Dyness amplia atuação no Brasil com novas soluções de armazenamento residencial e C&I

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A Dyness apresentou na Intersolar South America 2026 novas soluções de armazenamento para os mercados residencial, comercial e industrial no Brasil. Entre os lançamentos está o Aquavolt, sistema All-in-One que integra inversor e bateria e foi desenvolvido para aplicações de backup sem a necessidade de conexão com um sistema fotovoltaico.

Segundo Carlos Trotta, country manager da Dyness no Brasil, o equipamento pode ser utilizado em residências e apartamentos nos quais não há condições para instalação de módulos fotovoltaicos. O sistema pode operar tanto em 127 V quanto em 220 V e ser conectado à tomada para carregamento, enquanto uma saída específica alimenta cargas prioritárias.

“É o famoso ‘kit apagão’, especificamente para fazer o sistema de acoplamento AC, para colocar do lado interno, sem ser o fotovoltaico”, explica Trotta.

Na configuração convencional, o Aquavolt requer a instalação por um eletricista para conexão das cargas prioritárias. O executivo também cita aplicações mais simples, como a alimentação de um home office, para suprir a demanda das cargas prioritárias através de conexão simples das mesmas.

A proposta amplia o uso do armazenamento para consumidores que não necessariamente possuem geração solar. Em caso de interrupção ou oscilação da rede, as cargas conectadas ao sistema permanecem alimentadas, em uma operação semelhante à de um nobreak porém mais inteligente pois possibilita toda uma programação, segundo Trotta.

Por ser portátil, o equipamento também pode ser utilizado em aplicações temporárias, como camping e pequenos eventos. O preço estimado para o mercado brasileiro depende do distribuidor, porém o executivo reforça que será um preço muito competitivo, de acordo com as importações que já estão sendo feitas.

Armazenamento e tarifa branca

Outra aplicação apontada pela Dyness está relacionada à gestão do consumo de energia. Com a adoção plena da tarifa branca, o sistema poderá ser programado para carregar nos períodos de menor custo e fornecer energia durante os horários de maior tarifa.

Carlos Trotta é o country manager da Dyness no Brasil. | Imagem: Dyness

“Você poderá programar o equipamento para carregar na menor taxa da tarifa branca e descarregar durante as três horas do fluxo mais caro, no período da noite”, afirma Trotta.

O executivo também identifica uma possível aplicação da tecnologia no setor imobiliário, com a previsão de que novas construções passem a incorporar infraestrutura para cargas prioritárias, assim como já ocorre com pontos destinados ao carregamento de veículos elétricos.

Alta tensão ganha espaço

Além do Aquavolt, a Dyness apresentou soluções de alta tensão (High Voltage) para aplicações residenciais e comerciais. No portfólio estão módulos de 5,12 kWh e unidades de 16 kWh.

Na configuração de 5,12 kWh, o sistema utiliza um BMS e permite empilhar até 15 módulos em uma torre, chegando a uma capacidade de aproximadamente 76 kWh. Segundo Trotta, até 11 torres podem ser conectadas em paralelo, alcançando cerca de 921 kWh em uma instalação interna, isto com o sistema STACK 100.

Stack 100, solução que permite que até 11 torres sejam conectadas em paralelo, alcançando cerca de 921 kWh em uma instalação interna. | Imagem: pv magazine Brasil

As soluções Stack100 possuem proteção IP20, enquanto a empresa também oferece equipamentos para instalação externa com grau de proteção IP65.

O sistema modular permite que o consumidor amplie a capacidade instalada de acordo com o crescimento da demanda. “O cliente comercial ou industrial pode começar com a capacidade que precisa e, após um ano, adicionar outra torre”, diz Trotta.

Outra solução de alta tensão utiliza módulos de 16 kWh. Nesse caso, podem ser instalados até 15 módulos em uma torre, totalizando 240 kWh por torre.

Foco em aplicações comerciais e industriais

A Dyness começou neste ano a ampliar sua atuação no segmento C&I (Commercial & Industrial) no Brasil. Segundo Trotta, a empresa já possui uma base de projetos instalados no Chile, na Argentina e na Europa e espera iniciar os primeiros casos brasileiros.

O executivo ressalta, porém, que projetos de maior porte exigem ciclos comerciais mais longos, que podem levar de seis meses a um ano entre a prospecção e o fechamento.

Para esses projetos, a Dyness trabalha tanto com distribuidores quanto diretamente com grandes integradores e EPCistas. A importação dos equipamentos, contudo, permanece vinculada a uma distribuidora.

Trotta aponta três aplicações principais para viabilizar economicamente sistemas BESS: backup, time shifting — deslocamento do consumo entre horários de menor e maior tarifa — e peak shaving, utilizado para evitar ultrapassagens da demanda contratada.

“O cenário ideal é combinar essas aplicações”, afirma.

A engenharia de pré-vendas da empresa participa da definição dos acessórios e da configuração tecnológica em conjunto com a equipe de engenharia do cliente. A Dyness também acompanha a implantação e o comissionamento, enquanto o suporte posterior fica a cargo da estrutura de pós-venda.

Caso em hotel de Búzios

Entre os projetos já realizados no país, Trotta cita uma instalação em um hotel em Búzios, no litoral do Rio de Janeiro, desenvolvida em conjunto com um distribuidor e uma empresa epcista.

O sistema foi inicialmente instalado com 35 kW. Posteriormente, o cliente ampliou a capacidade em mais 35 kW, chegando a 70 kW.

O caso ilustra, segundo o executivo, a possibilidade de expansão gradual dos sistemas de armazenamento, uma característica também presente nas novas soluções modulares de alta tensão.

Crescimento no mercado brasileiro

Trotta afirma que a Dyness atua no Brasil desde 2020. Nos primeiros anos, entre 2020 e 2022, a empresa concentrou parte relevante de sua atuação em sistemas off-grid. A partir de 2022, segundo o executivo, houve aumento das vendas para sistemas híbridos.

A empresa não entrou nos projetos relacionados ao leilão de energia deste ano e pretende avaliar sua participação em futuras oportunidades. Neste momento, a prioridade é consolidar a presença no mercado residencial.

“O mercado de alta tensão vai crescer muito”, avalia Trotta, que também projeta expansão das aplicações comerciais e industriais no país.

No segmento residencial de maior padrão, a empresa trabalha com soluções nas quais o sistema de armazenamento também precisa atender a requisitos de integração estética. Segundo o executivo, a Dyness oferece baterias de 5,12 kWh para aplicações residenciais e alternativas de maior capacidade e design diferenciado para casas de alto padrão.

Segurança e vida útil

A fabricante também destaca recursos de proteção térmica em seus equipamentos. Segundo Trotta, as baterias contam com indicadores LED para sinalizar o estado do sistema e possuem um mecanismo de proteção que, em situações de temperatura elevada, aciona um aerossol interno para resfriamento e desliga automaticamente a bateria.

A empresa informa ainda uma vida útil de 8.000 ciclos para seus equipamentos.

Para Trotta, a evolução do mercado brasileiro passa pela ampliação das aplicações do armazenamento para além do backup. A combinação entre gerenciamento de demanda, deslocamento de consumo e continuidade do fornecimento pode ampliar a viabilidade econômica dos projetos, principalmente nos segmentos comercial e industrial.

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