Projeto da 3e Soluções, com recursos do Procel/ENBPar, instalou sistemas termossolares em quatro cervejarias no país. No Ceará, unidades registraram queda média de 30,5% no consumo de combustível e economia mensal superior a R$ 2 mil por planta.
Duas cervejarias no Ceará reduziram em até 37% seus custos com energia após a adoção de sistemas de aquecimento solar térmico em seus processos produtivos. A iniciativa foi executada pela 3e Soluções no âmbito de um projeto nacional financiado pelo Procel/ENBPar, que contemplou quatro cervejarias — duas no estado e outras duas em São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Na capital cearense, a tecnologia foi implementada na Cervejaria Turatti e na Brewstone. O sistema utiliza o calor do sol para aquecer a água empregada na produção, uma das etapas de maior consumo energético na indústria de bebidas. A escolha do estado levou em conta a elevada incidência solar na região Nordeste, considerada estratégica para a disseminação da aplicação.
No primeiro ano de operação, as plantas cearenses registraram redução média de 30,5% no consumo de combustível, economia mensal superior a R$ 2 mil e mitigação de aproximadamente 8,5 toneladas de CO₂ por ano por unidade. O dado ganha relevância diante de estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que apontam que cerca de 80% da demanda energética da indústria brasileira está associada à geração de calor.
Além da redução de custos, as empresas relatam ganhos operacionais. Com a água já aquecida ao entrar no processo produtivo, o tempo de preparo foi encurtado e a dependência de combustíveis fósseis caiu mais de 50%. Segundo Marcos Guerra, mestre cervejeiro da Turatti, o tempo médio para aquecimento da água, que antes chegava a 50 minutos, foi significativamente reduzido após a implantação do sistema.
De acordo com a 3e Soluções, a proposta também contribui para aliviar a demanda sobre o sistema elétrico, especialmente no horário de ponta, entre 17h30 e 20h30. A empresa destaca que o aquecimento solar térmico pode ser aplicado em diferentes segmentos industriais que utilizam água quente em seus processos, substituindo caldeiras movidas a diesel ou gás com viabilidade técnica e econômica.
Concluído no primeiro semestre de 2025, o projeto integra as ações do Procel voltadas à promoção da eficiência energética e à redução de emissões na indústria brasileira.



