O Estudo Estratégico de Geração Distribuída da Greener, referente ao primeiro semestre do ano, indica que 41% das vendas foram financiadas em 2025, comparado a 46% no primeiro semestre de 2024, indicando mudanças no comportamento do mercado, oferta de crédito e taxas de juros. Apesar disso, financiamento segue sendo um importante driver para o crescimento do setor, avalia a consultoria.
Lançado essa semana pela consultoria Greener, o Estudo Estratégico de Geração Distribuída referente ao primeiro semestre de 2025 revela um cenário de desafios e oportunidades no financiamento de sistemas de Geração Distribuída (GD) no Brasil. O mercado fotovoltaico, apesar de um ambiente macroeconômico desafiador, manteve-se consistente, com 4,5 GW instalados e mais de R$ 11 bilhões investidos no período.
A pesquisa identificou que 41% das vendas de sistemas fotovoltaicos contaram com financiamento no primeiro semestre de 2025, uma redução em relação aos anos anteriores, quando chegou a 46% (2024) e 53% (2023), mas ainda acima dos 30% em 2022. Essa retração é atribuída ao cenário de juros elevados, que encarecem as parcelas e diminuem a atratividade do financiamento, além de uma maior restrição de crédito por parte dos bancos, que se tornaram mais seletivos devido ao aumento da inadimplência em outras linhas de consumo.
A alta taxa de juros no financiamento foi citada por 58% dos integradores como um obstáculo enfrentado no primeiro semestre de 2025, e a dificuldade com a aprovação de crédito por parte dos bancos foi mencionada por 49%.
Integradores com maior volume de vendas tendem a ter uma parcela maior das vendas financiadas, refletindo uma maior capacidade de acesso a crédito. Como essas empresas concentram mais vendas, impulsionam a média de vendas com financiamento no total. Mas considerando a média de vendas financiadas de todos os integradores, em geral os integradores tiveram 33% de suas vendas financiadas em 2025, comparado a 39% no primeiro semestre de 2024, indicando mudanças no comportamento do mercado, oferta de crédito, taxas de juros ou perfil de clientes.
Apesar dos desafios, o financiamento continua sendo um fator relevante para a expansão e competitividade no mercado. O estudo aponta que o uso de financiamento varia entre as regiões, indicando oportunidades para estratégias de crédito adaptadas ao perfil e maturidade de cada mercado.
O mercado de financiamento de energia solar envolve 18 bancos tradicionais, nove bancos de fomento ou desenvolvimento e 13 fintechs ou correspondentes bancários, mostrando uma combinação de canais consolidados e soluções inovadoras de crédito. Os bancos e linhas mais utilizados nas vendas financiadas incluem BV, Santander, Solfácil, Sicredi, Sol Agora, Banco do Brasil (BB), Sicoob, Bradesco, BNB, Losango, Itaú, Caixa Econômica Federal, Cresol, BTG Pactual e cartão de crédito.
Para os integradores, é estratégico manter uma boa reputação junto às instituições financeiras, garantindo acesso a condições diferenciadas para oferecer aos clientes. Como nas edições anteriores, o estudo também destaca a importância da diversificação da atuação dos integradores, com 71% já oferecendo sistemas híbridos com bateria, e a exploração de novos modelos de negócio como GD compartilhada, Operação e Manutenção (O&M) e carregadores para veículos elétricos, que podem gerar novas fontes de receita e reduzir a dependência total das vendas de sistemas fotovoltaicos tradicionais.



