A necessidade de aumentar a flexibilidade do sistema elétrico brasileiro diante da concentração da geração renovável no Nordeste e dos gargalos de transmissão para os principais centros de consumo está abrindo espaço para aplicações estratégicas de armazenamento. Em entrevista à pv magazine Brasil durante a Intersolar South America 2026, Edson Nagai, diretor comercial da Great Power no Brasil, destacou o potencial dos sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) para absorver excedentes de geração e disponibilizar energia em momentos de maior demanda ou restrição da rede.
“O Brasil tem uma característica muito particular: temos uma grande concentração de geração no Nordeste, enquanto os maiores centros de consumo estão no Sul e Sudeste. O armazenamento pode ajudar a equilibrar essa diferença, absorvendo energia quando existe excesso e entregando quando a demanda aumenta ou quando há restrições na rede”, afirma o diretor comercial da Great Power no Brasil, Edson Nagai.
A companhia trabalha com sistemas escaláveis que integram baterias, sistema de gerenciamento de baterias (BMS), sistema de gerenciamento de energia (EMS) e sistema de conversão de potência (PCS). O portfólio atende aplicações comerciais e industriais (C&I), usinas solares, sistemas de backup e suporte à rede.
Células LFP
A estratégia da Great Power é sustentada pela fabricação própria de células. A empresa conta com 12 mil funcionários, 12 fábricas e 2.200 profissionais dedicados a pesquisa e desenvolvimento.
Entre os destaques estão as células LFP (fosfato de ferro-lítio) das séries de 588 Ah e 648 Ah, com vida útil projetada para superar 10 mil ciclos, dependendo das condições de operação. A empresa também destaca modelos de 158 Ah.
“A vida útil é um dos pontos importantes. Nossas células foram projetadas para superar 10 mil ciclos, além de oferecer estabilidade térmica e química, alta eficiência e baixa degradação”, diz Nagai.
Os sistemas são projetados para operar em diferentes condições ambientais, com a empresa destacando faixa de operação das células Ultra de -30 °C a 60 °C.
Customização para o Brasil
Em vez de utilizar configurações padronizadas de outros mercados, a Great Power afirma adaptar os sistemas às condições climáticas de cada região brasileira. Temperaturas elevadas no Nordeste, frio no Sul e umidade e salinidade no litoral exigem diferentes estratégias de proteção.
“O Brasil não é um mercado em que podemos simplesmente pegar uma configuração pronta de outro país e importar. Temos temperaturas muito altas no Nordeste, frio no Sul e condições de umidade e salinidade no litoral. Por isso, fazemos uma customização do projeto”, explica.
A solução inclui monitoramento contínuo de temperatura e umidade por BMS e EMS, além de proteção contra corrosão para ambientes agressivos, com tratamentos de pintura C5 ou superiores.
Segurança em múltiplas camadas
A segurança é outro ponto destacado pela fabricante, que afirma ter registrado zero acidentes em projetos implantados em mais de 50 países. Para a empresa, entretanto, a segurança de um BESS depende de uma arquitetura completa e não apenas da química LFP.
“Quando falamos em segurança, não estamos falando apenas da química LFP. Existe todo um conjunto de camadas: monitoramento contínuo da temperatura, detecção antecipada de anomalias, proteção elétrica, isolamento e sistemas de prevenção e combate a incêndios”, afirma Nagai.
Os sistemas também contam com monitoramento remoto e manutenção preventiva. Segundo a companhia, os produtos possuem certificações internacionais, como UL e IEC, além da certificação do Inmetro para o mercado brasileiro.
Parceiro tecnológico
A Great Power busca ampliar sua atuação junto a desenvolvedores, integradores e empresas do setor elétrico, posicionando-se como fornecedora de soluções completas, que incluem células, racks, gabinetes e sistemas integrados.
“Queremos ser vistos como um parceiro tecnológico, e não apenas como um fornecedor de equipamentos. Podemos entregar desde a célula até o rack, o gabinete e a solução completa”, destaca Nagai.
A empresa também vê espaço para aplicações em hotéis, empreendimentos turísticos e indústrias de consumo intensivo, além de projetos voltados ao gerenciamento de energia e suporte à rede. Na América Latina, entre as referências citadas está um projeto comercial de EMC desenvolvido em parceria com um fabricante de alimentos no Chile.
Logística reversa
A estratégia inclui ainda a destinação das baterias ao final de sua vida útil. A Great Power já possui um acordo de logística reversa com uma empresa brasileira que também atua no segmento automotivo.
O processo envolve a separação dos componentes eletrônicos, a moagem dos materiais para produção de black mass e etapas de desmineralização para recuperação de materiais como grafite, cobalto e ferro.
Para a fabricante, a combinação entre armazenamento estratégico, fabricação de células, adaptação às condições locais, segurança e logística reversa pode posicionar os BESS como uma ferramenta para ampliar a flexibilidade do sistema elétrico brasileiro e integrar uma parcela maior da geração renovável.



