Com informações de Rodrigo Perini – A Scania acredita que o biometano deve ganhar espaço mais rapidamente do que os veículos elétricos em parte do transporte pesado nos próximos anos, principalmente em regiões onde a infraestrutura elétrica ainda não acompanha o ritmo da transição energética. Apesar disso, a fabricante afirma que não vê as duas tecnologias como concorrentes, mas como soluções complementares, cuja adoção dependerá das características de cada mercado.
A avaliação foi feita por executivos da empresa durante evento realizado nesta terça-feira (29), em São Paulo. Segundo eles, a expansão da eletrificação depende não apenas da disponibilidade de veículos, mas também da capacidade da rede elétrica e dos investimentos necessários para sua modernização.
Foto de: Scania
Como exemplo, a Scania citou a cidade de São Paulo. De acordo com a empresa, a capital possui oferta de energia, mas ainda enfrenta limitações na infraestrutura de distribuição em determinadas regiões, um desafio que também vem sendo discutido pela SPTrans durante o processo de eletrificação da frota de ônibus.
Nesse cenário, o biometano aparece como uma alternativa de implantação mais rápida em determinadas aplicações. A fabricante lembra que a cidade já utiliza caminhões de coleta de resíduos movidos ao combustível e destaca o potencial dos aterros sanitários da região para ampliar a produção de biometano nos próximos anos.
Veja também:
Brasil é estratégico para o biometano
Segundo a Scania, o potencial brasileiro para produção de biometano foi um dos fatores que levaram a empresa a transformar o país em um polo de desenvolvimento e produção de motores movidos pelo combustível.
A fabricante destaca que a disponibilidade de matérias-primas provenientes do setor sucroenergético, da agropecuária e dos resíduos urbanos cria uma vantagem competitiva em relação a outros mercados.
Além do aspecto ambiental, a empresa argumenta que o biometano também pode reduzir custos operacionais. Entre os benefícios apontados estão a dispensa do uso de Arla 32 e a menor emissão de material particulado em comparação com o diesel, já que a combustão do metano produz menos resíduos sólidos.
A estratégia acompanha o lançamento do novo ônibus urbano Scania K 280 4×2 a gás e biometano, desenvolvido em parceria com a Caio, que está em fase final de homologação junto à SPTrans e deverá iniciar demonstrações em operação real na cidade de São Paulo até setembro.
Galeria: Scania – ônibus movido a biometano
Eletrificação continua sendo prioridade
Apesar de defender o avanço do biometano em determinadas regiões, a Scania afirma que isso não representa uma mudança de direção em relação aos veículos elétricos.
Segundo os executivos, a eletrificação continuará desempenhando papel importante na descarbonização do transporte, especialmente pela eliminação das emissões locais e pela maior eficiência energética dos motores elétricos.
A empresa ressalta, porém, que a expansão dessa tecnologia depende de investimentos públicos e privados na rede elétrica, um processo que deve levar anos mesmo em países desenvolvidos.
Por isso, a estratégia global da fabricante é oferecer diferentes tecnologias de propulsão, escolhendo aquela que faz mais sentido para cada operação.
O que você pensa sobre isso?
“Acreditamos na diversidade energética”, resumiu a empresa durante o evento, citando como exemplo mercados onde o biometano pode ser mais competitivo graças à proximidade das fontes de produção, enquanto outras cidades tendem a priorizar a eletrificação.
Essa visão também foi reforçada pela Scania na apresentação de sua estratégia para ônibus, que combina veículos a diesel, gás e elétricos como parte do processo de descarbonização do transporte.




