Energia solar e armazenamento nos planos de governo de Flávio Bolsonaro e Lula

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Energia solar, armazenamento e custo da energia aparecem nos planos de governo dos candidatos ao segundo turno da eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ambos propõem ampliar o uso de fontes renováveis e o armazenamento de energia e citam a redução do custo da eletricidade como parte de suas estratégias para o setor.

Os documentos associam ainda a matriz elétrica de baixo carbono à competitividade industrial, à atração de investimentos e ao desenvolvimento de novas cadeias produtivas, embora com diferentes abordagens e níveis de detalhamento.

Energia mais barata

Ambos os planos colocam a redução do custo da energia entre os objetivos da política energética. O programa de Flávio apresenta medidas diretamente voltadas à composição da conta de luz, como a racionalização de encargos e subsídios cruzados, a redução gradual da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e das fontes incentivadas, além da redução de impostos sobre energia elétrica e combustíveis. A proposta é manter a tarifa social e regular as diferentes fontes tendo como referência o menor preço final para o consumidor.

O plano de Lula também estabelece o barateamento da eletricidade como uma agenda para o próximo governo, mas associa a questão à justiça tarifária e à sustentabilidade econômico-financeira do setor. O documento afirma que será necessário discutir formas de reduzir o custo da energia para consumidores residenciais e empresas.

O programa também cita a nova política de preços da Petrobras, além de medidas para mitigar a volatilidade dos preços dos combustíveis e do gás, e destaca o programa Luz do Povo, que ampliou a gratuidade da conta de luz para famílias inscritas no Cadastro Único com consumo de até 80 kWh por mês.

Renováveis e armazenamento

Os dois candidatos defendem a continuidade da expansão das fontes renováveis e o aumento do armazenamento no sistema elétrico.

O plano de Flávio estabelece como meta posicionar o Brasil, até 2030, entre os principais destinos mundiais de investimentos em transição energética, tendo biocombustíveis, solar, eólica e hidrogênio verde como alavancas. O documento também prevê “implantar um programa de armazenamento de energia, com baterias de grande porte e outras tecnologias”.

A proposta é associada à expansão da rede e à integração de novas fontes renováveis, com o armazenamento apresentado como instrumento para ampliar a segurança energética e contribuir para a redução dos custos.

O plano de Lula, por sua vez, propõe “incrementar a participação de fontes renováveis, ampliar os investimentos em armazenamento e flexibilidade do sistema elétrico” e acelerar a substituição progressiva de combustíveis fósseis por biocombustíveis e combustíveis de baixa intensidade de carbono, incluindo derivados de hidrogênio.

O documento também prevê “abrir uma nova fronteira de investimentos em baterias para melhorar a oferta de energia e a robustez do sistema”. Nesse caso, o armazenamento aparece associado principalmente à flexibilidade e à resiliência do sistema diante da maior participação de fontes renováveis.

Minerais críticos

As baterias também são mencionadas no plano de Flávio como motor de demanda por minerais críticos, citados em ambos os planos.

O plano de Flávio lista lítio, nióbio, grafite, cobre, níquel, urânio e terras raras entre os recursos relevantes para semicondutores, baterias, turbinas eólicas, veículos elétricos, defesa e inteligência artificial. A proposta é combinar esses recursos com a disponibilidade de energia limpa para desenvolver as cadeias produtivas no Brasil.

“Em vez de somente exportar a pedra bruta e comprar de volta o produto acabado, vamos agregar valor no Brasil”, afirma o programa.

A estratégia prevê a atração de capital e tecnologia, além de um marco regulatório considerado estável, licenciamento, incentivos à verticalização, governança e transparência. O documento estabelece ainda que o Estado deverá atuar como regulador e coordenador, e não como empresário.

O programa de Lula também propõe uma política específica para minerais críticos e terras raras, com organização das cadeias produtivas, diferenciação de usos tecnológicos e estímulo ao beneficiamento e à agregação de valor. O objetivo declarado é evitar a simples exportação de matérias-primas estratégicas e ampliar a participação brasileira nas cadeias globais de valor.

Data Centers

Os dois planos identificam os data centers como uma oportunidade associada à disponibilidade de energia renovável, mas estabelecem diferentes condições e prioridades para o desenvolvimento desse mercado.

O programa de Flávio coloca o custo da energia entre os fatores de competitividade para a atração desses empreendimentos. A redução de impostos sobre energia e combustíveis é apresentada como uma das medidas para tornar o Brasil mais competitivo e transformar o país em “polo global de data centers sustentáveis”, aproveitando a matriz elétrica renovável.

O programa de Lula propõe fomentar um ecossistema nacional de tecnologia digital, incluindo a cadeia de data centers e os serviços de nuvem. A expansão desses empreendimentos, segundo o documento, deverá ser acompanhada de salvaguardas socioambientais, como eficiência energética e uso de fontes 100% renováveis, além de contrapartidas de conteúdo local e capacidade computacional para o mercado interno.

Nordeste

Ambos os candidatos propõem a atração de indústrias e consumidores eletrointensivos, como os data centers, para a região Nordeste, que concentra grande parte da produção de energia eólica e solar centralizada.

O plano de Lula cita: “Vamos transformar a região em um polo de atração de plantas industriais eletrointensivas que buscam energia renovável e previsível para produzir com baixa emissão — siderurgia verde, fertilizantes, química, cimento, alumínio, processamento de minerais críticos, hidrogênio de baixo carbono e seus derivados”.

O de Flávio cita: “o Nordeste não é só o passado que resistiu, é o futuro que começa. Tem sol e vento de sobra para ser a capital da energia limpa do país, e é essa energia farta e competitiva que vai atrair os data centers e a nova indústria de tecnologia. Tem as terras raras, matéria-prima sem a qual não existe a economia do século 21.”.

Energia e agronegócio

Os candidatos também endereçam as necessidades e potenciais energéticos de consumidores rurais e agronegócio. O programa de Lula propõe buscar a universalização do acesso à energia elétrica no campo, priorizando fontes renováveis como a solar e a eólica. Também incentiva o aproveitamento de subprodutos da agroindústria para a geração de bioenergia e biogás.

O programa de Flávio Bolsonaro propõe transformar o campo em fonte de energia limpa, implementando as metas de combustível sustentável de aviação (SAF) a partir de 2027 e articulando o Plano Safra com incentivos à produção de biomassa.

Hidrogênio de baixa emissão

O hidrogênio aparece nos dois programas como parte da estratégia de transição energética, mas recebe níveis diferentes de detalhamento.

O plano de Flávio cita uma vez o hidrogênio verde, elencando-o entre as alavancas para posicionar o Brasil entre os principais destinos mundiais de investimentos em transição energética até 2030, ao lado dos biocombustíveis, da energia solar e da eólica.

Lula dedica mais espaço ao hidrogênio de baixa emissão de carbono e o inclui entre as cadeias da estratégia de neoindustrialização. O programa prevê a continuidade do desenvolvimento do marco legal do setor e a atração de plantas industriais eletrointensivas para o Nordeste voltadas à produção de hidrogênio de baixa emissão e seus derivados.

Enquanto os dois programas reconhecem a energia renovável como ativo para a transição energética e para a atração de atividades industriais, as abordagens e níveis de detalhamento das propostas divergem. Os programas de governo de ambos os candidatos podem ser acessados no site do TSE.

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