Brasil acelera venda de elétricos, mas infraestrutura ainda trava expansão fora do Sudeste

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Larissa Santos

Com frota em crescimento e mais de 20 mil pontos de recarga no país, avanço da eletromobilidade esbarra na desigualdade regional; novo hub 24h de alta potência no Pará indica mudança de cenário

O mercado de veículos eletrificados no Brasil vive um momento de expansão consistente. Em 2025, o país superou a marca de 220 mil unidades vendidas no ano, enquanto a frota em circulação se aproxima de 600 mil veículos, segundo dados da ABVE.

O crescimento, no entanto, expõe um desequilíbrio estrutural: a infraestrutura de recarga ainda se concentra majoritariamente nas regiões Sul e Sudeste, enquanto outras áreas do país avançam em ritmo mais lento. Fora desse eixo, a limitação de pontos de recarga e a falta de previsibilidade no abastecimento seguem como barreiras relevantes para a adoção em escala.

Esse cenário começa a dar sinais de mudança com a inauguração de um hub de recarga elétrica com operação 24 horas no Pará, localizado em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. Instalado na BR-316 — principal via de acesso à capital — o projeto amplia a disponibilidade de recarga em uma das regiões com maior lacuna de infraestrutura do país.

Com potência instalada de 340 kW, distribuída entre dois carregadores rápidos de 80 kW e um ultrarrápido de 180 kW, o hub foi projetado para atender desde veículos leves até vans, ônibus e caminhões elétricos. A configuração permite não apenas ampliar o uso urbano, mas também viabilizar aplicações mais intensivas, como transporte corporativo e operações logísticas.
Mais do que adicionar novos pontos de recarga, iniciativas como essa atacam um dos principais entraves do setor: a previsibilidade. A operação contínua, aliada à alta potência, reduz a incerteza para o usuário e cria condições mais favoráveis para o uso recorrente de veículos elétricos fora dos grandes centros.

A infraestrutura foi desenvolvida para suportar uso intensivo e operação contínua, com tecnologia Teison – fabricante global de carregadores veiculares – voltada à recarga de alta potência, garantindo estabilidade operacional, desempenho consistente e disponibilidade mesmo em cenários de alta demanda. Essa configuração é fundamental para viabilizar aplicações mais exigentes, como frotas e operações logísticas, onde a confiabilidade da recarga impacta diretamente a operação.

Além da recarga, o espaço incorpora serviços de conveniência e apoio, acompanhando uma tendência global de transformação dos eletropostos em hubs multifuncionais. O modelo busca aumentar o tempo de permanência, melhorar a experiência do usuário e criar oportunidades de consumo no local.

O impacto também se estende ao setor corporativo. A disponibilidade de recarga de alta potência em um eixo logístico relevante reduz o tempo de parada e amplia a viabilidade da eletrificação de frotas, especialmente em operações de média e longa distância.

Para a PlugBRA, responsável pelo projeto, o hub integra uma estratégia mais ampla de expansão baseada na criação de pontos de recarga de alta potência em localizações estratégicas, conectando rotas e ampliando a capilaridade da infraestrutura no país.

Segundo Neto Hardman, sócio-diretor da empresa: “Estamos estruturando uma rede que permita o uso real da mobilidade elétrica, com infraestrutura preparada para diferentes perfis de operação e disponibilidade contínua.”

O avanço da infraestrutura fora dos grandes centros sinaliza uma nova fase para o setor. À medida que a frota cresce, a recarga deixa de ser um diferencial e passa a ser condição básica para sustentar a expansão da mobilidade elétrica no Brasil — especialmente em regiões onde a oferta ainda é limitada.

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