Grupo Setta se prepara para leilão com foco em integração de BESS e infraestrutura elétrica

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O Grupo Setta vem se preparando para participar de projetos de armazenamento de energia que poderá ser impulsionada pelos primeiros leilões de reserva de capacidade com sistemas de baterias (LRCAP). A estratégia da empresa é atuar na integração dos sistemas e na infraestrutura elétrica necessária para conectá-los à rede, incluindo cabines, subestações e equipamentos de média e alta tensão.

Em entrevista à pv magazine Brasil durante a Intersolar South America 2026, o CEO do Grupo Setta, Vinicius Dias, afirmou que a empresa já está preparada tecnicamente para atender à demanda e trabalha na formação de parcerias para estruturar sua participação no LRCAP.

“O grande desafio agora é conseguir participar do primeiro LRCAP, que exige um nível de nacionalização relativamente alto. Por isso, estamos correndo contra o relógio para estruturar as parcerias e levar ao mercado uma modelagem que permita atender a essa demanda”, afirmou Dias.

O xadrez dos pontos de conexão

Vinicius Dias, CEO do Grupo Setta.

Dias destaca que as oportunidades no LRCAP não devem ser analisadas apenas sob a perspectiva das baterias. A conexão dos sistemas de armazenamento à rede exige uma série de equipamentos e serviços de infraestrutura, segmento em que o Grupo Setta já possui experiência.

“O LRCAP não é só bateria. Para conectar o BESS ao sistema, são necessárias cabines, equipamentos de média tensão e subestações de 138 kV e 230 kV. E ainda não sabemos exatamente onde cada projeto será conectado. É um verdadeiro quebra-cabeça”, afirmou.

A empresa pode fornecer desde cabines e equipamentos de média tensão até subestações destinadas a níveis de tensão de 138 kV e 230 kV. A companhia também atua como EPCista na construção de subestações, utilizando produtos fabricados em sua própria estrutura industrial.

Um dos desafios, segundo Dias, é justamente a definição dos pontos de conexão dos projetos. O executivo compara o cenário a um jogo de xadrez, já que os empreendimentos poderão ser conectados em diferentes pontos da rede, dependendo das condições de cada projeto.

Na prática, a empresa busca ocupar um espaço de integração entre os diferentes agentes envolvidos nos projetos, conectando fabricantes, investidores e desenvolvedores à infraestrutura necessária para levar os sistemas à rede.

“Estamos nos colocando à disposição de quem desenvolve os projetos, dos investidores e dos fabricantes internacionais como uma opção para integrar essas diferentes pontas da cadeia”, explicou.

Nacionalização é desafio para o primeiro leilão

A exigência de conteúdo nacional do primeiro LRCAP aparece como um dos principais desafios para os fornecedores que pretendem participar da disputa. Para Dias, entretanto, o intervalo entre a contratação e a confirmação da indexação dos projetos abre espaço para que empresas e parceiros estruturem soluções localmente.

O executivo afirma que o Grupo Setta já possui capacidade industrial compatível com parte das demandas que deverão surgir.

“Do ponto de vista técnico, a dificuldade para a Setta é pequena. O que precisamos agora é organizar as parcerias para transformar essa capacidade industrial em uma solução competitiva para o mercado”, afirmou.

A empresa já possui histórico de atuação na geração distribuída justamente em segmentos nos quais a fabricação e a integração nacional têm maior relevância. Em vez de competir diretamente em componentes como módulos e inversores, o Grupo Setta concentrou sua atuação em equipamentos e estruturas necessários para a conexão dos sistemas às redes das concessionárias.

“Boa parte das abordagens que estamos fazendo aqui é de pessoas vendo a Setta como um mecanismo de fazer isso acontecer nacionalmente, por toda a parte industrial que vocês já têm, por toda aquela nossa capacidade industrial”, afirmou.

BESS para C&I amplia mercado

Além dos projetos de grande porte associados ao LRCAP, o Grupo Setta está ampliando seu portfólio de armazenamento para aplicações comerciais e industriais de média potência.

O BESS apresentado pela empresa para o segmento C&I é fruto de uma parceria com a SolaX Power, segundo comunicação do próprio Grupo Setta. A estratégia é integrar a solução de armazenamento ao portfólio de infraestrutura elétrica já oferecido pela companhia.

Segundo Dias, o sistema não foi desenvolvido especificamente para o LRCAP, mas atende a uma demanda que tende a crescer entre consumidores industriais e comerciais.

Uma das aplicações apontadas pelo executivo é a substituição de grupos geradores a diesel em determinados casos.

“O BESS para aplicações C&I faz muito sentido porque, em muitos casos, pode substituir um grupo gerador a diesel. Estamos deixando de usar diesel e emitir carbono para utilizar uma solução de armazenamento”, afirmou.

A estratégia também está relacionada à base de clientes industriais da empresa. Para Dias, a presença do Grupo Setta no mercado de infraestrutura elétrica cria um canal para a comercialização de soluções de armazenamento à medida que os consumidores passam a buscar alternativas para reduzir custos e melhorar a gestão do consumo de eletricidade.

A empresa também avalia a possibilidade de avançar na nacionalização desses sistemas por meio de modelos CKD ou SKD, com a montagem ou finalização dos equipamentos no Brasil.

Transformadores e transferência de tecnologia

Outra frente de expansão é a entrada no mercado de transformadores de alta tensão. O Grupo Setta está desenvolvendo uma parceria com uma empresa chinesa para trazer equipamentos ao Brasil inicialmente e, posteriormente, avançar para uma etapa de transferência de tecnologia e fabricação local.

De acordo com Dias, a estratégia responde a uma das principais restrições enfrentadas atualmente pelo setor elétrico: os longos prazos de entrega de transformadores.

“Hoje, um transformador desse porte pode levar de 12 a 14 meses para ser entregue no Brasil. Nossa intenção é reduzir esse prazo e, depois de dois anos de parceria, avançar para a transferência de tecnologia e a fabricação local”, disse Dias.

A expectativa da empresa é utilizar os primeiros dois anos da parceria para introduzir os equipamentos no mercado e ganhar confiança dos clientes, avançando depois para a transferência tecnológica e a fabricação no país.

A pressão sobre o mercado de transformadores, segundo Dias, é resultado de uma combinação entre o crescimento da demanda por infraestrutura elétrica e o envelhecimento das redes.

O executivo cita a expansão de data centers na Europa, Oriente Médio e Estados Unidos, além da necessidade de modernização de subestações construídas há décadas.

“Temos no Brasil subestações de 50, 70 anos que precisam ser modernizadas. Isso não é uma realidade apenas brasileira: redes antigas precisam ser substituídas em diferentes mercados, ao mesmo tempo em que cresce a demanda por infraestrutura elétrica”, afirmou.

Modernização da rede sustenta demanda de longo prazo

Na visão do CEO, a expansão das fontes renováveis, o armazenamento, a eletrificação da indústria e a modernização da infraestrutura devem sustentar uma demanda relevante por equipamentos elétricos nos próximos anos.

Dias estima que o mercado associado à infraestrutura de energia possa apresentar oportunidades por pelo menos oito a dez anos, mesmo considerando um cenário conservador.

“Quando pensamos no mercado de energia — incluindo BESS, subestações e transmissão — enxergamos oportunidades por pelo menos dez anos. Para sermos conservadores, diria que há mercado para os próximos oito anos”, afirmou.

A perspectiva considera não apenas a expansão das renováveis, mas também a necessidade de atualização de ativos antigos e de reforço da infraestrutura para acompanhar a maior integração do sistema elétrico.

Nos últimos cinco anos, segundo Dias, cerca de 80% do que o Grupo Setta realizou esteve relacionado à energia renovável. Para 2026, a empresa pretende ampliar novamente sua atuação no mercado industrial, combinando as duas frentes.

“Nos últimos cinco anos, 80% do que fizemos foi voltado para energia renovável. Agora estamos retomando com mais força o mercado industrial, porque nossos clientes precisam melhorar subestações, eletrificar processos e também trabalhar na gestão da fatura de eletricidade”, afirmou Dias.

Para o executivo, a expansão da infraestrutura elétrica é condição necessária para o crescimento econômico do país e abre espaço para a atuação da empresa em diferentes segmentos.

“Para o país crescer e evoluir economicamente, será necessária uma rede elétrica mais preparada. Por isso, precisamos estar preparados para atender a essas demandas, seja no solar, na indústria ou na infraestrutura”, finalizou.

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