Distribuidora brasileira passa a submeter os equipamentos a testes elétricos e de conformidade conduzidos pela V-Trust Inspection Service, ampliando rastreabilidade, mitigação de riscos e controle de qualidade em um mercado pressionado por preços e concorrência.
Em meio ao debate sobre confiabilidade, rastreabilidade e práticas como o chamado “fake power” no mercado fotovoltaico brasileiro, a Helte passa a adotar a inspeção técnica independente dos módulos solares antes do envio aos clientes. A iniciativa abrange os equipamentos comercializados pela empresa, incluindo linhas da ERA Solar, e envolve testes elétricos, checagens de conformidade e análises de qualidade conduzidas pela V-Trust Inspection Service, empresa especializada em inspeção de produtos na Ásia.
Os procedimentos incluem Flash Test sob Condições de Teste Padrão (STC) — irradiação de 1.000 W/m², temperatura de 25 °C e espectro AM1.5 — para medir parâmetros como potência máxima (Pm), tensão e corrente de pico, Voc, Isc, fator de preenchimento (FF), resistências série (Rs) e paralela (Rsh), além da eficiência fotoelétrica. Em um dos lotes avaliados, módulos com potência nominal de 620 W alcançaram até 628,48 W, indicando desempenho até 1,4% acima do nominal dentro da tolerância positiva.
Além da performance elétrica, a inspeção contempla análise de workmanship baseada na ISO 2859-1:1999, verificação de rotulagem e embalagem, componentes, qualidade de solda, integridade estrutural e, quando possível, inspeção interna da construção. Também são realizados testes de segurança, como alta tensão, corrente de fuga úmida e resistência de isolamento.
Segundo o diretor-geral da Helte, Dimael Monteiro, a adoção da verificação independente está ligada à responsabilidade técnica assumida junto aos integradores. “O integrador não compra apenas um módulo, mas previsibilidade de geração e segurança para o projeto. Com inspeções independentes nos embarques, ampliamos o controle e reduzimos o risco técnico e financeiro na ponta”, afirma.
A prática ganha relevância em um cenário de maior exigência por desempenho e contratos de longo prazo. Divergências entre potência nominal e real podem comprometer a geração prevista e o retorno do investimento. Ao incluir relatórios detalhados — inclusive em casos classificados como “Passed (Conditional)”, com apontamento de desvios e limitações — a empresa adiciona uma camada de governança à cadeia de suprimentos, permitindo decisões informadas antes do embarque.
Embora o controle de qualidade faça parte da rotina industrial, a verificação pré-embarque por terceira parte ainda não é disseminada entre distribuidoras no Brasil. No segmento B2B, a rastreabilidade técnica tende a se consolidar como diferencial competitivo.



