Carozzi, ESE Maquinarias, EVMOB, DHL, Mintral e Soprole: seis empresas, um mesmo objetivo rumo à descarbonização do transporte

carozzi,-ese-maquinarias,-evmob,-dhl,-mintral-e-soprole:-seis-empresas,-um-mesmo-objetivo-rumo-a-descarbonizacao-do-transporte

O quinto painel de debates no Latam Mobility Cone Sul 2026, intitulado “Cadeia de Valor e Descarbonização: chave para uma estratégia nacional de mobilidade sustentável”, reuniu players-chave da logística, da indústria alimentícia, da mineração e do transporte para analisar os desafios e as oportunidades da descarbonização em toda a cadeia produtiva.

O painel, moderado por Loreto Hermosilla (presidente da Women in Supply Chain Chile), contou com a participação de Anaiza Pusic Pavez (da DHL Global Forwarding), Daniela Lavoz (da Carozzi e sócia da WINS Chile), Daniela Zuleta (da Soprole), Dante Battaglia (da Mintral), Pablo Fehlandt (da ESE Maquinarias) e Ramón Valdés (da EVMOB).

Os debates abordaram temas como a adoção de energias renováveis na indústria, a eletrificação de frotas, o papel dos fornecedores na descarbonização, as métricas para medir o impacto ambiental e a importância das alianças estratégicas para avançar rumo a uma logística mais sustentável.

Você também pode se interessar | Carregadores de última geração: Huawei revoluciona a infraestrutura de recarga com sistemas modulares que multiplicam a eficiência operacional

Infraestrutura e operações

O painel começou com uma análise das iniciativas estratégicas que as empresas estão colocando em prática para reduzir suas emissões.

Daniela Lavoz, da Carozzi, destacou que a companhia incorporou a sustentabilidade como um valor central, com projetos concretos como o maior estacionamento com painéis fotovoltaicos do Chile, com 13 mil metros quadrados de infraestrutura e 700 vagas, que fornece cerca de 5% da energia consumida pela planta produtiva.

“Muitas vezes pensamos que a única forma de reduzir emissões é investindo em caminhões elétricos, mas podemos começar olhando para o nosso dia a dia operacional, planejando rotas e capacitando os motoristas”, observou. Ela mencionou que medidas como a redução do tempo de marcha lenta podem gerar um impacto significativo sem a necessidade de grandes aportes financeiros.

Pablo Fehlandt, da ESE Maquinarias, complementou essa visão a partir do papel de fornecedor de equipamentos logísticos. Sua empresa oferece guindastes, estabilizadores, empilhadeiras e transpaleteiras 100% elétricos com baterias de lítio, além de atuar como consultora para empresas que estão migrando de tecnologias mais antigas (como chumbo-ácido ou combustão) para soluções elétricas.

“O foco vai além do marketing verde; é uma questão de economia e eficiência de custos”, afirmou. Ele destacou que, embora um guindaste elétrico possa ter um custo inicial mais alto, ele gera economias expressivas no curto e médio prazo.

Ramón Valdés, da EVMOB, ressaltou a importância de projetar soluções sob medida, entendendo a operação do cliente, suas rotas, quilometragem e cargas, para escolher o veículo mais adequado e dimensionar a rede de recarga necessária. Ele alertou que não se pode confiar a operação à infraestrutura pública de recarga, originalmente projetada para o consumo de pessoas físicas, e reforçou que o acompanhamento operacional de longo prazo é essencial para o sucesso da transição.

LMCS26 Panel 5

Alianças estratégicas e desenvolvimento de fornecedores

Daniela Zuleta, gerente de Suprimentos da Soprole, compartilhou a estratégia de sustentabilidade da companhia, baseada em três pilares: pessoas saudáveis, meio ambiente saudável e negócio saudável. Ela destacou que a empresa conseguiu tornar todos os seus iogurtes e sobremesas recicláveis por meio da estratégia “Sorriso Circular” e avançou em fábricas mais sustentáveis, com redução de emissões, água, energia e resíduos.

Em termos de eletromobilidade, a Soprole conta com cinco caminhões 100% elétricos (tanto carroceria quanto chassi), que já reduziram cerca de 19 toneladas de CO₂ em um ano. A meta até 2028 é reduzir 90 toneladas de CO₂, o equivalente ao consumo de 800 hectares de floresta nativa. “Não fazemos isso sozinhos. Fazemos por meio de alianças com nossos fornecedores, buscando parceiros estratégicos que vão além do simples relacionamento transacional”, enfatizou.

Anaiza Pusic Pavez, da DHL Global Forwarding, apresentou a estratégia global de sustentabilidade da DHL, que prevê um investimento de mais de 7 bilhões de euros até 2030 para reduzir 29 bilhões de toneladas de CO₂. A estratégia inclui rotas otimizadas, mudanças de modal, avaliação de fornecedores e o programa Go Green Plus, que permite aos clientes comprar combustível sustentável para seus envios aéreos e marítimos.

“É importante ter metas claras e alcançáveis para nos projetarmos em direção a uma visão de futuro”, afirmou. Ela mencionou que a DHL estabeleceu metas como 30% de uso de combustível sustentável em aviões e navios e 60% de frota elétrica até 2030, com a meta de neutralidade de carbono em 2050.

Métricas, tecnologias e otimização de rotas

Dante Battaglia, da Mintral — especialista em logística para mineração — focou na medição da pegada de carbono e na otimização de rotas. Sua empresa gerencia mais de 12 milhões de quilômetros por mês e desenvolveu uma tecnologia chamada Sider, que dobra a capacidade de um caminhão e permite reduzir de 20% a 21% as viagens desnecessárias.

“A primeira tonelada de CO₂ que tentamos controlar é aquela gerada por ineficiência”, explicou. “Não se trata apenas de medi-la, mas de tomar decisões em tempo real: garantir que um caminhão não saia com capacidade ociosa nem volte vazio”, acrescentou, destacando que todas essas medidas são validadas pelo programa Huella Chile.

Ramón Valdés complementou essa visão apontando que, mais do que identificar lacunas, o importante é desenhar uma boa solução que considere a carga, a rede e o veículo adequado.

Por sua vez, Pablo Fehlandt acrescentou que, para empresas com restrições de capacidade elétrica, as soluções de armazenamento de energia (BESS) combinadas com painéis solares permitem aproveitar a energia gerada e carregar os equipamentos elétricos sem depender exclusivamente da rede, reduzindo custos operacionais e de manutenção.

“A manutenção de equipamentos a diesel é muito mais cara; os guindastes elétricos têm baterias seladas com durabilidade de 5 a 10 anos”, destacou.

LMCS26 Panel 5

O papel dos transportadores e o apoio às PMEs como elo-chave da cadeia

Daniela Lavoz abordou o desafio de apoiar as empresas de transporte, muitas delas PMEs em que o motorista é dono do caminhão. Ela destacou o programa Giro Limpio, que auxilia essas empresas na geração de dados e na tomada de decisões para reduzir emissões.

“É importante gerar conscientização e oferecer capacitação. Muitas vezes os motoristas têm vontade, mas o desconhecimento é ainda maior”, afirmou. Ela mencionou que o uso de simuladores de direção e treinamentos sobre frenagem e tempo de marcha lenta podem fazer uma grande diferença.

Dante Battaglia acrescentou que, na posição de prestador de serviços, é necessário criar as condições para que o business case da descarbonização se feche de forma positiva, evitando que ele concorra em desvantagem com o método tradicional.

“Se vamos colocar a sustentabilidade como valor dentro das nossas organizações, precisamos gerar as condições para que isso se torne efetivamente realidade”, afirmou.

Liderança com visão de futuro

Na rodada de reflexões finais, os painelistas concordaram sobre a necessidade de lideranças com visão de futuro e capacidade de colaboração.

Daniela Zuleta destacou que “a sustentabilidade não é apenas reciclagem ou melhor aproveitamento de recursos, mas entender que ela vai além. Ela nos permite enxergar riscos, minimizar impactos e alinhar as expectativas dos consumidores”. Ela acrescentou que alianças estratégicas com fornecedores abertos à inovação são fundamentais para avançar.

Anaiza Pusic enfatizou a importância de metas claras e alcançáveis e que a sustentabilidade deve fazer parte da cultura organizacional, permeando toda a companhia. Dante Battaglia reforçou a necessidade de gerar as condições para que o business case da descarbonização se viabilize.

Pablo Fehlandt incentivou todos a perderem o medo das novas tecnologias e testarem equipamentos elétricos, destacando que “estamos sempre dispostos a demonstrar que as baterias duram e que a continuidade operacional é perfeitamente possível”.

Ramón Valdés encerrou convidando a avançar passo a passo, eletrificando as rotas que já são adequadas, e lembrando que não é preciso transformar toda a frota de uma só vez.

A moderadora Loreto Hermosilla resumiu o espírito do painel: “O apoio aos fornecedores, a mudança no mindset das lideranças e uma visão comum em torno da descarbonização são os pilares dessa transformação”.

LMCS26 Panel 5
Dante Battaglia, Loreto Hermosilla, Daniel Lavoz, Pablo Fehlandt, Daniela Zuleta, Ramón Valdés e Anaiza Pusic

Próxima parada: Latam Mobility México 2026

Latam Mobility Tour 2026 seguirá seu roteiro pela região, e o próximo encontro será na Cidade do México, nos dias 12 e 13 de outubro de 2026.

O evento, que já se desenha como o grande encerramento do ano para o setor, reunirá líderes dos setores público e privado de toda a América Latina para continuar acelerando a transição rumo a uma mobilidade mais limpa, eficiente e sustentável.

A edição Latam Mobility México 2026 oferecerá uma plataforma única para aprofundar parcerias, conhecer as mais recentes inovações tecnológicas e traçar roteiros conjuntos que agilizem a descarbonização do transporte na região.

Lá, governos, empresas, academia e sociedade civil continuarão tecendo a rede de colaboração que fará da mobilidade sustentável uma realidade em todo o continente. O otimismo não é ingenuidade – é a certeza de que, trabalhando juntos, a mudança é plenamente possível.

La entrada Carozzi, ESE Maquinarias, EVMOB, DHL, Mintral e Soprole: seis empresas, um mesmo objetivo rumo à descarbonização do transporte se publicó primero en Latam Mobility.

Compartilhe: