Infraestrutura industrial pronta é vantagem competitiva para a Windey Energy no Brasil

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Quando começou a estudar a aquisição da antiga fábrica de aerogeradores da Siemens Gamesa em Camaçari, na Bahia, a empresa estatal chinesa Windey considerou, em um primeiro momento, trazer a produção de suas próprias turbinas eólicas para o Brasil.

A companhia, fundada nos anos 70, chegou a ser a segunda maior fabricante de aerogeradores da China, com foco no gigante mercado interno chinês. Desde 2023, iniciou um movimento de internacionalização, que coincidiu com o seu ingresso no mercado de sistemas de armazenamento em baterias. Foi nesse contexto que a companhia adquiriu a planta industrial de 25.000 m² na Bahia.

“A gente já tinha essa sinergia da fábrica dos aerogeradores e a nossa intenção era operar tanto a produção de turbinas eólicas quanto de BESS. Mas, tendo em vista os altos índices de curtailment, percebemos que talvez o grid não consiga absorver tantos pedidos de aerogeradores nesse primeiro momento. Então a gente decidiu focar na solução que vai justamente ajudar o grid brasileiro, trazendo a produção de BESS”, disse à pv magazine Brasil o diretor comercial da Windey para a América Latina, Hugo Chang.

Por se tratar de um ativo já construído e dotado de infraestrutura industrial completa — incluindo escritórios, pórticos e pontes rolantes —, a aquisição da fábrica da Siemens Gamesa foi estratégica para viabilizar a produção local de sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS) da companhia no Brasil. A empresa obteve uma vantagem competitiva em termos de velocidade de entrada no mercado e de redução de CAPEX, destaca Chang.

“Enquanto concorrentes anunciaram investimentos de até R$ 500 milhões para erguer novas instalações do zero, a Windey estima um investimento total de até R$ 100 milhões nos próximos três a cinco anos, sendo mais de R$ 30 milhões aplicados logo no primeiro ano”, comenta.

As etapas do plano de produção

Na fase inicial, ocupando o Galpão 1 de 1.500 m², a empresa adotará o modelo de montagem local, importando os módulos de bateria (packs) de sua fábrica na China para integrá-los aos painéis e racks no Brasil. O cronograma prevê que o primeiro BESS nacional seja montado no primeiro trimestre de 2027. Essa data antecipa em aproximadamente três meses o prazo estimado de junho de 2027 para a comprovação de conteúdo local exigida pelo FINAME/BNDES, garantindo que os clientes tenham acesso a linhas de financiamento competitivas, como o Fundo Clima, bem antes do prazo final de entrega física dos projetos do Leilão de Reserva de Capacidade, estipulado para agosto de 2028.

Hugo Chang, diretor comercial da Windey para a América Latina. | Imagem: Windey

“O nosso plano é até o final desse segundo semestre já trazer todos os maquinários da nossa linha de produção [para a montagem dos packs]”, diz Chang.

Para cumprir e superar as exigências de nacionalização de 15% estipuladas pelo BNDES, a Windey desenvolveu uma estratégia de suprimentos com planos alternativos (planos A, B e C) focada na localização de componentes críticos. Os itens que a empresa planeja nacionalizar incluem contêineres, estruturas metálicas, sistemas de climatização (HVAC), cabos, conectores, o painel do sistema de gerenciamento de energia (EMS Panel) e o próprio software de controle (EMS Software).

Modelos comercializados e primeiros contratos para além do leilão

As soluções de armazenamento da Windey destinam-se a três grandes segmentos de aplicação. O primeiro é o mercado de Utility Scale, voltado a geradores eólicos e solares, empresas de transmissão e investidores financeiros, com foco em dar suporte ao grid, mitigar cortes de geração e atender ao Leilão de Reserva de Capacidade marcado para dezembro. A solução padrão da empresa para esse segmento é de contêineres de 5 MWh.

“A Windey não produz a célula de lítio, então buscamos fornecedores Tier1 para esse componente, assim como os transformadores de média tensão”, comenta Chang.

A companhia desenvolve e fabrica os controladores da bateria (BMS), que fazem a gestão térmica, de carga e descarga, e o software de gestão (EMS), que possui módulos integrados com inteligência artificial para predição de falhas e monitoramento.

Aqui, cabe destacar que a Windey é parte do Zhejiang Machinery Group, uma empresa de controle estatal da província de Zhejiang que detém 46% de participação na companhia. Trata-se do mesmo grupo controlador da DeepSeek, que atua na área de softwares e inteligência artificial, e da Gauss Energy, que provê data centers ao mercado chinês, ambas vistas como complementares ao negócio da Windey, em um ecossistema de inovação.

Chang destaca que o produto nacionalizado terá as mesmas especificações técnicas, parâmetros, sistemas de segurança e garantias que o produto fabricado na China.

O segundo segmento atendido pela companhia é o mercado comercial e industrial (C&I) e de geração distribuída, onde a empresa já realizou sua primeira venda de 2 MWh para shopping centers realizarem peak shaving (redução de demanda no horário de pico), em parceria com a integradora local 499 Solar. Para esse segmento, a aposta é o modelo de modelo de 261 kWh.

“A gente está fazendo parcerias com empresas no país inteiro que possam prover esse tipo de solução aos clientes C&I, como BESS as a service ou gestão de energia do cliente. Esse é um mercado mais distribuído e que precisa de uma resposta à altura, com rapidez e capilaridade que estamos buscando através desses parceiros. Essas empresas sabem identificar, calcular e apresentar os benefícios ao cliente final e contam com o apoio da engenharia local da Windey”, diz o diretor da empresa.

Por fim, a empresa aposta no segmento do agronegócio, especialmente em áreas remotas, desenvolvendo estudos para integrar sistemas BESS a aerogeradores de menor porte para alimentar pivôs de irrigação sem competir pelo uso do solo, além de oferecer o Best Truck (ou Best Mobile), um sistema de baterias móvel montado sobre caminhões (com capacidade de 313 kWh a 1,8 MWh) para atendimento a demandas agrícolas temporárias e recarga de tratores elétricos autônomos.

Centro de monitoramento e O&M

Além da fabricação, a infraestrutura de Camaçari funcionará como um centro de monitoramento de ativos e centro de reparos de componentes para o Brasil e a América Latina. Essa operação de pós-venda e manutenção será realizada em parceria com a empresa brasileira Airbox, especialista em manutenção de grandes componentes. No campo tecnológico, a Windey conta com o suporte de seu centro de pesquisa e desenvolvimento em Salvador, instalado no ecossistema de inovação do SENAI CIMATEC, para criar soluções adaptadas às particularidades do mercado nacional.

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