A eletromobilidade no México continua ganhando terreno de maneira sustentada. Ao considerar veículos 100% elétricos e híbridos plug-in, a participação de mercado alcançou cerca de 7% em 2026, enquanto as unidades totalmente elétricas representaram aproximadamente 3,5% das vendas de veículos novos.
Germán Carmona, presidente da Associação Mexicana de Impulso ao Veículo Elétrico (AMIVE), apontou que o principal desafio não é a quantidade de energia disponível, mas a capacidade das redes de distribuição.
“Na infraestrutura do país, o gargalo é a rede de distribuição, não a quantidade de geração”, afirmou Carmona, destacando que a flexibilidade dos veículos elétricos permite deslocar a demanda para horários de menor utilização da rede elétrica.
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Um Mercado em Crescimento Sustentado, mas Desigual
De acordo com o Barômetro da Eletromobilidade da Electro Movilidad Asociación (EMA), no primeiro semestre de 2026 foram vendidos no México 53.430 veículos elétricos, híbridos plug-in e de autonomia estendida, 22% mais do que no mesmo período de 2025.
Desse total, 22.236 unidades foram 100% elétricas e 31.063 híbridos plug-in. Diante de um mercado total de 754.394 veículos leves (o melhor primeiro semestre da história do país), a eletrificação representa pouco mais de 7% do mercado.
Eugenio Grandio, presidente da EMA, advertiu que o México está ficando para trás em comparação com outros países em desenvolvimento: “O Brasil já subiu para 10% este ano. Nós dificilmente vamos chegar a 4%. Já estamos ficando para trás, e não apenas dos países do primeiro mundo. Já estamos ficando para trás de outros países em desenvolvimento.“
Por sua vez, Germán Carmona explicou que a expansão da eletromobilidade não está atualmente limitada pela quantidade de energia disponível, mas pela capacidade das redes de distribuição. O executivo considerou que existe capacidade suficiente para absorver o crescimento atual dos veículos elétricos, embora tenha reconhecido a necessidade de continuar investindo para fortalecer as redes elétricas.
Segundo dados da EMA, se o país quisesse equiparar o impacto das falhas técnicas registradas no sistema elétrico, de cerca de 5,2%, seria necessário incorporar entre seis e sete milhões de veículos plug-in.
A demanda de eletricidade dos veículos plug-in ainda representa uma proporção reduzida do consumo nacional, mas Carmona ressaltou que a flexibilidade dos veículos elétricos para determinar quando e como realizar a recarga representa uma vantagem em relação a outros consumos elétricos, porque permite deslocar parte da demanda para horários de menor utilização da rede.

Mais de 60.000 Conexões, mas Predomínio Residencial
O México encerrou o primeiro semestre de 2026 com 60.932 conexões destinadas à recarga de veículos elétricos, um crescimento de 17,5% frente às 51.860 contabilizadas um ano antes.
A infraestrutura pública e privada instalada permitiu ainda evitar a emissão de 28.505 toneladas de dióxido de carbono equivalente durante os primeiros seis meses do ano. No entanto, mais de nove em cada dez conexões correspondem à infraestrutura privada, enquanto a rede pública ainda representa uma fração reduzida do total.
A infraestrutura de acesso público alcançou 4.653 pontos de recarga, um aumento interanual de 27% frente às 3.665 registradas no mesmo período de 2025. Do total, 3.061 conexões funcionam em corrente alternada e 1.592 em corrente contínua, o que significa que aproximadamente um em cada três pontos públicos já corresponde a recarga rápida.
A infraestrutura privada alcançou 56.279 conexões, um crescimento de 16,8% frente ao primeiro semestre de 2025. Dentro desse universo, 45.238 carregadores estão instalados em residências, equivalentes a cerca de 74% de toda a infraestrutura de recarga contabilizada no México.

O Armazenamento, um Desafio Pendente
A rede elétrica do México ainda não está preparada para suportar uma eletrificação massiva do transporte; além disso, enfrenta o desafio de desenvolver sistemas de armazenamento capazes de acompanhar o crescimento das energias renováveis.
Jorge Gabriel Vázquez Arenas, integrante da Rede Mexicana de Armazenamento de Energia, advertiu que um aumento considerável de veículos elétricos conectados simultaneamente representaria pressão adicional sobre uma infraestrutura que enfrenta dificuldades de fornecimento em algumas regiões.
“A rede ainda não está preparada para o que significa a eletrificação massiva do transporte“, destacou o especialista. Vázquez Arenas indicou que, se um terço do transporte privado estivesse eletrificado, seria necessário ampliar as fontes de geração e a infraestrutura necessária para responder ao aumento da demanda.
O especialista afirmou que também existem empresas interessadas em fabricar pacotes de baterias em território mexicano, mas até agora não foram registrados grandes avanços para fabricar integralmente baterias de íon-lítio no país.
O México conta com capacidades para processar materiais até a eletrônica de potência, integração de pacotes e sistemas de gerenciamento de baterias, ou BMS (Battery Management System).
Incentivos Fiscais e Estratégia Nacional
No âmbito legislativo, a Câmara de Senadores aprovou um ponto de acordo que exorta a titular do Poder Executivo Federal e os titulares dos poderes executivos das 32 entidades federativas a facilitar a transição para a eletromobilidade, fomentando a construção de infraestrutura de recarga para veículos elétricos e híbridos plug-in, assim como propiciando os incentivos que considerem convenientes.
Da mesma forma, foi proposta na Câmara dos Deputados a elaboração e publicação de uma “Estratégia Nacional de Eletromobilidade e Fortalecimento Automotivo” que contemple incentivos fiscais para a atração de investimentos em tecnologia de veículos elétricos, baterias e semicondutores.
No entanto, em 2026 entraram em vigor reformas fiscais que eliminam as isenções permanentes do licenciamento anual para veículos elétricos e híbridos. Sob as novas regras, os veículos elétricos serão elegíveis para a isenção do licenciamento apenas uma vez, no momento de seu registro inicial.
Por outro lado, segundo a BloombergNEF, projeta-se que 66% das vendas de veículos de passageiros no México em 2040 corresponderão a modelos 100% elétricos. Stephan Mothe, analista de pesquisa para América Latina da organização, apontou que as importações de fabricantes chineses como BYD, Geely e Changan Motors têm sido o principal motor desse crescimento, conquistando uma participação estimada de 89% do mercado de veículos elétricos de passageiros no México em 2025.
A EMA prevê que as vendas de carros elétricos e híbridos superem 100 mil unidades em 2026. Jorge Gabriel Vázquez Arenas considera que, para converter o conhecimento técnico em uma indústria nacional, é necessária maior coordenação entre governo, universidades e iniciativa privada.
“Sim, há uma grande massa crítica para proporcionar essa assessoria e até para fabricar a bateria inteira no México“, concluiu Vázquez.

Próxima parada: Latam Mobility México 2026
A Latam Mobility Tour 2026 continuará sua jornada pela região, com a próxima parada na Cidade do México, nos dias 12 e 13 de outubro de 2026.
O evento, que já se desenha como o grande encerramento do ano para o setor, reunirá líderes dos setores público, privado, acadêmico e da sociedade civil de toda a América Latina para seguir acelerando a transição para uma mobilidade mais limpa, eficiente e sustentável.
O Latam Mobility México 2026 oferecerá uma plataforma única para aprofundar parcerias, conhecer as mais recentes inovações tecnológicas e traçar roteiros conjuntos que agilizem a descarbonização do transporte na região.
A Latam Mobility reafirma assim seu compromisso de ser o principal hub de transição energética e networking da América Latina – conectando ideias, projetos e pessoas que estão transformando a forma como nos deslocamos.


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