BYD Trucks, FUNO e Grupo Lodemo: O Próximo Passo É a Infraestrutura de Destino

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No âmbito do “Latam Mobility México 2026”, foi realizado o painel em destaque “Infraestrutura de Destino: O Próximo Passo para Consolidar a Mobilidade Sustentável no México”, um espaço que reuniu Rebeca Lara Escalante, da Diretoria de Operação e Administração da Fibra Uno (FUNO); Rodrigo Ramos, gerente de Projetos da BYD Trucks; e Víctor Patricio Cicero, chefe de Mobilidade do Grupo Lodemo. A moderação ficou por conta de Álvaro Villasante, especialista global em transição energética.

A discussão concentrou-se em um tema altamente relevante dentro da agenda da mobilidade sustentável: a necessidade de desenvolver infraestrutura de carregamento que permita consolidar a transição para veículos elétricos no México.

Os participantes concordaram que eletrificar a economia já não é uma conversa exclusiva do setor tecnológico ou automotivo, mas um desafio transversal que envolve investidores, operadores de infraestrutura, montadoras, postos de gasolina, centros comerciais e incorporadores imobiliários.

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Um Olhar Integral Sobre a Cadeia de Valor

Álvaro Villasante abriu o painel destacando que um dos objetivos do “Latam Mobility México 2026” é dar maior visibilidade a quem está investindo capital e projetos na eletrificação da economia. Ele ressaltou que a conversa reunia três grupos fundamentais da cadeia de valor: a infraestrutura de postos de gasolina e serviços, a tecnologia veicular e o investimento imobiliário com presença no México e na América Latina.

Sob essa premissa, fez uma pergunta central: a aposta na eletrificação é apenas um serviço adicional ao cliente ou já constitui uma linha de negócio clara e forte?

Rebeca Lara Escalante, da Fibra Uno (FUNO), respondeu que a eletrificação não deve ser vista como um dilema, mas como uma sequência, e explicou que a empresa conta com mais de 600 imóveis, 568 estacionamentos e mais de 160.000 vagas.

Em 23% de seus imóveis já existe infraestrutura de carregamento, e em seus estacionamentos pagos registram um fluxo superior a 79 milhões de veículos por ano, com tempo médio de permanência de 2 a 3 horas, suficiente para carregar um veículo enquanto o usuário aproveita a experiência em seus centros comerciais.

A executiva apontou que, embora o core business da FUNO seja a locação de espaços, a eletrificação permite que a vaga deixe de ser um custo e se torne uma locação de espaço com venda de energia. “Pode até começar como uma comodidade, mas se paga como negócio e, sem dúvida, está aumentando o valor dos nossos imóveis”, afirmou. Além disso, destacou que a FUNO fornece o espaço, o acesso à rede e ao cliente, enquanto o operador especializado fica responsável pelos carregadores e pela operação.

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BYD Trucks: Produto, Tecnologia e Barreiras a Superar

Rodrigo Ramos, gerente de Projetos da BYD Trucks, explicou que a empresa trabalha no desenvolvimento de caminhões leves, médios e pesados totalmente elétricos, e que seu foco está no design do produto.

Ele apontou que, durante gerações, propôs-se que o usuário final se adaptasse ao produto, mas que hoje o veículo pode ser o elo que funciona como ímã para que mais usuários adotem a mobilidade elétrica. “Imagine se não tivéssemos infraestrutura elétrica para um produto totalmente elétrico: estou vendendo o brinquedo sem pilhas”, comentou.

O representante da BYD Trucks identificou três barreiras principais: a falta de conhecimento por parte do usuário final, a infraestrutura elétrica e o desafio dos fabricantes (OEMs) de oferecer o produto correto. Explicou que, enquanto um veículo residencial pode ser carregado com potências de 7 kW a 11 kW, os caminhões da BYD podem ultrapassar 600 kW apenas em bateria, o que exige uma estratégia de recarga específica.

Acrescentou que o produto deve ir além das dimensões e do desempenho, incorporando tecnologia, conectividade, segurança, garantias e vida útil para gerar maiores receitas para a frota privada.

Grupo Lodemo: Experiência no Varejo e Evolução Natural

Víctor Patricio Cicero, chefe de Mobilidade do Grupo Lodemo, destacou que a empresa está há mais de cinco décadas no setor de varejo voltado à mobilidade, com postos de gasolina, lojas de conveniência e restaurantes. Para a empresa, a eletrificação não é uma comodidade, mas uma evolução natural do mercado. “Estamos animados em acompanhá-los nessa transição”, afirmou.

O executivo explicou que um dos principais objetivos é acompanhar o cliente nessa transição, oferecendo um ponto de recarga, um processo simples e uma espera que valha a pena, para que o usuário possa realizar outras atividades enquanto carrega seu veículo.

No entanto, também manifestou cautela em relação à tecnologia dos carregadores, devido à coexistência de diferentes conectores, potências e equipamentos que evoluem a cada ano. Por isso, o Grupo Lodemo aposta em infraestrutura compatível e escalável.

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Alianças Estratégicas e Operadores Especializados

Os participantes do painel concordaram que a expansão da mobilidade sustentável exige alianças estratégicas. Rebeca Lara Escalante explicou que a FUNO trabalha com diferentes operadores de carregadores e com empresas de frotas, com o objetivo de oferecer variedade em seus centros comerciais. Ela apontou que a aliança perfeita combina espaço e localização, acesso à rede, fluxo de clientes e experiência comercial, enquanto o operador fornece a tecnologia e o serviço.

Rodrigo Ramos destacou que a BYD possui alianças globais que vão desde o financiamento de unidades até a infraestrutura elétrica, buscando um negócio circular que resulte em recompra e nova venda, e acrescentou que as alianças devem ser estratégicas em operacionalidade, espaços, tecnologia e segurança para o operador final.

Por sua vez, Víctor Patricio Cicero mencionou que o Grupo Lodemo faz parte da Go Energy e que também busca se aproximar de montadoras e distribuidoras para antecipar quais veículos e conectores chegarão ao mercado. “Para que eles vendam, temos que colocar a infraestrutura de recarga”, afirmou.

Um dos pontos mais relevantes do painel foi o desafio associado à rede elétrica. Rebeca Lara Escalante advertiu que o principal desafio não está no carregador, mas nas capacidades elétricas, nos transformadores, nas subestações, nos prazos da CFE e na regulamentação em mudança.

Por isso, propôs crescer por etapas, deixar a infraestrutura preparada e instalar carregadores conforme a demanda real. Essa visão foi compartilhada pelos demais participantes, que insistiram que o planejamento deve combinar dados, experiência do usuário, capacidade elétrica e modelos de negócio sustentáveis.

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Metas e Desejos para o Próximo Ano

Na reta final, Álvaro Villasante convidou os participantes do painel a compartilhar um desejo ou uma meta para o próximo ano, rumo ao 10º aniversário da Latam Mobility México.

Rodrigo Ramos defendeu unificar os conectores e buscar um crescimento de 100% até 2027, considerando que a BYD já tem mais de 1.000 caminhões no México. Rebeca Lara Escalante expressou que a FUNO quer continuar firmando alianças estratégicas e passar de 23% para 50% de infraestrutura de carregamento em seus imóveis, para que os clientes continuem escolhendo seus centros comerciais, e Víctor Patricio Cicero desejou que haja mais espaços com veículos elétricos, mais infraestrutura de carregamento e melhor mobilidade para todos no México.

O painel deixou clara uma ideia central: a infraestrutura de destino já não é um complemento secundário, mas o próximo passo para consolidar a mobilidade sustentável no México.

A colaboração entre investidores imobiliários, operadores de recarga, montadoras, postos de gasolina, distribuidoras e autoridades será determinante para acelerar uma transição que, segundo os especialistas, já é uma evolução natural do mercado e uma oportunidade de negócio com impacto ambiental, social e econômico.

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