sua estrutura técnica. “Hoje trabalhamos muito com soluções integradas, então temos um time de engenharia interna para apoiar integradores em projetos mais complexos”, disse.
O executivo reconhece que o mercado passa por uma mudança no perfil dos instaladores. “Nem todos estão preparados. A complexidade aumentou e exige mais capacitação técnica”, afirmou. “O integrador precisa entender a necessidade do cliente e entregar a solução adequada — não apenas vender um kit”.
Nesse contexto, fabricantes também passam a ter papel mais ativo. “O fornecedor deixou de ser passivo e passou a participar mais da solução, apoiando tecnicamente quando necessário”.
Baterias e eletromobilidade no centro da estratégia
Para os próximos anos, Schaaffhausen é direto ao apontar as principais tendências: “O maior crescimento a gente vê em sistemas de bateria e autonomia. Não tem como fugir disso — é a bola da vez”.
Ele também destacou a sinergia com a mobilidade elétrica. “Solar com eletromobilidade é o melhor dos mundos. Você gera sua própria energia e abastece o veículo sem depender da rede”.
A empresa já investe nesse segmento, incluindo projetos de carports solares com carregadores elétricos. “É uma solução ganha-ganha: gera energia, cria sombra e ainda atrai o consumidor”, afirmou.
Mercado em consolidação e disputa por eficiência
Após um período de forte expansão até 2023, o setor entra agora em uma fase de consolidação, segundo o CEO. “Teve muita entrada de players, mais de 100 marcas em pouco tempo. Agora o mercado exige eficiência”.
“Aqueles que tiverem operação mais eficiente e portfólio adequado vão continuar crescendo. Os outros vão ter mais dificuldade”, avaliou.
Ele também destacou que, apesar dos desafios regulatórios recentes, o cenário atual é mais estável. “O ano passado trouxe muita incerteza, o que freou investimentos. Agora estamos em um momento mais calmo, embora as discussões continuem”.
Nova fase da Aldo: competitividade e reconexão com o mercado
Ao comentar percepções de mercado sobre a empresa, Schaaffhausen reconheceu que a Aldo passou por um período de transição — mas garante que a realidade atual é diferente.
“Hoje a gente tem um portfólio muito mais diversificado e preços bastante competitivos”, afirmou. “A Aldo nunca abriu mão de qualidade, mas hoje conseguimos combinar isso com competitividade”.
Ele também destacou investimentos internos relevantes. “O ano passado foi de arrumar a casa: processos, sistemas, time. Agora 2026 é o ano do crescimento”.
Entre as iniciativas está a nova plataforma digital Volt, que permite maior personalização de projetos e propostas. “Antes era um modelo mais engessado, de kits prontos. Hoje o integrador consegue montar a solução conforme a necessidade do cliente”.
Atendimento e pós-venda como diferencial
Apesar das mudanças, o executivo reforça que a essência da empresa permanece. “O que mantém é a confiabilidade, a entrega e o cuidado com o cliente”, disse.
“A gente estruturou uma área de pós-venda robusta, com suporte técnico, manutenção e garantia. Nosso trabalho não termina na venda — ele continua depois”.
Para sustentar o crescimento, a empresa também aposta na reativação de clientes. “Nosso principal foco hoje é reconquistar integradores que já trabalharam com a gente no passado”, revelou.
Em um setor cada vez mais competitivo e complexo, a Aldo Solar almeja se reposicionar como uma plataforma completa de soluções energéticas — e não apenas como distribuidora. “Quem conseguir capitalizar essas novas demandas mais rápido vai sair na frente e estamos prontos para essa próxima fase”, concluiu Schaaffhausen.



