Tarifa branca pode acelerar adoção de baterias e sistemas híbridos

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A modernização tarifária do setor elétrico brasileiro pode se tornar um dos principais motores para a expansão do mercado de armazenamento de energia no País nos próximos anos. A avaliação foi apresentada pelo assessor da diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Otávio Henrique, durante o evento “Armazenamento para Integradores”, promovido pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), em São Paulo.

Segundo o especialista, a tarifa branca tende a ganhar protagonismo diante da crescente complexidade operacional do sistema elétrico brasileiro e do avanço acelerado da geração distribuída solar.

Criada para incentivar a mudança do consumo de energia fora do horário de ponta, a modalidade possui preços diferenciados ao longo do dia. Atualmente, a estrutura é dividida em três períodos tarifários: fora ponta, intermediário e ponta.

Apesar do potencial econômico, a adesão dos consumidores ainda é considerada baixa. Segundo o assessor da Aneel, menos de 0,1% dos consumidores elegíveis aderiram à modalidade desde sua implementação.

Entre os principais fatores apontados para a baixa adoção estão a dificuldade de mudança de hábitos de consumo, o baixo benefício econômico para consumidores sem flexibilidade de carga e falhas na comunicação da modalidade tarifária.

“O setor elétrico mudou drasticamente desde que a tarifa branca foi concebida, em 2011”, afirmou Henrique durante o evento.

Segundo ele, o crescimento da geração distribuída e o aumento da participação das fontes renováveis elevaram a complexidade operacional do sistema elétrico, criando necessidade de sinais tarifários mais sofisticados para consumidores de baixa tensão.

Nesse contexto, o armazenamento distribuído surge como uma das principais ferramentas para ampliar a eficiência da tarifa branca.

Segundo o assessor, sistemas com baterias permitem armazenar energia em horários de menor custo e utilizá-la durante os períodos de ponta, reduzindo despesas e automatizando a resposta da demanda. “As baterias também podem ajudar a reduzir impactos da chamada “curva do pato”, melhorar a gestão energética de consumidores e criar novos modelos de negócio para integradores e empresas do setor.

O especialista destacou ainda que sistemas híbridos podem ganhar relevância em regiões com saturação de rede, ajudando a viabilizar novas conexões elétricas e ampliando a flexibilidade operacional das distribuidoras.

Outro ponto abordado foi a valorização potencial da energia armazenada em baterias e utilizada nos horários de ponta, além das oportunidades futuras envolvendo eletromobilidade e tecnologias V2H (vehicleto-home), nas quais veículos elétricos podem fornecer energia para residências.

Durante a apresentação, Otávio Henrique também comentou a Consulta Pública Aneel nº 46, que discute a aplicação automática da tarifa branca para consumidores de maior consumo nas classes residenciais, rurais e comerciais de baixa tensão.

A proposta abrange consumidores com consumo mensal acima de 1.000 kWh, grupo que representa cerca de 2,5% das unidades consumidoras de baixa tensão, mas aproximadamente 25% do consumo total desse mercado.

A implementação da medida está sendo discutida para o período entre o final de 2026 e o início de 2027.

O assessor ressaltou, porém, que ainda existem desafios importantes para a expansão da tarifa branca e do armazenamento distribuído no Brasil, incluindo a necessidade de medidores inteligentes, ajustes no desenho tarifário e maior segurança jurídica para consumidores com micro e minigeração distribuída.

De acordo com o executivo, a modernização tarifária deve ocorrer de forma gradual e será acompanhada por novos mecanismos regulatórios, incluindo projetos-piloto e sandboxes tarifários conduzidos pela Aneel.

Para integradores solares, a expectativa do setor é que a combinação entre geração distribuída, armazenamento e gestão inteligente do consumo abra uma nova frente de negócios nos próximos anos, especialmente em aplicações residenciais, comerciais e industriais.

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