Hexing prevê fábrica de BESS no Brasil até 2027

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Em conversa com a pv magazine Brasil CEO do Grupo Hexing no Brasil avalia nova taxa para inversores como desafio ao mercado, mas destaca vantagem da Livoltek por fabricar equipamentos em Manaus, com alto índice de nacionalização e menor exposição às mudanças tributárias.

Em entrevista à pv magazine Brasil, Rui Cheng, CEO do Grupo Hexing no Brasil, anunciou que o grupo planeja iniciar, até 2027, a operação de uma fábrica dedicada à produção de sistemas de armazenamento de energia em contêineres (BESS) no país, reforçando a estratégia de longo prazo da Livoltek de ampliar a manufatura local e reduzir a dependência de importações em um cenário de aumento das tarifas para equipamentos fotovoltaicos. A empresa adquiriu um terreno de 40.000m² no bairro de Paiupina, em Fortaleza, no Ceará, onde está construindo uma nova planta industrial, com expectativa de inauguração em agosto de 2027.

O armazenamento de energia é apontado como uma das principais apostas estratégicas do Grupo Hexing. O CEO observa que eventos recentes de instabilidade no fornecimento elétrico, no Brasil e em outros países, reforçaram a percepção de que as redes precisam de maior flexibilidade diante do crescimento das fontes renováveis. Além da linha de produção de baterias de armazenamento de pequeno porte com potências entre 5 kWh a 60 kWh, carregadores veiculares de 7,3 a 120 kW, a Livoltek também planeja fabricar em Manaus sistemas BESS de gabinete para projetos maiores de 125 kWh voltados a projetos do segmento comercial e industrial (C&I).

A produção local também protege a empresa de mudanças recentes na política industrial chinesa, como a possível extensão do fim do desconto de IVA para baterias. De acordo com Cheng, embora hoje a medida se aplique apenas aos módulos fotovoltaicos, a fabricação no Brasil segue as regras nacionais e não sofre impacto direto dessas decisões, o que tende a preservar a competitividade da Livoltek.

As vantagens da produção local de inversores

Segundo Cheng, o fim das isenções fiscais e o aumento das taxas de importação para inversores, elevaram os custos de produtos vindos do exterior, mas não comprometeram a dinâmica do mercado, que dá sinais de recuperação após dificuldades no fim de 2024. Nesse contexto, a operação industrial da Livoltek em Manaus surge como um diferencial competitivo. A fábrica, que já opera há anos no Polo Industrial de Manaus, tem capacidade instalada de até 3 GW, com potencial de expansão adicional de 1 a 2 GW, o que permite atender a demanda local e mitigar o impacto das tarifas.

O executivo destaca que o nível de nacionalização da produção já é elevado. Mais de 70%,  podendo chegar a 80%, dos processos são realizados no Brasil, incluindo injeção de peças mecânicas, linhas SMT (Surface Mount Technology) e PTH (Pin Through-Hole) são métodos de montagem de componentes em placas de circuito impresso (PCBs), além da montagem final. “A fábrica foi planejada desde o início para ter um processo completo de fabricação, e não apenas para importar e montar equipamentos”, explica.

Ru Cheng é o CEO do Grupo Hexing no Brasil.

Imagem: Grupo Hexing

Outro diferencial da produção nacional da empresa é o acesso à aquisição de geradores fotovoltaicos (kit solar) com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Por produzir localmente e contar com código Fundo de Financiamento para Aquisição de Máquinas e Equipamentos (Finame), a Livoltek permite que seus parceiros obtenham crédito com condições mais atrativas, sem a exigência de uso de módulos nacionais. “Isso melhora o retorno do investimento e amplia as opções para os clientes”, conclui o executivo.

No portfólio, a Livoltek mantém foco em inversores string, cobrindo aplicações residenciais, comerciais e industriais, com potências que vão de 3 kW a 125 kW. A empresa não pretende entrar no segmento de microinversores, priorizando soluções já consolidadas para diferentes escalas de projeto.

No segmento C&I, a Livoltek já figura entre as principais fornecedoras do país. Dados da Greener, referentes ao primeiro semestre de 2025, colocam a empresa entre as dez maiores importadoras de inversores nas faixas de 10 kW a 75 kW e acima de 75 kW. Para Cheng, a maior visibilidade nesse mercado tende a fortalecer também a atuação no segmento residencial.

P&D e medição inteligente

No campo de pesquisa e desenvolvimento, o Grupo Hexing aposta em engenharia local. Uma equipe de P&D no Brasil trabalha em conjunto com os times globais para adaptar produtos às condições específicas do país, como alta umidade, salinidade em regiões costeiras e temperaturas elevadas. Essa abordagem é especialmente relevante para inversores híbridos e soluções integradas com armazenamento, que exigem maior customização e entendimento das necessidades do mercado.

O executivo também vê forte potencial de crescimento para medidores inteligentes no Brasil. Com a expansão da geração distribuída e a intermitência das renováveis, esses equipamentos são considerados essenciais para o monitoramento e a estabilidade da rede. Regulamentações publicadas recentemente pelo governo devem acelerar a adoção pelas distribuidoras nos próximos anos.

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