O Exército Brasileiro ativou em Brasília (DF) o primeiro eletroposto destinado à frota da Força, integrado a um sistema de geração solar e armazenamento de energia instalado no Quartel-General do Exército, no Setor Militar Urbano. O projeto foi desenvolvido em parceria com a Itaipu Binacional e a Fundação Parque Tecnológico Itaipu (FPTI).
O sistema reúne 360 módulos fotovoltaicos, seis inversores e potência total de 90 kW, além de 12 baterias de sódio com capacidade de armazenamento de 282 kWh. A energia gerada atende parte das instalações do Quartel-General e o eletroposto.
Como parte do projeto, a Itaipu cedeu ao Exército, em regime de comodato, um Renault Fluence Z elétrico, com motor de 70 kW, bateria de lítio de 22 kWh e autonomia de até 185 km em condições normais de utilização. O eletroposto pode recarregar até dois veículos simultaneamente.
A operação é acompanhada pelo sistema Mob-i, desenvolvido no âmbito do programa de mobilidade elétrica da Itaipu. A plataforma permite monitorar dados como estado de carga, localização, velocidade e deslocamentos dos veículos, além das emissões de CO₂ evitadas.
Solar e armazenamento
O sistema híbrido permite utilizar a geração fotovoltaica e as baterias para reduzir o consumo de eletricidade da instalação. Em caso de interrupção do fornecimento da rede, o armazenamento pode atuar como fonte de energia para as cargas atendidas.
Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), a expectativa inicial era reduzir em aproximadamente 10% o consumo mensal do complexo, com economia estimada em R$ 30 mil por mês. Em situações de acionamento no horário de ponta, a economia poderia chegar a R$ 60 mil mensais.
O projeto também foi concebido para avaliar soluções de geração e armazenamento em instalações militares localizadas em regiões isoladas. Entre as possibilidades estava a implantação do sistema no Pelotão Especial de Fronteira de Tunuí Cachoeira, no Amazonas, além de outras unidades não atendidas pelo Sistema Interligado Nacional (SIN).
Eletrificação da frota
O Exército possui uma frota superior a 27 mil veículos, entre carros de combate, veículos não blindados e viaturas administrativas, segundo publicação do Observatório Militar da Praia Vermelha. A adoção de modelos elétricos é avaliada inicialmente para aplicações administrativas e deslocamentos de curta distância.
O estudo aponta desafios para a eletrificação de veículos empregados em atividades operacionais, principalmente em relação à autonomia, à infraestrutura de recarga e ao desempenho das baterias em condições de operação.
O projeto-piloto reúne geração fotovoltaica, armazenamento e mobilidade elétrica em uma mesma infraestrutura e poderá servir para avaliar a aplicação dessas tecnologias em outras instalações do Exército.



