O Brasil alcançou 29.866 pontos públicos e semipúblicos de recarga de veículos elétricos em agosto de 2026, segundo atualização da base nacional da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e da Tupi, plataforma de mobilidade elétrica. O número representa 4.437 novos pontos em relação a junho, quando a rede somava 25.429 unidades, e crescimento de 76,9% ante agosto de 2025, com 12.986 novas instalações em 12 meses.
A expansão ocorre em um cenário de crescimento da frota de veículos elétricos plug-in. Considerando BEVs e PHEVs comercializados entre 2022 e agosto de 2026, o Brasil soma 639.133 unidades, o equivalente a 21,4 veículos por ponto de recarga.
Do total da frota, 313.140 unidades, ou 49%, são veículos 100% elétricos (BEV), enquanto 325.993, equivalentes a 51%, são híbridos plug-in (PHEV).
Recarga DC ganha participação
A principal mudança na composição da infraestrutura está na expansão dos carregadores de corrente contínua (DC). Dos 29.866 pontos contabilizados em agosto, 18.469, ou 61,8%, oferecem recarga em corrente alternada (AC), enquanto 11.397, equivalentes a 38,2%, são de recarga rápida em corrente contínua.
A quantidade de pontos DC cresceu 195,6% em 12 meses, passando de 3.855 para 11.397 unidades. A participação desse tipo de carregamento também avançou de forma significativa: era de 16,4% da rede em fevereiro de 2025 e chegou a 30,6% em fevereiro de 2026.
A expansão da recarga rápida também ganhou peso na composição dos novos pontos. Dos 4.433 pontos adicionados entre os levantamentos de junho e agosto, 2.792 eram DC, correspondendo a 63% das novas instalações.
De acordo com o diretor executivo da Tupi e diretor de Comunicação da ABVE, Davi Bertoncello, a expansão da infraestrutura já deslocou o principal questionamento dos consumidores para a disponibilidade de carregadores nos trajetos utilizados.
“Quase 2 mil municípios brasileiros já têm onde carregar um carro elétrico, e mais de mil deles já têm carga rápida”, afirmou. Segundo o executivo, a redução dos custos dos equipamentos, o amadurecimento da tecnologia e o ganho de escala dos operadores contribuíram para a expansão da rede.
Para Bertoncello, o próximo desafio está na conexão das novas cargas à rede elétrica. “O gargalo agora é anterior ao carregador. Está no prazo e nas condições de conexão de uma nova carga à rede”.
Rede AC cresce 41,8%
Apesar do avanço mais acelerado da infraestrutura DC, a rede de carregamento lento também mantém trajetória de expansão. O número de pontos AC passou de 13.025 em agosto de 2025 para 18.469 em agosto deste ano, crescimento de 41,8%.
A infraestrutura AC é predominante em aplicações de permanência prolongada, como condomínios residenciais e comerciais, escritórios, estacionamentos e operações de frotas.
Entre fevereiro e agosto de 2026, São Paulo registrou crescimento de 27% na quantidade de pontos AC, acima da média nacional de 25,3%.
A mudança na composição da rede ocorre, portanto, pela combinação do crescimento da infraestrutura AC com uma expansão mais acelerada dos carregadores rápidos.
Conexão à rede entra no foco regulatório
A infraestrutura de recarga também passa a ser influenciada por mudanças regulatórias relacionadas à instalação dos equipamentos e à conexão das cargas.
Em São Paulo, a Lei 18.403/2026, sancionada em fevereiro, estabelece regras para a instalação de carregadores individuais em vagas privativas de condomínios residenciais e comerciais, condicionando eventuais restrições à adequação técnica e aos requisitos de segurança.
No âmbito nacional, uma diretriz dos Corpos de Bombeiros para pontos de recarga entrou em vigor no primeiro semestre e estabeleceu parâmetros para projeto e vistoria das instalações.
O próximo ponto de discussão está na conexão à rede elétrica. Em 10 de setembro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abriu a Consulta Pública 033/2026, que trata da modernização das regras de conexão de tecnologias como geração distribuída, armazenamento de energia, veículos elétricos e cargas flexíveis.
A consulta pública permanece aberta até 9 de novembro. A ABVE informou que apresentará contribuições ao processo.
Infraestrutura chega a 1.911 municípios
A expansão da rede também ocorre em termos geográficos. A contagem provisória por unidade federativa e código municipal identifica 1.911 municípios com infraestrutura de recarga, 6,9% acima dos 1.787 registrados em junho e 31,6% superior aos 1.452 municípios identificados em agosto de 2025.
Desse total, 1.156 municípios contam com pelo menos um ponto de recarga rápida, ante 1.021 em junho.
No primeiro semestre, o Nordeste apresentou o maior crescimento entre as regiões, de 18,4%, seguido pelo Centro-Oeste, com 15,6%. O Norte avançou 13,3%, o Sul, 10,7%, e o Sudeste, 10,4%.
A participação da recarga rápida varia significativamente entre as regiões. No Norte, os pontos DC representam 58,1% da rede regional; no Nordeste, 49,6%; e no Centro-Oeste, 45,9%. No Sudeste, que concentra 42,4% da infraestrutura nacional, a participação é de 27,9%.
O Nordeste também registrou a maior expansão trimestral, com crescimento de 22,7% no total de pontos e de 40,9% na infraestrutura DC.
São Paulo permanece na liderança entre os estados, com 7.864 pontos, seguido por Paraná, com 2.513; Rio Grande do Sul, com 2.422; Santa Catarina, com 2.333; e Minas Gerais, com 2.295.
Entre os dez maiores estados, Pernambuco apresentou o maior crescimento proporcional no trimestre, de 41,7%. Entre as capitais e localidades identificadas na base, São Paulo lidera com 3.101 pontos, seguida por Brasília, com 1.225; Rio de Janeiro, com 1.071; Curitiba, com 796; e Goiânia, com 531.



